A Zona Leste de São Paulo foi palco, nesta sexta-feira (15), de mais uma mobilização pública em defesa dos direitos humanos da população LGBTQIA+. Organizada a partir do Centro de Referência LGBTI+ Laura Vermont, a Caminhada Contra a LGBTfobia reuniu cerca de 500 pessoas entre comunidade, serviços públicos, coletivos, ativistas e representantes institucionais em um ato de visibilidade, conscientização e ocupação do território.
Entre as autoridades presentes esteve Rafael Calumby Rodrigues, coordenador estadual de Políticas para a Diversidade Sexual da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo e presidente do Conselho Estadual LGBT+.

A atividade integrou a programação em alusão ao Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, celebrado em 17 de maio, data que marca a retirada da homossexualidade da classificação de doenças pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1990.
OCUPAR AS RUAS COMO ATO DE EXISTÊNCIA E RESISTÊNCIA
A concentração aconteceu no Centro de Referência LGBTI+ Laura Vermont, de onde participantes seguiram em caminhada até a Praça do Forró levando cartazes, materiais informativos e mensagens de combate à LGBTfobia.

Mais do que um percurso simbólico, a ação reafirmou a importância da ocupação dos espaços públicos como instrumento de resistência, pertencimento e construção de cidadania para a população LGBTQIA+.
Em um cenário onde a violência e a discriminação ainda impactam profundamente a vida de pessoas LGBTQIA+, especialmente nas periferias urbanas, caminhar coletivamente pelas ruas também se transforma em afirmação política da própria existência.
SERVIÇOS, CULTURA E DIREITOS HUMANOS
Na Praça do Forró, a programação reuniu diferentes atividades voltadas à promoção de direitos e ao fortalecimento do diálogo com a população.
Entre as ações realizadas estiveram:
- intervenção da Unidade Móvel de combate à LGBTfobia;
- participação de serviços como ODS, CATE e CTA;
- leitura de Carta Aberta sobre enfrentamento à LGBTfobia;
- apresentações performáticas e culturais;
- e falas públicas sobre diversidade, cidadania e direitos humanos.
A presença de representantes institucionais e serviços públicos reforçou a importância de aproximar políticas de proteção social dos territórios periféricos, especialmente em regiões onde a população LGBTQIA+ frequentemente enfrenta dificuldades de acesso a direitos básicos.
PRESENÇA INSTITUCIONAL E POLÍTICAS PÚBLICAS
A participação de Rafael Calumby Rodrigues também evidencia a articulação entre movimentos sociais, equipamentos públicos e políticas estaduais voltadas à diversidade sexual e de gênero.
À frente da Coordenação Estadual de Políticas para a Diversidade Sexual e da presidência do Conselho Estadual LGBT+, Rafael atua em pautas relacionadas à promoção da cidadania LGBTQIA+, enfrentamento à violência e fortalecimento das políticas públicas no estado de São Paulo.
Sua presença na caminhada reforça a importância de ações territoriais de conscientização e diálogo direto com a população como parte do enfrentamento à LGBTfobia.
MEMÓRIA, DIGNIDADE E VISIBILIDADE
A caminhada também carregou forte dimensão simbólica ao reafirmar o reconhecimento da homossexualidade como expressão legítima da sexualidade e da afetividade humana, reforçando princípios ligados à dignidade, ao respeito e à igualdade.

O próprio nome do Centro de Referência LGBTI+ Laura Vermont carrega peso histórico dentro da luta LGBTQIA+ paulistana. Laura Vermont foi uma jovem travesti assassinada em São Paulo em 2015, tornando-se símbolo do enfrentamento à violência contra pessoas trans no Brasil.
Nesse contexto, ações de visibilidade pública possuem papel importante não apenas na denúncia da LGBTfobia, mas também na construção de memória coletiva e fortalecimento comunitário.
A RUA COMO ESPAÇO DE CIDADANIA
Ao reunir cerca de 500 pessoas entre ativistas, moradores da região, artistas, representantes institucionais e serviços públicos, a caminhada reforçou uma dimensão histórica dos movimentos LGBTQIA+: a compreensão de que a rua continua sendo espaço central de reivindicação, existência e transformação social.
Entre cartazes, performances e falas públicas, o ato reafirmou uma mensagem que segue atual diante dos desafios contemporâneos: combater a LGBTfobia é defender vidas, garantir cidadania e afirmar que diversidade e direitos humanos não podem ser tratados como exceção, mas como parte fundamental da democracia.
