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Cinema

Crítica | Dexter: ressurreição – 2X01 e 02: Negócio Arriscado / Caído

Dexter renovado. O post Crítica | Dexter: Ressurreição – 2X01 e 02: Negócio Arriscado / Caído apareceu primeiro em Plano Crítico.

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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as demais críticas do universo Dexter.

Acabei me enrolando e não consegui fazer a crítica de Negócio Arriscado na semana certa, pelo que decidi esperar o segundo episódio ir ao ar para fazer as críticas dos dois. Mas, a partir da semana que vem, tudo será normalizado. Aqui vão meus comentários de cada um dos dois primeiros episódios da segunda temporada de Dexter: Ressurreição separadamente:

2X01
Negócio Arriscado

Com um belo, mas agridoce começo do tipo “o que aconteceria se…” em que vemos Dexter (Michael C. Hall) e Ángel (David Zayas) formando uma dupla exterminadora de assassinos, a realidade bate forte e somos informados de que três anos se passaram desde a primeira temporada da série, com Dexter tendo continuado a caçada aos serial killers do macabro clube de Leo Prater e Harrison (Jack Alcott) prestes a graduar-se a a fazer parte da força policial de Nova York. E esse é o maior mérito do começo deste segundo ano de Dexter: Ressurreição, ou seja, ele ser a continuação direta da primeira temporada, com os detetives Claudette Wallace (Kadia Saraf) e Melvin Oliva (Dominic Fumusa) sendo reapresentados como peças importantes da história, inclusive também seguindo as pistas do cofre de Prater e recrudescendo as investigações já vintenárias a Don Framt, ao que tudo indica o Estripador de Nova York vivido maravilhosamente bem por um Brian Cox debochado e seguro de si.

Inafastavelmente, porém, Negócio Arriscado é o bom e velho “episódio de começo de temporada” que tem como funções principais relembrar o espectador do acontecido e apresentar o novo status quo, algo que é mais profundamente explorado com a caçada de Dexter a Al Walker, o Rapunzel (Eric Stonestreet novamente divertindo-se no papel), que nos mostra – não pela primeira vez, vale dizer, ainda que os diálogos com Harry Morgan (James Remar) dê a entender o contrário – o serial killer de criminosos afobado e excitado, saindo de sua zona de conforto. O embate entre Dexter e Rapunzel, muito sinceramente, pareceu-me corrido demais e, pior, simples demais, mesmo que o resultado final, com a morte por enforcamento e Dexter deixando o corpo à mostra, tenha sido refrescante. E tudo isso serve para introduzir o mote da temporada, que é a chegada da crise da meia idade de Dexter, com ele querendo, pela primeira vez, receber as láureas pelo que faz, algo que, lógico, tem tudo para dar muito errado se ele seguir esse caminho.

O retorno e o fim de Rapunzel solidificam o caráter de continuação direta da temporada anterior, já que, agora, para todos os efeitos, Dexter é um serial killer que não caça qualquer tipo de criminosos, mas sim outros serial killers, uma “especialização” que troca o que poderia haver de naturalidade narrativa para um universo dexteriano em que tudo ao seu redor gira em função de assassinos em série. E isso é reiterado não só pelo desejo de Dexter de caçar os demais membros do clube de Prater, como também pela investigação sobre Framt e, como se isso já não fosse suficiente, a introdução de um serial killer novinho em folha (ok, ok, ele ainda não é tecnicamente um serial killer), o autodenominado Assassino dos Cinco Distritos vivido por Dan Stevens, outra escalação nova inspirada. Confesso que eu não amo essa constelação de serial killers, com todas as linhas narrativas entremeando-se nela e partindo dela, mas como uma temporada que parece vir para continuar e, presumo, acabar com a história macro de Leo Prater.

A entrada efetiva de Joey Quinn (Desmond Harrington) na série procurando os detetives que investigaram Dexter e Harrison, apesar de esperado, tem aparência e cheiro de figurinha repetida, de substituto de um Ángel que, como mencionei em minha crítica de Tocado por um Anjo, não precisava ter morrido se Clyde Phillips tivesse elevado o nível de sua obra. Espero muito que o personagem seja bem utilizado aqui e que não tenha o fim pré-estabelecido para todos os que acabam descobrindo quem Dexter realmente é. Mas, claro, ainda é muito cedo para bater o martelo sobre Quinn. O que realmente importa, pelo momento, é que o começo do segundo ano da série, apesar de não ter sido fabuloso, pavimentou eficientemente o que poderá vir por aí.

