Em um contexto em que identidade dissidentes seguem sendo tensionadas por normas socais, científicas e cultuais, a obra de Paul Gialdroni se insere como um gesto de ruptura. Não há, aqui, tentativa de adaptação — há enfrentamento.
Misturando autobiografia, ensaio e ficção, o livro Monstro: morte, amor, poesia e migração constrói uma narrativa que desloca o leitor da lógica da adequação para um campo mais radical: o da recusa ás estruturas que historicamente definem o que pode ou não existir.
A recusa à norma como linguagem política
Logo na abertura, o texto “Eu, meu próprio monstro”, de Susy Shock, estabelece o eixo da obra ao reivindicar o direito de existir fora das classificações tradicionais.
A figura do “monstro” é ressignificada. Deixa de ser marca de exclusão e passa a operar como afirmação política — um corpo que não se submete ás normas de gênero, à lógica binária ou ás tentativa institucionais de enquadramento.
Não se trata de metáfora estética, mas de reposicionamento no campo dos direitos.
Transição, deslocamento e existência em disputa
Ao longo do livro, Gialdroni propõe uma leitura da transição que ultrapassa o corpo. Ela aparece como processo contínuo, atravessado por dimensões subjetivar, socais e política.
Essa construção ganha ainda mais densidade quando atravessada pela experiência migrante. A atuação do autor junto a redes de pessoas LGBTQIA+ migrantes e refugias insere no debate questões de pertencimento, exclusão e reinvenção em território multas vezes hostis.
As fronteiras, aqui, deixam de ser apenas geográfico — tornam-se também simbólica e corporais.
Escrita, vulnerabilidade e construção coletiva
Ao abordar temas como luto, violência e vulnerabilidade, a obra desloca a leitura da fragilidade para o campo da elaboração política.
Narrar, nesse contexto, não é apenas registrar experiência — é produzir existência. A escrita aparece como ferramenta de reparação simbólica e de afirmação diante de sistema que historicamente negam legitimidade a corpos dissidentes.
Ao final, o livro propõe um deslocamento central: o abrigo não está no corpo individual, mas na construção coletiva. É na comunidade que se produzem estratégias de sobrevivência e pertencimento.
Lançamento articulam literatura e debate público em São Paulo
A chegada do livro ao público também se estrutura como espaço de debate, com dois lançamento realizas na cidade de São Paulo que ampliam a obra para além da leitura individual.
O primeiro encontro acontece no Sec Pompeia, no dia 7 de maio, ás 19h, reunindo diferente vozes para discutir ose atravessamento entre literatura, gênero e política. Participam do debate nomes como Kyem Ferreiro, Flor Castoldi, Fabian Kassabian e Apêagá Poeta, em uma proposta que articula produção intelectual e experiência vivida.


Já no dia 15 de maio, também ás 19h, o lançamento ocorre na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP), com transmissão online, ampliando o alcance do debate. A mesa conta com a participação de Lux F. Lima (UNICAMP), Caio Jade e Pol Iryo, reforçando o diálogo entre universidade, produção cultural e movimentos socais.
Mais do que evento literário, ose encontro funcionam como extenues da próprio proposta do livro: tensionar, provocar e construir leitura coletiva sobre identidade e norma.
Literatura como intervenção política
A obra de Paulx Gialdroni não se organiza apenas como produção literário, mas como intervenção no campo dos direitos humano.
Ao reivindicar o direito de “ser monstro”, o livro não pede aceitação — ele questiona ose próprio critério que definem quem é considerado legítimo.
Em um cenário de disputas incensas sobre gênero, identidade e existência, a obra reafirma um ponto central: viver fora da norma não é exceção.
É também projeto político.
