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Cinema

Crítica | Frankenstein Encontra o Lobisomem

O primeiro crossover dos monstros da Universal. O post Crítica | Frankenstein Encontra o Lobisomem apareceu primeiro em Plano Crítico.

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A ideia de colocar monstros de diferentes franquias em um único projeto para se enfrentarem sempre gera curiosidade e desconfiança para quem acompanha o gênero do terror no cinema. Longas como Freddy vs. Jason (2003), Alien vs. Predador (2004) ou mesmo Godzilla vs. King Kong (as duas versões) estão longe de serem os filmes mais celebrados a envolverem qualquer um desses personagens, mas há um apelo pop irresistível nessas obras crossovers. Como quase tudo envolvendo a lógica de franquia no terror, as raízes desse tipo de projeto podem ser rastreadas até os monstros da Universal. Nos anos 40, Drácula e Frankenstein já não vendiam como nos anos 30. Porém, O Lobisomem, de 1941, foi um sucesso, e o estúdio, querendo usar esse sucesso para impulsionar seus outros monstros, resolveu fazer da sequência de O Lobisomem um crossover, e assim nasceu a ideia para Frankenstein Encontra o Lobisomem, o primeiro de uma série de filmes conhecidos como Rally Monsters, que promovem duelos entre os famosos monstros do estúdio.

Na trama, quatro anos depois da morte do lobisomem Lawrence Talbot (Lon Chaney Jr.) nas mãos do próprio pai, ladrões de túmulos invadem a cripta da família Talbot em uma noite de lua cheia e, ao abrirem o túmulo de Lawrence em busca de riquezas, deixam a luz do luar entrar, trazendo o lobisomem de volta à vida. Ao se ver ressuscitado e com mais sangue nas mãos, Talbot procura desesperado a ajuda da cigana Maleva (Maria Ouspenskaya), mas ela não sabe como curar a maldição dele. Porém, a cigana sugere que Talbot procure a ajuda do Dr. Frankenstein, um infame cientista, que talvez possa curar a condição dele. Ao chegar à aldeia onde Frankenstein vivia, Talbot descobre que o cientista morreu anos atrás e, ao revistar os destroços da mansão do médico em busca de suas anotações, desperta o Monstro de Frankenstein (Bela Lugosi), que havia sido posto em coma. Com a criatura à solta, pronta para espalhar o terror, Talbot deve deter o monstro que libertou, e o lobisomem pode ser a única forma de parar a criatura, mas também pode piorar a situação ainda mais.

Dirigido por Roy William Neil, a partir do roteiro de Curt Siodmak, Frankenstein Encontra o Lobisomem parece dois projetos em um. Seu terço inicial soa como uma sequência direta de O Lobisomem, que também foi escrito por Siodmak, possuindo a mesma atmosfera trágica e gótica que tornou o filme de 1941 tão atraente. O roteiro se esforça para dar continuidade ao drama de Talbot, que, devido à sua maldição, sequer tem o luxo de morrer. Lon Chaney Jr. defende bem o seu personagem, vendendo de forma crível o desespero do lobisomem, que, por boa parte do filme, está basicamente procurando uma forma de morrer, mas ainda dando ao protagonista um ar de homem comum que o torna relacionável. É nessa primeira metade que a direção encontra os seus melhores momentos, seja na construção do terror e suspense, vide a sequência de abertura que traz a tentativa de roubo na cripta e a ressurreição do Lobisomem, ou em passagens mais dramáticas, como aquela em que Maleva cruza o bosque em sua carroça com um Talbot inconsolável na parte de trás após o seu alter ego lupino fazer outra vítima. É interessante perceber também a evolução dos efeitos especiais, já que esse é o primeiro filme da série em que realmente vemos a transformação completa de homem em lobisomem, mediante um trabalho de fusão de imagens e maquiagem muito bem aplicado. De fato, muitos elementos clássicos do personagem, como o fato de ele se transformar especificamente em noites de lua cheia, foram apresentados neste filme, e não na produção original.

