Mães solo sustentam milhões de lares no Brasil, mas seguem entre as mais precarizadas no mercado de trabalho

Portal Inhaí
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No Dia da Familia, trazemos a historia da pesquisadora Mariene Ramos, quem cresceu cercada por mães solo no entorno de Brasília. Filha de pais que não concluíram o ensino fundamental, ela viu de perto a rotina de mulheres que criavam filhos praticamente sozinhas, muitas trabalhando como domésticas ou sustentando a casa sem apoio dos companheiros. Anos depois, já formada em gestão pública e jornalismo, Mariene se tornou ela mesma uma mãe solo e decidiu transformar essa experiência em pesquisa.

Em seu mestrado no Ipea, ela analisou a realidade das mães solo no Brasil a partir de dados da Pnad Contínua de 2022. O estudo mostra que o país possui mais de 10,9 milhões de mães solo responsáveis por domicílios, em um momento em que as mulheres passaram a chefiar 52% dos lares brasileiros. Nos lares monoparentais, onde apenas um adulto vive com os filhos, a chefia feminina chega a 92%.

A pesquisa revela desigualdades profundas. As mães solo têm o menor rendimento médio entre os arranjos familiares: R$ 2.322, quase 40% abaixo dos pais com cônjuge, que recebem em média R$ 3.869. Também enfrentam maior precarização do trabalho, menor taxa de ocupação e baixa cobertura previdenciária. Apenas 28,3% contribuem para a previdência.

Mariene aponta ainda que muitas dessas mulheres estão concentradas em setores historicamente desvalorizados, como o trabalho doméstico. Além disso, 62% das mães solo são negras e mais de 33% vivem com idosos, acumulando múltiplas jornadas de cuidado.

Para a pesquisadora, ampliar creches em tempo integral e investir em qualificação profissional são medidas urgentes. “Não se trata mais de um grupo marginal, mas de uma transformação estrutural do país”, afirma.

Material original: Thais Carrança / BBC Brasil



Por Midia Ninja

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