Pular para o conteúdo
DóLAR R$ 5,40 ▲ 0,52% EURO R$ 6,02 ▲ 0,73% BITCOIN — SEXTA-FEIRA, 30/10/2026 00:36
Cinema

Plano Indica | Com Grandes Poderes Vêm Grandes Responsabilidades

A 10ª edição da nossa coluna mensal de indicações! O post Plano Indica | Com Grandes Poderes Vêm Grandes Responsabilidades apareceu primeiro em Plano Crítico.

22

Outubro é um mês notável. É o mês de um filme importante do Eisenstein. É o mês que faz a ponte para o proverbial “final do ano”. E, em muitos lugares, o mês de eleições,  que, no Brasil de 2026, protagonizou algo inédito e histórico em muitas medidas. Nossas indicações outubristas brincam com fuga e permanência dessa tensão. E lembrem-se: quadrinhos, como qualquer arte, podem ser apenas entretenimento fofinho e emocionante, quanto manifestos políticos densos e profundamente filosóficos e reflexivos. Tem histórias e abordagens para todos os gostos. Não precisa se jogar no chão e ficar chorando em posição fetal.

.

Acho que faz dois meses que este rascunho sobre os “meus quadrinhos favoritos” está guardado no painel do site. E só agora é que ele ganha vida, porque eu quis ficar na mesma seara que meu coleguinha de sala. A propósito, essa minha lista teria apenas uma “versão definitiva“, mas, como Ritter fez a tal “parte 1 de 2“, eu fiquei pensando no próximo mês, na minha preguiça fatal e constante e na facilidade de montar uma nova lista complementar e, então, decidi também botar a marca de continuidade, copiando a estratégia do ancião dos anciões, que de vez em quando faz algo que presta. É aquela velha teoria do relógio quebrado, hehehe!

1. O Incal (L’Incal)

França, 1981 – 2014

Essa saga me deixou ainda mais apaixonado pela loucura mística do titio Jodô, que eu já conhecia bem por ter visto a filmografia completa dele (curta, mas excelente!) alguns anos antes. É uma leitura longa — porque quando denomino “A Saga do Incal“, estou me referindo aos seis volumes da série principal e às três adições que o autor fez a ela posteriormente. É uma viagem pela mente e pela alma da existência humana em uma fantasia quase espiritual, inteiramente cósmica e reflexiva, envolvendo poder, exploração e revolução. Ao terminar essa jornada, definitivamente você é outra pessoa! Para quem quiser a ordem de leitura, aí vai:

  • Série Principal: O Incal Negro (L’Incal Noir, 1981); O Incal Luminoso (L’Incal Lumière, 1982); O Que Está Embaixo (Ce qui est en bas, 1983); O Que Está em Cima (Ce qui est en haut, 1985); A Quitessência: A Galáxia Que Sonha (La cinquième essence – Galaxie qui Songe, 1988); A Quintessência: Planeta Difool (La cinquième essence – La planète Difool, 1988).
  • Pré-sequência: Antes do Incal (Avant l’Incal, 1988 – 1995, série em seis edições, na seguinte ordem: Adeus ao Pai, Detetive Particular Classe “R”, Croot, Anarquistas Psicóticos, Vhisky, SPV e Homeo-Prostitutas e O Beco do Suicídio. A crítica indicada aqui analisa a saga completa).
  • Sequências: Depois do Incal: O Novo Sonho (Après l’Incal: Le Nouveau rêve, 2000); Incal Final (Final Incal, 2014, série em três edições, na seguinte ordem: Os Quatro John Difool, Luz de Garra e Gorgo, o Pútrido. A crítica indicada aqui analisa a saga completa).

.

