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Estado de SP Ghe Santos Inhaí LGBT+

São Paulo lança Cartilha para qualificar o atendimento ao Turista LGBTQIA+; veja como acessar

Publicação da Secretaria de Turismo e Viagens reúne orientações para hotéis, restaurantes, atrativos turísticos e gestores públicos. Mapeamento estadual aponta que 30 dos 72 municípios consultados já desenvolvem atividades relacionadas ao Turismo LGBT+.

Receber bem também é uma questão de direitos. Para quem viaja, o atendimento respeitoso, o reconhecimento da identidade de gênero e a possibilidade de circular sem constrangimentos fazem parte da experiência turística. É nesse contexto que a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) lançou a Cartilha de Boas Práticas para Bem Receber o Turista LGBT+ e o Mapeamento do Desenvolvimento do Turismo LGBT+ no Estado de São Paulo.

Os materiais buscam orientar municípios e empreendimentos turísticos, contribuir para a qualificação dos profissionais do setor e apoiar a formulação de políticas públicas voltadas à inclusão e ao acolhimento de viajantes LGBTQIA+.

A cartilha está disponível gratuitamente na plataforma oficial de turismo do Governo de São Paulo: acesse e baixe o material.

O QUE O MAPEAMENTO REVELOU

O levantamento estadual reuniu informações de 72 municípios paulistas. Desse total, 30 (41,7%) informaram desenvolver alguma atividade relacionada ao Turismo LGBT+. Outros 16 (22,2%) declararam estar planejando iniciativas para o segmento.

Somados, os dois grupos representam 46 municípios, equivalentes a 63,9% dos participantes da pesquisa.

Por outro lado, 26 municípios (36,1%) não apresentaram atividades identificadas no levantamento. Dentro desse grupo, 24 manifestaram interesse em desenvolver o segmento no presente ou no futuro.

Considerando os 72 municípios consultados, 69 (95,8%) demonstraram interesse em participar de futuras capacitações, encontros ou projetos relacionados ao Turismo LGBT+.

Os dados indicam que o tema já integra iniciativas de parte dos municípios paulistas, mas também apontam a necessidade de ampliar a formação profissional, a articulação institucional e a implementação de ações permanentes.

PARADAS, CULTURA E POLÍTICAS PÚBLICAS

Entre as atividades identificadas estão Paradas do Orgulho LGBTI+, semanas e meses da diversidade, campanhas de enfrentamento à LGBTfobia, capacitações, conferências, atividades culturais e iniciativas de acolhimento.

O levantamento também registra experiências em destinos como Santos, Praia Grande, São Sebastião, Campinas e Araraquara, com diferentes ações institucionais, culturais e de promoção da diversidade.

Essas iniciativas mostram que o Turismo LGBT+ não se limita à vida noturna ou aos eventos do Orgulho. A experiência de quem viaja também envolve hospedagem, gastronomia, equipamentos culturais, espaços de lazer, transporte e atendimento nos serviços públicos e privados.

Para que um destino seja efetivamente acolhedor, não basta divulgar uma programação voltada à diversidade. É necessário garantir que o respeito esteja presente na rotina dos estabelecimentos e na relação entre visitantes, trabalhadores e comunidade local.

O QUE A CARTILHA ORIENTA

A publicação apresenta recomendações práticas para profissionais do turismo, empreendedores e gestores públicos. Entre os temas abordados estão:

  • Respeito ao nome social, aos pronomes e à identidade de gênero;
  • Atendimento sem discriminação, constrangimentos ou perguntas invasivas;
  • Comunicação inclusiva em materiais de divulgação e nos serviços;
  • Qualificação de trabalhadores de hotéis, bares, restaurantes e atrativos turísticos;
  • Articulação entre turismo, cultura, direitos humanos, segurança e desenvolvimento econômico;
  • Diálogo com a população LGBTQIA+ e participação de conselhos e organizações da sociedade civil;
  • Checklist para avaliar e aprimorar políticas municipais de diversidade.

Um dos exemplos apresentados envolve os meios de hospedagem: se um casal do mesmo sexo reserva um quarto com cama de casal, o atendimento deve respeitar a escolha registrada, sem questionamentos constrangedores ou ofertas de alteração motivadas pela composição do casal.

A orientação parece simples, mas toca em uma questão concreta: a discriminação também pode acontecer em situações cotidianas, quando profissionais tratam casais LGBTQIA+ de maneira diferente ou submetem sua presença a questionamentos que não seriam feitos a outros hóspedes.

TURISMO LGBT+ E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

A publicação também aborda a relevância econômica desse público. Segundo dados atribuídos à Pesquisa de Perfil e Comportamento do Consumo e do Turismo da População LGBTQIA+ do Brasil, realizada pelo IEMI – Inteligência de Mercado, os gastos da população LGBTQIA+ com viagens esporádicas de lazer chegaram a aproximadamente R$ 33,4 bilhões em 2025.

O material divulgado também estima em cerca de R$ 911 bilhões o consumo total dessa população em diferentes bens e serviços no mesmo ano. Esse valor não corresponde apenas ao turismo: trata-se de uma estimativa mais ampla de consumo.

Os números ajudam a dimensionar a presença desse público na economia, mas o desenvolvimento do segmento não deve ser medido apenas pelo volume de gastos. A qualidade do atendimento, a segurança, o respeito à diversidade e a participação da população LGBTQIA+ nas decisões também precisam integrar as estratégias dos destinos.

ACOLHIMENTO PRECISA SAIR DO PAPEL

A cartilha oferece referências para municípios e empresas que desejam aprimorar seus serviços. Seu alcance, porém, depende da aplicação das orientações, da formação continuada dos profissionais e da existência de mecanismos para prevenir e enfrentar situações de discriminação.

O desafio é transformar recomendações em práticas verificáveis: equipes preparadas, protocolos de atendimento, comunicação respeitosa, canais de denúncia e participação social na construção das políticas públicas.

Para a população LGBTQIA+, viajar com dignidade significa poder conhecer novos lugares sem que a própria identidade se transforme em motivo de constrangimento. Para os destinos paulistas, construir essa condição envolve reconhecer que diversidade, direitos e desenvolvimento turístico podem caminhar juntos.

SERVIÇO

  • Publicações: Mapeamento do Desenvolvimento do Turismo LGBT+ no Estado de São Paulo e Cartilha de Boas Práticas para Bem Receber o Turista LGBT+.
  • Órgão responsável: Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP).
  • Acesso: plataforma oficial de turismo do Governo de São Paulo.

Fonte dos dados municipais e das orientações: informações fornecidas sobre as publicações da Setur-SP. Os números econômicos são atribuídos à pesquisa do IEMI citada no material original.

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Ghe Santos

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