2X02
Caído

O nome de Uma Thurman apareceu nos créditos do primeiro episódio, mas Charley Brown, a ex-mão direita de Leo Prater, só dá as caras em Caído, solidificando a continuidade direta entre as temporadas. E é Charley que parece ajudar ainda mais a apresentar um novo status quo para Dexter, com ele, mesmo relutantemente e somente depois de muita insistência de seu “pai”, aceitando fazer uma parceria – anunciada no sonho de Dexter no começo do episódio anterior – para liquidar com os serial killers faltantes do clube de Prater, começando pelo Estranho de Olhos Sonolentos vivido por Diego Luna. Clyde Phillips, portanto, não tem mais desculpas para subutilizar a atriz como fez na primeira temporada, pois, com esse dueto mortal, ela tem tudo para ser tão relevante para a história quanto o próprio Dexter, ou quase.

No entanto, isso não será uma tarefa muito fácil, pois se tem uma coisa que não falta em Dexter: Ressurreição é personagem. Além de todos os assassinos que gravitam ao redor de Dexter – precisava mesmo que a segunda morte infligida pelo Assassino dos Cinco Distritos acontecesse do lado dele??? – temos Harrison e sua relação amorosa com quem, sem surpresa alguma, torna-se sua chefe direta no dia seguinte em que ele transa e todo o mistério de quem o alçou à cobiçada, mas competitiva Divisão de Homícidios, que pode ter sido a própria Claudette, como ele tem certeza, mas que pode não ter sido justamente por essa certeza. Quinn também stalkeando Dexter dá a entender que há um plano para enredá-lo em andamento, o que espero que seja verdade. A conexão quase imediata de Dexter com Framt me pareceu forçada e desnecessária nesse começo, a não ser que Framt seja mais do que um velho tarado em uma cadeira de rodas que um dia foi um assassino em série.

Encontrar um caminho relevante para Charley nesse emaranhado todo, porém, é essencial, já que o pareamento dela com Dexter tem muito potencial narrativo, especialmente se Dexter estiver mesmo sendo discretamente caçado por Quinn, Wallace e Oliva. Outro personagem que precisa encontrar seu caminho nessa rede de intrigas é Harrison, pois, temos que lembrar, apesar do que ele fez na temporada anterior e também em New Blood, ele não é o herdeiro de seu pai em suas propensões homicidas, o que faz dele um personagem com toda a possibilidade de ser bem mais complexo do que ele tem sido até agora. Obviamente, ainda há muito tempo para ele ganhar novamente seu espaço, desde que esse espaço não seja propenso a transformá-lo no filho de seu pai e sim algo mais do que isso.

Caído vem para abrir as possibilidades da temporada, com direito até mesmo a um novo Slice of Life, e Phillips tem a faca e o queijo na mão (principalmente a faca, claro) para expandir a mitologia de Dexter e levá-lo a novos caminhos. Não que eu advogue pela perpetuação dessa série como aconteceu com a original, mas a crise de meia idade de Dexter pode ser uma avenida interessante a ser explorada, especialmente ao lado da sempre exuberante e eterna Noiva.

Dexter: Ressurreição – 2X01 e 2X02: Negócio Arriscado / Caído (Dexter: Resurrection – 2X01/02: Risky Business / Fallen – EUA, 30 de outubro e 06 de novembro de 2026)
Desenvolvimento: Clyde Phillips (baseado na série desenvolvida por James Manos Jr. e na obra de Jeff Lindsay)
Direção: Marcos Siega
Roteiro: Clyde Phillips e Scott Reynolds (2X01); Scott Buck (2X02)
Elenco: Michael C. Hall, Jack Alcott, Uma Thurman, Brian Cox, Kadia Saraf, Dominic Fumusa, James Remar, Desmond Harrington, Dan Stevens, Ntare Guma Mbaho Mwine, Nona Parker Johnson, Bokeem Woodbine, David Zayas, Eric Stonestreet, Gabriel Luna
Duração: 51 min. (2X01), 59 min. (2X02)

Bokeem WoodbineBrian CoxClyde PhillipsDan StevensDavid ZayasDesmond HarringtonDexterDexter: RessurreiçãoDexter: Ressurreição – 2ª TemporadaDominic FumusaEric StonestreetGabriel LunaHomeJack AlcottJames Manos Jr.James RemarJeff LindsayKadia SarafMarcos SiegaMichael C. HallNona Parker JohnsonNtare Guma Mbaho MwineScott BuckScott ReynoldsUma Thurman

Fonte: Plano Critico.

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