2. A Saga do Monstro do Pântano por Alan Moore (The Saga of the Swamp Thing)

EUA, 1984 – 1987

Eis aqui o tipo de história que mostra o quanto quadrinhos de super-heróis podem alcançar níveis acadêmicos de qualidade e, ainda assim, manterem-se divertidos e atrativos para o grande público. O que Alan Moore fez com o Monstro do Pântano nos arcos que escreveu foi algo tão inovador que até hoje é estudado como um caso único na história dos quadrinhos, elevando um personagem “B”, prestes a ser cancelado, para um sucesso de vendas e para uma sequência de histórias que costura terror, fantasia, botânica e ficção científica, mais o bônus de zilhões de referências à história das HQs (e seus personagens). Definitivamente, uma leitura obrigatória para todo mundo que quer mesmo entender da 9ª Arte. Para quem quiser a ordem de leitura, aí vai:

  • Monstro do Pântano #20 a 27: A Saga (1984)
  • Monstro do Pântano #28 a 34 + Anual #2: Amor e Morte (1984 – 1985)
  • Monstro do Pântano #35 a 42: A Maldição (1985)
  • Monstro do Pântano #43 a 50: O Assassinato dos Corvos (1986)
  • Monstro do Pântano #51 a 56: De Terra a Terra (1986 – 1987)
  • Monstro do Pântano #57 a 64: Reunião (1987)

.

3. A Arte de Charlie Chan Hock Chye (The Art of Charlie Chan Hock Chye)

Singapura, 2015

Tudo, nesse quadrinho, é impressionante. A premissa chama a atenção de qualquer leitor que se interessa minimamente por história. Imaginem uma jornada de décadas pela vida do pai, do maior, do mais icônico e reconhecido artista dos quadrinhos de um país. Imaginem essa vida sendo narrada a partir dos acontecimentos políticos (greves, movimento estudantil, revoluções, socialismo, ditaduras, repressão, prisões, censura e mortes) e de como esse artista sobreviveu a tudo isso, moldando a sua arte e renovando forma e conteúdo a cada necessidade externa. Sonny Liew cria aqui um projeto que é visual e  narrativamente completo e complexo, fazendo referências estéticas a dezenas de mestres da 9ª arte e trazendo-nos uma reviravolta que nenhum leitor jamais se esquecerá. Esta é uma das obras que eu adoraria me esquecer de ter lido, só para ter a emoção de poder experimentá-la novamente pela “primeira vez”.

.

4. Júlia Kendall: Aventuras de uma Criminóloga (Le avventure di una Criminologa)

Itália, 1998 – presente

Praticamente quatro títulos da Sergio Bonelli Editore (quem disser que eu sou fanboy vai ficar de castigo!) brigam para constar no meu TOP 10 de quadrinhos da vida, e Júlia sempre consegue o seu lugar de honra, porque é, sem dúvida, uma das melhores publicações da editora. Junto da ficção científica, o suspense investigativo e/ou policial está entre as tramas que eu mais gosto de acompanhar, e aqui nós temos, nos quadrinhos, uma protagonista criada justamente com base em teorias sociológicas e psicológicas aliadas a processos investigativos, lidando com horrores do dia a dia na sua cidade de Garden City. Na Bonelli, Nick Raider também se enquadra nesse tipo de abordagem, mas Júlia é, sem dúvidas, um título muito superior. Para quem gosta do gênero e de roteiros densos e muitíssimo bem escritos sobre crimes e jogos de “gato e rato” terá aqui um prato cheio!

.

5. Valérian e Laureline (Valérian et Laureline)

França, 1967 – 2010

Muitos de vocês sabem que ficção científica é um dos meus gêneros favoritos — em qualquer mídia — e, nos quadrinhos, o trabalho absurdo de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières faz os meus olhos brilharem de alegria. Focados em exploração de mundos e profundamente alinhados a uma abordagem socialmente crítica das possíveis culturas a serem encontradas no Universo, os autores mostram as inúmeras possibilidades de relações interplanetárias entre pessoas, etnias, povos e formas de vida, algo que o filme de Luc Besson (Valerian e a Cidade dos Mil Planetas), apesar de não ter conseguido capturar muito bem na história geral, conseguiu exemplificar de modo absolutamente perfeito na emocionante cena de abertura, que compartilho abaixo. Esta série é um momento de conforto para mim; cada aventura é a possibilidade de conhecer um planeta diferente, um conflito diferente e tomar um soco de realidade diferente.

.