Mas, a partir do momento em que Talbot e a cigana chegam à aldeia de Frankenstein, o filme perde muito da atmosfera trágica e sinistra que havia construído. Naturalmente, o texto quer criar uma fusão dos temas das duas séries, trazendo da franquia Frankenstein temáticas como a obsessão e o trauma geracional. De fato, o roteiro de Siodmak até resgata personagens de O Fantasma de Frankenstein, como a agora Baronesa Elsa Frankenstein (Ilona Massey), ainda lidando com a morte do pai, mas o roteiro tem dificuldade de costurar os dois universos de forma satisfatória. O personagem do Dr. Manning (Patric Knowles), por exemplo, que persegue Talbot para levá-lo de volta ao sanatório de onde ele foge no começo do filme, é logo transformado de forma aleatória em um reflexo pálido dos cientistas da família Frankenstein vistos nos filmes solo da criatura. O encontro prometido pelo título só ocorre nos últimos cinco minutos, com a direção não conseguindo valorizar o seu evento principal. De fato, a própria participação do Monstro de Frankenstein, agora interpretado por Bela Lugosi, nunca transmite senso de drama ou de ameaça, tirando todo o apelo do personagem imortalizado por Boris Karloff na década de 1930.

Bela Lugosi, que ironicamente havia recusado o papel da criatura no Frankenstein de 1931, realmente não se encaixa no papel, optando por viver o monstro através de um trabalho de expressão corporal desengonçado que soa mais coreografado do que de fato vindo do personagem. Mas, para ser justo com o roteiro e com Lugosi, é importante frisar que a montagem fez uma série de cortes que jogou pela janela as intenções originais do texto para o personagem. A ideia original era se aproximar ainda mais dos eventos de O Fantasma de Frankenstein, que terminava com o corcunda Ygor, vivido por Lugosi, tendo o seu cérebro transportado para o corpo do monstro, mas tendo os seus sonhos de poder frustrados ao ficar cego devido a uma falha de transplante. O Monstro de Frankenstein desse filme deveria ser o mesmo vilão cruel, megalomaníaco e cego, que termina O Fantasma de Frankenstein. Entretanto, o público de sessões-teste achou o retrato do monstro risível, com alguns culpando a qualidade dos diálogos e outros o sotaque de Lugosi ao entregar essas falas. O fato é que a natureza do personagem foi mudada na marra durante a montagem, e isso é percebido no filme, prejudicando a maior parte do núcleo do monstro.

Frankenstein Encontra O Lobisomem é um filme falho em muitos aspectos, mas, apesar de seus tropeços, o longa-metragem comandado por Roy William Neil ainda é uma obra muito charmosa, e que, diferente de suas continuações, realmente está tentando nos contar uma história, mesmo que perca o controle da narrativa e sua aura gótica a partir de certo ponto. Mas o drama de Lawrence Talbot, sua busca para se livrar da maldição do lobisomem e encontrar paz, juntamente com a tentativa imperfeita de conciliar a mitologia de O Lobisomem com a narrativa construída nos quatro filmes da franquia Frankenstein, é interessante o bastante para nos manter investidos nesse primeiro crossover dos monstros da Universal.

Frankenstein Encontra o Lobisomem (Frankenstein Meets The Wolfman) – EUA,  1943
Direção: Roy William Neil
Roteiro: Curt Siodmak
Elenco: Lon Chaney Jr, Bela Lugosi, Ilona Massey, Patric Knowles, Lionel Atwill, Maria Ouspenskaya, Dennis Hoey, Don Barclay, Rex Evans, Dwight Frye, Harry Stubbs, Jeff Corey, Torben Meyer, Cosmo Sardo, Martha Vickers, Tom Stevenson
Duração: 74 Minutos

Bela LugosiCosmo SardoCurt SiodmakDennis HoeyDon BarclayDwight FryeFrankensteinHarry StubbsIlona MasseyJeff CoreyLionel AtwillLobisomemLon Chaney Jr.Maria OuspenskayaMartha VickersOutubro do TerrorOutubro do Terror 2026Patric KnowlesRex EvansRoy William NeilTom StevensonTorben Meyer

Fonte: Plano Critico.

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