Pular para o conteúdo
DóLAR — EURO — BITCOIN R$ 422.235 ▲ 0,83% SáBADO, 31/10/2026 12:33
Cinema

Crítica | Absolute Arqueiro Verde – Vol. 1

O assassino de bilionários. O post Crítica | Absolute Arqueiro Verde – Vol. 1 apareceu primeiro em Plano Crítico.

2

– Leiam, aqui, as demais críticas do Universo Absolute.

A versão Absolute de Oliver Queen foi apresentada no one-shot Absolute Vilania, que focou na coalização dos maiores vilões desse universo sombrio da DC Comics, mas seu heroísmo teve vida curta, já que ele acabou sendo assassinado por Carter Hall, o Gavião Negro, antes de sequer estrear direito como vigilante. Foi, sem dúvida, um momento chocante na HQ e uma escolha curiosa, que abre possibilidades narrativas interessantes e potencialmente diferentes para a efetiva introdução do Arqueiro Verde na anunciada minissérie em seis edições, que foi ampliada para 12, com a presente crítica abordando o primeiro e recém-encerrado arco inaugural.

E é com essa responsabilidade que Pornsak Pichetshote abraçou a causa e criou o que inevitavelmente teria que ser criado, ou seja, um mistério rocambolesco sobre a identidade do arqueiro mascarado que surge em Central City assassinando bilionários sem dó, nem piedade. Se essa escolha narrativa era evidente, a forma como o roteirista escolheu para contar sua história ainda bem foge do óbvio ao fazer de Dinah Lance, ex-policial, ex-lutadora de MMA e atual guarda-costas emburrada e rabugenta de ricaços, a protagonista e a voz central desse arco, que começa quando ela é contratada para fazer parte da equipe de segurança de Hector Hammond.

O que parece ser apenas mais um trabalho para permitir que Dinah pague o tratamento de seu pai, logo se torna um pesadelo que, de um lado, conta com a chegada do arqueiro assassino com máscara de caveira, cavanhaque e um bizarro arco formado por duas espadas orientais, e, de outro, com as descobertas cada vez mais aterradoras sobre os projetos escusos de Hammond e companhia, em uma progressão que não se furta em usar flashbacks para marotamente manter Oliver Queen vivo na mente do leitor e em trafegar entre os aspectos investigativos da história e uma inesperada abordagem de horror corporal. Se a revelação de quem é o arqueiro não é lá muito especial, pelo menos o roteirista não se curva a meras convenções do gênero, o que significa dizer que ele não cai na tentação de respeitar o cânone básico do personagem, o que seria muito fácil e, sinceramente, frustrante.

No entanto, Pichetshote demonstra ter a sofreguidão equivocada que Jeff Lemire teve no primeiro arco de Absolute Flash, tratando de apresentar o maior número possível de versões novas de personagens clássicos que gravitam ao redor do Arqueiro Verde. É gente demais em muito poucas páginas que tumultua a progressão da história e que parece existir somente para contribuir com o mistério sobre a identidade do Arqueiro Verde, ou seja, para servir como repetidas e cansadas pistas falsas para esticar o arco. Aliás, falando em esticar, diferente de Deniz Camp, que soube magistralmente transformar a minissérie do Absolute Caçador de Marte de seis para 12 edições, Pichetshote fez essa ponte arrastando a última edição com intermináveis diálogos expositivos e inserção de novos personagens quase que do nada, a ponto de isso ter afetado minha apreciação geral do arco.

Na arte, o brasileiro Rafael Albuquerque parece um “pinto no lixo” feliz que só com as possibilidades visuais de uma história essencialmente de horror, tendo versões radicais de super-heróis e super-vilões clássicos no elenco. E ele faz um bom trabalho cinético, que mantém a história seguindo uma cadência visual eficiente, mas com exageros monstruosos que, longe de serem diferentes e desafiadores, permanecem ali não muito acima da perigosa linha do genérico. Se o visual do Arqueiro Verde é chamativo e a pegada abrutalhada para Dinah Lance é refrescante, os demais personagens, especialmente os “bichos escrotos”, acabam fungíveis e chamativos somente nas primeiras aparições, logo se perdendo no meio de tanta mesmice provocada por um texto que começa a ruir sob seu peso.

Mesmo assim, admito que fiquei curioso pela segunda metade dessa maxissérie introdutória do Arqueiro Verde no Universo Absolute. Pornsak Pichetshote terá a oportunidade de arrumar o tabuleiro que deixou bagunçado e Rafael Albuquerque de usar sua arte para elevar a narrativa. Mas isso só se eles não sucumbirem à estratégia do “quanto mais, melhor” que vem atrapalhando essa empreitada até agora muito bem sucedida da DC Comics.

Absolute Arqueiro Verde – Vol. 1 (Absolute Green Arrow – Vol. 31: The Longbow Killer – EUA, 2026)

Contendo: Absolute Green Arrow #1 a 6
Roteiro: Pornsak Pichetshote
Arte: Rafael Albuquerque
Cores: Marcelo Maiolo
Letras: Jeff Powell
Editoria: Sabrina Futch, Katie Kubert, Chris Conroy
Editora: DC Comics
Datas originais de publicação: 20 de maio, 17 de junho, 15 de julho, 19 de agosto, 16 de setembro e 21 de outubro de 2026
Páginas: 200

Arqueiro VerdeArqueiro Verde: QuadrinhosChris ConroyDC ComicsHomeJeff PowellKatie KubertMarcelo MaioloPornsak PichetshoteRafael AlbuquerqueSabrina FutchUniverso Absolute – DC Comics

Fonte: Plano Critico.

Compartilhe esta matéria:
Portal Inhaí

Portal Inhaí

Confira as notícias e colunas publicadas por Portal Inhaí no Portal Inhaí.