Três coronéis da Polícia Militar vão julgar tenente-coronel acusado de matar a própria esposa; decisão pode levar à perda definitiva da patente
Coronéis são designados para julgar oficial da PM
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, nomeou três coronéis da Polícia Militar para compor o Conselho de Justificação que irá analisar a conduta do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto.
O oficial é réu pelo assassinato da ex-mulher, a soldado Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça na capital paulista.
O processo administrativo pode resultar na perda do posto e da patente, encerrando a carreira militar do acusado caso as acusações sejam confirmadas.
Como funciona o Conselho de Justificação
O Conselho de Justificação é um procedimento interno da Polícia Militar utilizado para avaliar a conduta de oficiais.
O prazo inicial é de 30 dias, podendo ser prorrogado por mais 20, garantindo o direito à ampla defesa. Ao final, os coronéis podem recomendar desde a absolvição até sanções graves, incluindo a exclusão do oficial da corporação.
A decisão final caberá ao Tribunal de Justiça Militar de São Paulo, que analisará o parecer do conselho antes de qualquer medida definitiva.
Oficial responde por feminicídio e fraude processual
Geraldo Leite Rosa Neto está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde março e foi denunciado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo por feminicídio e fraude processual.
A acusação sustenta que houve tentativa de manipulação da cena do crime, o que agravou a tipificação penal.
Investigação mudou versão inicial de suicídio
A morte de Gisele Alves Santana, de 32 anos, ocorreu em fevereiro, no bairro do Brás, na região central da cidade.
Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência passou a ser investigada como feminicídio após a análise de provas técnicas.
Laudos periciais, depoimentos e evidências digitais foram decisivos para a mudança de rumo da investigação, segundo a Polícia Civil.
Perícia aponta inconsistências na versão do acusado
De acordo com o relatório policial e a denúncia do Ministério Público, há elementos que afastam a hipótese de suicídio.
Entre os principais pontos estão:
contradições no depoimento do tenente-coronel
indícios de alteração da cena do crime
sinais de violência anteriores à morte
O exame necroscópico também concluiu que o disparo foi feito com a arma encostada na cabeça, em uma trajetória considerada incompatível com um tiro autoinfligido.
