PSOL enfrenta ofensiva na ALESP: pedidos de cassação miram mandatos coletivos de mulheres negras

Ghe Santos
7 Min Read

Os mandatos coletivos do PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo, especialmente o Movimento Pretas do PSOL, representado pela deputada Mônica Seixas, e a Bancada Feminista, cuja titular é a deputada Paula Nunes, seguem no centro de uma série de representações por quebra de decoro parlamentar. As investidas, apresentadas majoritariamente por parlamentares do PL e de grupos alinhados à extrema direita, reacendem o debate sobre violência política de gênero e raça no Legislativo paulista.

Dois pedidos contra o Movimento Pretas do PSOL e a deputada Mônica Seixas

A deputada Mônica Seixas é, atualmente, o principal alvo das ofensivas. Seu mandato coletivo, o Movimento Pretas do PSOL, composto por mulheres negras, LGBTQIA+, candomblecistas e ativistas de movimentos sociais, acumula pelo menos duas representações desde 2023.

O caso de maior repercussão envolve o chamado “episódio Token”. Durante uma audiência pública em 2023, a então Secretária Estadual de Políticas para as Mulheres, Sayonara Fernandes (PL), acusou a deputada de proferir um “ataque racial” ao se referir a ela como “Token”. A representação, assinada coletivamente por integrantes do PL e parlamentares de extrema direita, foi aceita pelo Conselho de Ética, que abriu procedimento e mantém o processo em andamento.

Outro pedido, também dirigido ao Movimento Pretas do PSOL, foi apresentado entre 2023 e 2024. As acusações eram genéricas e voltadas exclusivamente ao nome de Mônica Seixas, embora se referissem ao mandato coletivo. Organizações da sociedade civil classificaram a iniciativa como um episódio de retaliação política. A representação, novamente articulada por setores bolsonaristas, não teve um autor individual identificado — uma prática que, segundo analistas, busca evitar desgaste público para os parlamentares envolvidos.

Bancada Feminista também é alvo em 2025

Em 2025, a deputada Paula Nunes, representante institucional da Bancada Feminista, tornou-se alvo de uma nova representação por quebra de decoro. A medida foi apresentada por parlamentares do PL e aliados da oposição de direita, em meio a uma escalada de embates entre a bancada conservadora e o mandato coletivo.

Assim como o Movimento Pretas do PSOL, a Bancada Feminista é composta por mulheres negras, jovens, ativistas feministas e com participação de integrantes LGBTQIA+. Para especialistas, a continuidade de pedidos contra mandatos com esse perfil reforça a intersecção entre machismo, racismo e intolerância religiosa que tem marcado a dinâmica política da Alesp.

Pontos em comum: gênero, raça, composição coletiva e motivação política

Apesar das diferenças entre os casos, há elementos que aproximam as representações:

  • Os alvos são exclusivamente mandatos coletivos do PSOL, modelo que rompe com a lógica tradicional de representação legislativa.
  • Ambos são liderados por mulheres e compostos por equipes com forte presença de mulheres negras, LGBTQIA+, periféricas e de religiões afro-brasileiras.
  • As representações são apresentadas por parlamentares do PL e grupos bolsonaristas, indicando alinhamento ideológico entre os autores.
  • Nenhum dos processos possui um autor individual proeminente, surgindo de forma coletiva ou sem protagonismo declarado.
  • Nos dois casos, análises apontam violência política de gênero e raça, especialmente contra mandatos feministas e de mulheres negras.

Intensificação do clima político na Alesp

As representações contra Mônica Seixas e Paula Nunes ocorrem em um ambiente legislativo de crescente polarização. Parlamentares da esquerda afirmam que os pedidos têm caráter persecutório, voltados a enfraquecer mandatos que defendem agendas antirracistas, feministas e pró-direitos LGBTQIA+. Já setores da direita alegam que se trata de medidas regulares de controle ético.

A continuidade das representações, somada à ausência de consenso político sobre seus fundamentos, sugere que a disputa sobre a legitimidade dos mandatos coletivos — e sobre quem pode ocupar espaços de poder — deve permanecer no centro do debate legislativo nos próximos meses.

Sessão do Conselho de Ética marcada para 2 de dezembro terá análise dos pedidos

Apesar da ausência de divulgação pública detalhada na agenda da Alesp, ambos os mandatos — Movimento Pretas do PSOL e Bancada Feminista — confirmaram que o Conselho de Ética pautou para a terça-feira, 2 de dezembro de 2025, a análise das representações apresentadas contra as deputadas Mônica Seixas e Paula Nunes. A reunião deve avaliar o andamento dos processos e pode definir novos encaminhamentos, como diligências, oitivas ou admissibilidade ampliada das denúncias. A confirmação reforça a expectativa de que a sessão terá peso político significativo, já que reúne três pedidos simultâneos envolvendo mandatos coletivos liderados por mulheres negras e feministas, em meio ao agravamento das tensões dentro da Assembleia Legislativa.

Campanhas de apoio aos mandatos coletivos do PSOL

Em resposta às representações, o Movimento Pretas lançou o abaixo-assinado “Monica Seixas FICA!” e a Bancada Feminista ativou a campanha “Bancada Feminista FICA!” — ambos com formulários online para coleta de assinaturas e ampla divulgação nas redes das coletivas.

Movimento Pretas do PSOL — “Monica Seixas FICA!”

A campanha criada pelo mandato coletivo reúne assinaturas em defesa da deputada Mônica Seixas, alvo de representações por quebra de decoro.
Abaixo-assinado oficial:
pretas.org/monica-seixas-fica

Bancada Feminista — “Bancada Feminista FICA!”

A iniciativa busca apoio público à permanência da deputada Paula Nunes e do mandato coletivo frente ao processo aberto no Conselho de Ética.
Abaixo-assinado oficial:
bancadafeministapsol.com.br/bancadafeministafica


Este conteúdo reflete exclusivamente a opinião do colunista, não representando necessariamente o posicionamento do Portal Inhaí.
Pedidos de correção e ou direito de resposta podem ser feitos pelo e-mail: fale@inhai.com.br

Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *