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Cinema

Crítica | Massacre no Colégio

Slasher com bons momentos, mas ritmo muito irregular, um pecado para o subgênero. O post Crítica | Massacre no Colégio apareceu primeiro em Plano Crítico.

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O subgênero slasher se consolidou no cinema de horror ao estabelecer convenções narrativas que se tornaram pilares da cultura pop. Ao longo de sua trajetória, esse estilo refinou regras específicas, como a figura do assassino mascarado e o isolamento das vítimas, criando conexões profundas com o suspense psicológico e o gore. No entanto, o motor emocional que quase sempre impulsiona esses enredos é o desejo de vingança, um tema recorrente que justifica a brutalidade das ações do antagonista contra um grupo de jovens, algo presente desde as mortes situadas nas margens de Crystal Lake em Sexta-Feira 13. Essa estrutura narrativa atingiu seu ápice de popularidade durante os anos 1980, década considerada a era de ouro do estilo. Foi nesse período que as características fundamentais do slasher foram delineadas de forma definitiva, apresentando traumas do passado que retornam para assombrar o presente.

As produções oitocentistas focavam intensamente em datas comemorativas ou eventos sociais específicos, transformando momentos de celebração em cenários perfeitos para perseguições implacáveis e mortes criativas. Quase nenhuma data escapou: Halloween, Natal, Dia das Mães, Ano Novo, Dia dos Namorados, dentre outros. Dentro desse contexto, destaca-se a produção britânica Massacre no Colégio, lançada em 1985. O filme utiliza como pano de fundo o Dia da Mentira, explorando a temática de uma reunião de ex-alunos que se torna sangrenta. O enredo gira em torno de uma brincadeira cruel de colégio que deu errado no passado, servindo como o catalisador perfeito para o drama e a posterior retaliação que conduz a trama do início ao fim, em um slasher com alguns bons momentos, mas que, tal como muitos da época, peca por seu ritmo irregular em diversas passagens, arrastando aquilo que poderia ser mais intenso.

A narrativa é fruto de um “esforço criativo conjunto”, tendo sido escrita e dirigida por três realizadores: George Dugdale, Mark Ezra e Peter Mackenzie Litten. Pasmem! Três realizadores para apenas um filme. Essa colaboração tripla resultou em uma estética que equilibra o humor ácido com a violência gráfica exigida pelos fãs do subgênero na época. A direção foca na atmosfera de paranoia entre os antigos colegas de classe, que são sistematicamente eliminados em um ambiente repleto de armadilhas. É fundamental, contudo, que o espectador não confunda este filme com o título homônimo lançado no Brasil em 1976. Embora o filme anterior também possua segmentos conectados ao universo do slasher e se passe em um ambiente escolar, ele possui uma abordagem distinta. Dirigido por Rene Daalder e intitulado originalmente como Massacre at Central High, essa versão anterior foca mais no comentário social e no comportamento de grupo, apresentando um ritmo mais lento e cenas menos sangrentas.

Vamos ao filme em si. A trama se inicia de forma cruel com o jovem Marty sendo vítima de uma armadilha orquestrada pela bela Carol Manning. Atraído ao banheiro feminino, ele é surpreendido pelos seus agressores. O que deveria ser um momento de conquista se transforma em um pesadelo de humilhação pública. Toda a sequência é embalada pela trilha sonora de Harry Manfredini, que utiliza texturas percussivas semelhantes ao seu trabalho na franquia Sexta-Feira 13, refletindo o auge comercial do gênero slasher na época. Apesar da violência sofrida, o dia escolar prossegue de forma estranhamente comum devido à negligência institucional. Mesmo visivelmente abalado pelo acontecimento, o agredido é autorizado a frequentar o laboratório de ciências. A fotografia de Alan Pudney, embora pouco inventiva, consegue capturar a melancolia do ambiente, enquanto o design de produção de Geoff Sharpe prepara o terreno para a tragédia iminente, estabelecendo uma atmosfera sombria que permeia os corredores do colégio.

O horror que será combustível para vingança se consolida quando um incêndio devastador consome o laboratório. O desastre é resultado de uma combinação fatal: o descuido de Marty ao posicionar ácido nitroso em uma estante alta e a precariedade das normas de segurança da escola. A falta de equipamentos adequados para o combate às chamas revela uma irresponsabilidade coletiva por parte dos tutores, que permitiram que um aluno traumatizado manipulasse substâncias perigosas sem a devida supervisão. Como consequência da brincadeira inconsequente, Marty sofre ferimentos gravíssimos e termina a sequência com o rosto completamente desfigurado, sendo posteriormente encaminhado para uma instituição de tratamento mental para lidar com as sequelas físicas e psicológicas. Depois, temos uma sequência onírica que quebra o ritmo da narrativa, mas explica algumas coisas.

Descobrimos, por sua vez, que essa sequência inicial era, na verdade, um pesadelo vívido de Carol. No sonho, ela tentava se desculpar com Marty, apenas para ser atacada e enforcada por ele. Ao acordar, a realidade se mostra menos dramática no curto prazo: o tempo passa e os personagens seguem suas vidas rotineiras sem carregar grandes culpas ou remorsos pelos atos pecaminosos cometidos no passado, agindo como se as consequências de suas ações de meia década atrás tivessem desaparecido. Assim, após cinco anos desses eventos traumáticos, os antigos alunos decidem retornar ao colégio, que agora se encontra desativado e em ruínas. Movidos por uma mistura de nostalgia e indiferença, nenhum deles questiona a origem de um misterioso convite anônimo para essa reunião. Essa convenção narrativa exige a suspensão da descrença típica dos filmes slasher, permitindo que as vítimas se coloquem voluntariamente em uma situação de isolamento e vulnerabilidade absoluta diante do perigo que espreita.

O retorno ao cenário do crime configura o palco ideal para um ambicioso projeto de vingança. Sem suspeitarem de que estão sendo caçados, os ex-estudantes caminham diretamente para a armadilha preparada pelo sobrevivente do passado. Assim, o filme encerra seu prólogo e parte para a execução sangrenta, onde o design de produção de Sharpe sendo assertivo ao transformar o ambiente escolar em um labirinto de morte, punindo aqueles que acreditaram que o passado poderia ser simplesmente esquecido. No final, Massacre no Colégio  não permanece como um exemplar emblemático do terror oitocentista, mas é uma produção que representa a maturação das regras do subgênero, já se aproximando do que historicamente defino como Slasher Tardio. Enquanto o filme de 1976 oferece uma visão mais sóbria e sociológica, a versão britânica de 1985 segue a onda do excesso e da vingança direta, nos divertindo com seu assassino mascarado que parece uma figura de peça de baralho, ou então, um personagem circense macabro que, mesmo sendo engraçado, também é bizarro e assustador.

Massacre no Colégio (Slaughter High, Estados Unidos– 1985)
Direção: George Dugdale, Mark Ezra, Peter Mackenzie Litten
Roteiro: George Dugdale, Mark Ezra, Peter Mackenzie Litten
Elenco: Caroline Munro, Simon Scuddamore, Carmine Iannaccone, Donna Yeager, Michael Safran, John Segal, Gary Martin
Duração: 87 minutos

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Fonte: Plano Critico.

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