Outro dia esbarrei em uma HQ do Tio Patinhas que eu adorava e lia dezenas de vezes quando criança, e tive a ideia de fazer uma lista para o Plano Indica sobre os “quadrinhos que formaram meu gosto por quadrinhos”. Não é exatamente uma lista dos meus quadrinhos favoritos da vida, ainda que eles sem dúvida estejam nessa vizinhança, mas sim uma lista em que eu aponto e explico o porquê de determinada história ter sido tão importante para mim em tenra idade, ainda que por vezes não tão tenra assim. Vamos lá então à lista (a primeira de duas) que, vale dizer, não segue ordem alguma:

1. O Trenzinho da Alegria (A Christmas for Shacktown)

Essa é a história do Tio Patinhas que serviu de pontapé para essa lista. Nela, enquanto Donald e seus sobrinhos tentam arrecadar dinheiro para ajudar o bairro mais pobre de Patópolis, a fortuna do pato mais sovina e quaquilionário do mundo desaparece de sua Caixa Forte em razão de um sistema de cavernas que engole tudo. Eu lia tanto essa história específica contida no Almanaque Disney #103, publicado em dezembro de 1979, que eu destruí a revista em pouco tempo.

2. A Noite em que Gwen Stacy Morreu (The Night Gwen Stacy Died)

Essa história do Homem-Aranha serviu para me traumatizar profundamente e para me fisgar de vez para dentro dos quadrinhos Marvel. Eu ainda era pequeno para perceber os detalhes de tudo, mas eu não só adorava a loira Gwen Stacy – a ponto de implicar com Mary Jane por muitos anos depois – como eu demorei a aceitar a crueldade de Gerry Conway ao fazer com que a tentativa de resgate dela pelo Aranha tenha sido a causa direta da morte. Fico indignado até hoje com essa história, na mesma proporção que eu fico admirado com a coragem e maturidade dela.

3. Rebelião Cósmica (The Quest)

Poucos reconhecerão pelo título, mas essa é a versão nacional da primeira história do título mensal de Dreadstar, iniciada nos EUA em 1982 e publicada por aqui em 1985. Quando peguei a primeira edição de Epic Marvel da Editora Abril e dei de cara com Dreadstar e sua equipe, um mundo fora daquele básico formado por super-heróis abriu-se para mim e eu descobri que havia muito mais para ler do que apenas Homem-Aranha e Superman.

4. A Volta de um Rei (The Past and Future King!)

Originalmente publicada por aqui dentro da HQ do Batman em 1984, Camelot 3000 foi a HQ que me fez sentir adulto lendo quadrinhos, mas por razões que só muito depois eu conseguiria destrinchar. Talvez nem mesmo a indústria de quadrinhos soubesse, àquela época, o que Camelot 3000 representaria para ela, algo claro somente em retrospecto. No meu caso, foi a premissa do Rei Arthur retornando para salvar o mundo de uma invasão alienígena que me fisgou, mas foi a ousadia e a modernidade de Mike W. Barr e Brian Bolland na reimaginação completa do mito que me deixaram fascinado e de queixo caído para sempre, algo renovado a cada vez que releio esse épico.

5. A Chegada! (Arrival!)/ A Volta! (Second Coming!)

Um dos primeiros brinquedos a ganhar quadrinhos mensais como estratégia de marketing, a publicação de ROM – O Cavaleiro Espacial no Brasil, em 1982, no Almanaque Premiere Marvel #1 com duas histórias dele, uma do Monarca das Estrelas e um “O que Aconteceria Se…” do Nova, despertou em mim um mal eterno: o colecionismo de quadrinhos. Mas não o colecionismo dos formatinhos nacionais da época, mas sim das edições originais, que eu garimpava esperançoso na mega banca de jornais próxima de onde morava, que trazia HQs importadas de maneira completamente aleatória. O que posso dizer, porém, é que muito tempo depois, já burro velho, eu acabei conseguindo completar essa coleção e eu a tenho até hoje devidamente guardada em minha Caixa Forte.

E é isso, meus caros. Mês que vem tem a Parte 2 da lista. Agora é vez de vocês dizerem que quadrinhos formaram seu gosto por quadrinhos!

HomePlano Indica

Fonte: Plano Critico.

Compartilhe esta matéria:
Portal Inhaí

Portal Inhaí

Confira as notícias e colunas publicadas por Portal Inhaí no Portal Inhaí.