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Cinema

Crítica | Big Love (Amor Imenso) – 1ª Temporada

Poligamia em foco. O post Crítica | Big Love (Amor Imenso) – 1ª Temporada apareceu primeiro em Plano Crítico.

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Em determinado momento da primeira temporada de Amor Imenso, o empresário mórmon Bill Henrickson (o saudoso Bill Paxton no grande papel de sua carreira) começa a passar mal por tomar uma quantidade enorme de Viagra para conseguir dar conta das necessidades conjugais de suas três esposas. É um momento cômico e inesquecível, mas que marca com clareza o subtexto sério dessa fenomenal série da fase áurea da HBO, em que negócios, família e prazeres, não necessariamente nessa ordem, se misturam em um caos constante que esgarça a capacidade de o protagonista viver uma vida serena, mesmo que incomum. Amor Imenso é menos sobre as peculiaridades da estranha religião fundada por Joseph Smith do que sobre um homem em constante estado de ansiedade e estresse que genuinamente ama suas esposas e filhos, mas que parece estar o tempo todo passos atrás dos acontecimentos.

Vivendo em uma casa tripla com a aparência normal de três unidades completamente separadas no que tange o mundo exterior, mas conectada por uma área de lazer comum, o que mantém um segredo à vista de todos e representa muito bem a vida polígama dessa família, Bill é legalmente casado com Barbara “Barb” Henrickson (Jeanne Tripplehorn), com quem tem três filhos, e convive espiritualmente casado, por assim dizer, com outras duas mulheres, Nicolette “Nicki” Grant (Chloë Sevigny), com quem tem dois filhos e que fora cuidadora de Barb quando ela lutou contra o câncer, além de ser filha de Roman Grant (Harry Dean Stanton), um autodeclarado Profeta que lidera uma comunidade mórmon radical no interior de Utah, e Margene “Margie” Heffman (Ginnifer Goodwin), a mais jovem e mãe de dois filhos até engravidar do terceiro durante a temporada. Só isso já é, claro, material mais do que suficiente para rechear o ano inaugural da série, algo que o time de roteiristas comandado pelos criadores e showrunners Mark V. Olsen e Will Scheffer, costura muito naturalmente em uma história cativante sobre o prazer, mas também o peso da família.

É particularmente interessante como a história consegue criar aversão e encantamento ao mesmo tempo. Aversão não pela poligamia em si, mas pelo paternalismo e inequalidade entre homem e mulher no mormonismo – e em todas as demais, sendo sincero -, já que só o homem pode ter mais de uma esposa. O encantamento, pelo menos para mim, vem de toda a mecânica da coisa, começando pela forma como as segundas e terceiras esposas são aceitas no seio familiar somente depois da aquiescência da primeira esposa e como todos vivem em conjunto, mas separadamente, cada subfamília com sua própria casa, com direito a uma tabela das noites em que o homem divide o leito com cada uma (daí o Viagra!), mas, durante o dia, o espírito comunal impera, inclusive na forma como todas as mães passam a ser responsáveis por todos os filhos. O terreno para comicidade e intrigas é mais do que fértil somente nesse microcosmo, mas a temporada vai além com, a introdução do já citado profeta Roman Grant e seu clã, com negócios escusos e com toda a vontade de interferir na empresa de Bill, uma grande loja de móveis com seu sócio – e também mórmon polígamo – Don Embry (Joel McKinnon Miller) e do restante da família de Bill, notadamente Lois Henrickson (Grace Zabriskie), sua mãe feroz, Frank Harlow (Bruce Dern), seu pai abusivo, e Joey Henrickson (Shawn Doyle), seu emocionalmente complexo irmão casado com a não menos complicada Wanda (Melora Walters).

Olsen e Scheffer são particularmente felizes na maneira como abordam esse mundo tão desconhecido de maneira natural e sóbria, sem sensacionalismo e sem exatamente emitir sentenças condenatórias. Eles entregam uma história essencialmente de amor e de intrigas familiares que conversa, em grau maior ou menor, com a vida familiar de todos nós, com o mormonismo funcionando como o chamariz e a cola narrativa que faz de Amor Imenso um bem-sucedido experimento televisivo que ajuda a integrar essa definitivamente estranha e estigmatizada religião e cultura no mundo em que vivemos, além cria as condições para Paxton e todo o restante do elenco principal – mas principalmente Paxton, sendo bem sincero, já que é ele o ator ali que mais precisava se provar – brilharem nesse fascinante mundo “secreto”. Mas haja Viagra mesmo, viu?

Amor Imenso (Big Love – EUA, 12 de março a 04 de junho de 2006)
Criação: Mark V. Olsen, Will Scheffer
Direção: Rodrigo García, Charles McDougall, Michael Spiller, Alan Taylor, Mary Harron, Steve Shill, Julian Farino, Michael Lehmann, Alan Poul
Roteiro: Mark V. Olsen, Will Scheffer, David Manson, Alexa Junge, Eileen Myers, Mimi Friedman, Jeanette Collins, Jill Sprecher, Karen Sprecher, Dustin Lance Black
Elenco: Bill Paxton, Jeanne Tripplehorn, Chloë Sevigny, Ginnifer Goodwin, Amanda Seyfried, Douglas Smith, Shawn Doyle, Melora Walters, Joel McKinnon Miller, Daveigh Chase, Jolean Wejbe, Grace Zabriskie, Bruce Dern, Harry Dean Stanton, Matt Ross, Mary Kay Place, Wendy Phillips, Jodie Markell
Duração: 645 min. (12 episódios)

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Fonte: Plano Critico.

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