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Cinema

Crítica | Absolute Batman – Vol. 4: o Homem de Palha

Tudo converge. O post Crítica | Absolute Batman – Vol. 4: O Homem de Palha apareceu primeiro em Plano Crítico.

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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as demais críticas do Universo Absolute.

Depois de três arcos formados por 18 edições mensais e dois one-shots, além de um crossover com a Absolute Mulher-Maravilha, posso dizer que finalmente enxergo alguma luz no final do túnel para Absolute Batman, o extremamente bem sucedido carro-chefe do Universo Absolute da DC Comics, mas que era – e continua sendo, na verdade – o que menos estava gostando em razão dos vazios exageros histriônicos de Scott Snyder. Em O Homem de Palha (The Straw Man), quarto volume da saga composto pelas edições #19 a 25, o roteirista finalmente entrega algo que deixa de lado a pancadaria descerebrada entre um Batman comicamente marombado e vilões invariavelmente monstruosos na pior acepção do adjetivo e envereda por algo um pouco mais interessante e complexo.

Não que a história tenha mudado da água para o vinho, pois ela está bem longe de ser algo notável, mas, agora, Snyder conseguiu encontrar não só um bom ponto de equilíbrio entre seus desvarios e aspectos relevantes, como entrega uma boa convergência de narrativas e personagens, mesmo que para isso recorra à introdução da versão Absolute do Espantalho como um parceiro de longa data de Jack Grimm, o Coringa, que tem como função ser um mestre manipulador e um agente do caos controlado e premeditado. A ideia central do arco é colocar em dúvida o próprio livre arbítrio de Bruce Wayne, com o herói sendo bombardeado por informações que o levam a crer que o Batman é, na verdade, uma criação de Grimm em um jogo de cartas marcadas que remonta há anos no passado, o que aos poucos corrói sua sanidade. É, sem dúvida alguma, um conceito intrigante que ganha uma execução que foge do óbvio e que traz muitos elementos de nossa realidade, como a manipulação dos fatos e o uso de tecnologia para criar novas verdades.

Gosto também do lógica invertida do Coringa que tem uma “Coringa Caverna” igual à versão mais conhecida da batcaverna dos quadrinhos do universo principal da DC Comics, mas continuo desgostando profundamente do que o Coringa é, ou seja, um literal monstro imortal que vive há séculos (talvez milênios), por vezes encontrando nêmesis, o que, claro, é o caso do Batman agora. Por outro lado, o Espantalho é um vilão bem construído que, porém, poderia ter aparecido antes para não parecer uma invenção conveniente de Snyder para tornar possível a reunião de linhas narrativas sem expor Grimm demais, reservando-o para o final do arco. Aqui, o título é do volume é muito bem feito, pois o Espantalho não só é o literal Homem de Palha, como seus outros significados da expressão em inglês se fazem presentes: ele é o testa de ferro (ou laranja) do Coringa, da mesma forma que é a manifestação física da falácia lógica que distorce a realidade para atacar um oponente e também a teoria antigoverno de que o homem é subdivido em duas categorias, com apenas uma delas sendo recipiente das obrigações impostas por autoridades e a outra sendo absolutamente livre. Snyder usa bem essas versões da mesma expressão para dar vida a um personagem fascinante, o primeiro que assim considero em tudo o que saiu até agora em Absolute Batman.

Como se não bastasse o embate psicológico de consequências muito reais para o Batman, com uma morte em particular que me deixou genuinamente surpreso, Snyder ainda cria uma força-tarefa mecanizada anti-Batman batizada de Robin que é comandada por um Slade Wilson amputado e com o rosto deformado e formada por todos – ou quase todos – os Robins da carreira do Batman do universo principal. Mesmo que não haja espaço real para todos eles, é perceptível o esforço de Snyder de manter os traços mais marcantes das personalidades de Dick Grayson, Jason Todd e Tim Drake, com uma reimaginação de um momento clássico que, mesmo apressado, funciona bem. Até mesmo a abordagem dos amigos de infância de Bruce Wayne, agora assumindo de vez suas personas da Galeria de Vilões, mas sem serem ainda verdadeiramente vilões, com o retorno de Martha Wayne e uma explicações marota sobre a Corte das Corujas ganha um bom espaço no arco que ajuda a levar tudo a um clímax com lógica, algo ajudado por flashbacks interessantes para o passado de Bruce trabalhando para Maroni que ressignifica o bat de Batman, em um trocadilho que só funciona em inglês.

Por outro lado, Snyder exagera na convergência, fazendo questão de ligar tudo a Grimm, inclusive e especialmente Harley Quinn que funciona como a Robin do Batman e que ganha uma história de origem que reputo como conveniente demais para permitir esse encaixe com o Coringa. E, falando no final boss, o embate do Batman com Grimm é, no mínimo, decepcionante, quase como se o roteirista tivesse se sentido obrigado a fazer isso para dar uma satisfação aos leitores, mas mudado de ideia no meio do caminho. Esse é o mal da afobação, uma marca constante no Universo Absolute: há preocupação demais em “absolutar” o maior número possível de personagens, o que acaba retirando espaço para outras coisas mais relevantes. O final entre Batman e o Coringa precisava de mais tempo e, sendo sincero, pareceu-me deslocado em um arco fundamentalmente centrado nas manipulações do Espantalho.

O quarto arco narrativo de Absolute Batman, porém, consegue mostrar seu valor narrativo, retornando ao estilo do primeiro e conseguindo ser levemente melhor apesar de minha avaliação em HALs ser a mesma para os dois, com Nick Dragotta, que desenha seis das sete edições, mais uma vez impondo seu estilo exagerado, mas que, aqui, graças a um Snyder mais inspirado, mostra-se mais contido, mais focado no que realmente importa. Agora é esperar para ver como Snyder dará conta de tantos personagens ao mesmo tempo em arcos futuros.

Absolute Batman – Vol. 4: O Homem de Palha (Absolute Batman – Vol. 4: The Straw Man – EUA, 2026)
Contendo: Absolute Batman #19 a 25
Roteiro: Scott Snyder
Arte: Nick Dragotta (#19 a 21 e #23 a 25), Werther Dell’Edera (#22)
Cores: Frank Martin
Letras: Tom Napolitano
Editoria: Sabrina Futch, Katie Kubert, Chris Conroy
Editora: DC Comics
Datas originais de publicação: 15 de abril, 13 de maio, 17 de junho, 08 de julho, 12 de agosto, 23 de setembro e 28 de outubro de 2026
Páginas: 208

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Fonte: Plano Critico.

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