3º Festival de Música Doida celebra trabalhadores(as) da Saúde Mental

Portal Inhaí
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A Funarte-MG (rua Januária, 68, Centro), em Belo Horizonte, recebe o 3º Festival de Música Doida entre os dias 2 e 4 de setembro, das 13h30 às 18h. Com entrada gratuita, o evento reúne artistas, usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), trabalhadores(as) da saúde mental e pesquisadores em uma programação que conecta música, cultura e luta antimanicomial. A iniciativa é realizada pelo Instituto SôUai e pelo Ponto de Cultura Trem Tan Tan, com produção da ZeNPreto Produções e Fran Januário Produções Artísticas. Detalhes: festivaldemusicadoida.com.br.

O festival conta com Palco Aberto, oficinas, fóruns de debate, mostra de vídeos, instalações artísticas, feira de economia criativa e ações voltadas à valorização da produção cultural construída por pessoas vinculadas à política pública de saúde mental. Entre os destaques está a Mostra de Compositores, um show coletivo que reúne oito compositores convidados para uma residência com produção musical de Jorge Bonfá. Na apresentação, os artistas serão acompanhados por uma banda-base formada por músicos profissionais de Belo Horizonte e Região Metropolitana.

Nesta edição, o evento homenageia trabalhadores(as) da saúde mental, reconhecendo a trajetória de profissionais que participaram da construção da reforma psiquiátrica brasileira e da defesa de um modelo de cuidado baseado na liberdade, no território e na garantia de direitos.

Criado a partir das pesquisas e da atuação do músico Babilak Bah junto ao coletivo Trem Tan Tan, o festival nasceu da necessidade de identificar, valorizar e dar visibilidade a uma produção musical potente, autoral e diversa desenvolvida por usuários dos serviços de saúde mental. “O festival surgiu do entendimento de que existe uma produção musical de qualidade, muitas vezes invisibilizada, que fala do cotidiano das pessoas, das experiências de vida, dos processos de sofrimento, dos caminhos de cuidado e de diferentes formas de expressão. Era necessário criar um espaço para que esses compositores e compositoras ocupassem a cena cultural”, afirma Babilak Bah, idealizador e diretor artístico do Festival de Música Doida.

O evento dialoga com os 25 anos da Lei 10.216, marco da reforma psiquiátrica brasileira, que estabeleceu novas diretrizes para o cuidado em saúde mental no país e fortaleceu a substituição do modelo manicomial por uma rede de serviços territoriais, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Centros de Convivência e outros equipamentos de cuidado.

A homenagem aos trabalhadores(as) da saúde mental também dialoga com a trajetória de Dona Ivone Lara, sambista, compositora, enfermeira e assistente social que atuou no Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, ao lado da psiquiatra Nise da Silveira. Sua história representa a aproximação entre arte e cuidado em saúde mental, em um período em que novas formas de tratamento passaram a valorizar a expressão artística como ferramenta de transformação.

Entre os destaques da programação estão as apresentações dos coletivos Trem Tan Tan, Grupo Vocal Fora da Caixa, Piraboa, com participação de Marina Miglio, vocalista da banda Lamparina, e Arte da Saúde, além da Mostra de Compositores.

Uma das novidades desta edição é a presença do cantor Adriano Sexto e da banda Ráio Roll, acompanhados por Rabay Artemídia, de São João del-Rei (MG). O artista é conhecido por caminhar enquanto canta, interagindo com o público e combinando composições autorais e releituras de clássicos do pop, romântico, brega e gospel. A performance mistura batidas eletrônicas experimentais, instrumentos ao vivo e improvisação.

O tradicional Palco Aberto também integra a programação, oferecendo estrutura de som para que usuários e conviventes possam apresentar suas manifestações artísticas. O espaço se tornou uma das marcas do festival ao valorizar diferentes formas de expressão e garantir protagonismo aos participantes.

A programação inclui ainda feira de economia criativa, instalações artísticas dedicadas aos coletivos musicais da saúde mental brasileira, oficinas e mostra de vídeos.

Uma das principais iniciativas permanentes do Festival de Música Doida é a Cartografia Nacional de Compositores e Coletivos da Saúde Mental, que mantém inscrições abertas durante todo o ano. A iniciativa busca mapear compositores(as), grupos musicais e blocos de carnaval vinculados à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) em diferentes regiões do Brasil, reunindo informações sobre trajetórias artísticas, estilos musicais, fotos, vídeos e materiais de divulgação.

A cartografia já reúne 64 cadastros de artistas e coletivos de estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Sergipe, Paraíba, Bahia, Distrito Federal e Goiás. O cadastro é gratuito e pode ser realizado pelo site festivaldemusicadoida.com.br/cartografia.

“A cartografia revela uma produção musical relevante, diversa e plural. Ela ajuda a construir uma memória desses artistas, gera visibilidade e amplia as possibilidades de circulação, intercâmbio e reconhecimento dessa produção”, explica Babilak.

O Festival de Música Doida amplia o diálogo entre cultura, sociedade e saúde mental ao levar para o espaço cultural uma produção que, durante muito tempo, permaneceu afastada desses circuitos. “Este festival provoca a cidade a ouvir uma produção que durante muito tempo ficou afastada dos espaços culturais. É uma oportunidade de reconhecer talentos, histórias e trajetórias que mostram a capacidade criativa e artística das pessoas atendidas pela rede de saúde mental”, diz Babilak.

O evento é realizado por meio da Emenda Parlamentar nº 026489/2025, do Ministério da Cultura.

3º Festival de Música Doida

Quando: 2, 3 e 4 de setembro de 2026
Horário: Das 13h30 às 18h
Onde: Funarte-MG (rua Januária, 68, Centro), em Belo Horizonte
Quanto: Entrada gratuita, sujeita à lotação dos espaços
Local: Galpão 4 (retirada de cortesia meia hora antes)
Classificação: Livre
Acessibilidade: os shows terão tradução em Libras
Detalhes: festivaldemusicadoida.com.br ou @festivalmusicadoida

PROGRAMAÇÃO

2 DE SETEMBRO – QUARTA-FEIRA

13h30 às 18h30: Feira de Economia Criativa (Galpão 5)

13h30 às 18h30: Instalação Plástica (Galpão 5)

14h: Palco Aberto (área externa)

14h: Abertura – Mestre Sem Cerimônia – Ju Barreto (Galpão 4)

14h16: Mostra de Curtas (Galpão 1)

14h30: Mostra de Compositores (Galpão 4)

15h: Oficina Corpo e Movimento (área externa)

16h: Show Trem Tan Tan (Galpão 4)

17h: Palco Aberto com Adriano Sexto, banda Ráio Roll e Rabay Artemídia (área externa)

3 DE SETEMBRO – QUINTA-FEIRA

13h30 às 18h30: Feira de Economia Criativa (Galpão 5)

13h30 às 18h30: Instalação Plástica (Galpão 5)

14h: Palco Aberto com Eita Como Anda e Amigos (área externa)

14h16: Mostra de Curtas (Galpão 1)

14h30: Show Grupo Vocal Fora da Caixa (Galpão 4)

15h: Oficina Corpo e Movimento Brincadeiras (área externa)

15h30: Show Piraboa com participação de Marina Miglio (Galpão 4)

4 DE SETEMBRO – SEXTA-FEIRA

14h30: 6º Fórum da Música Doida – Rumo ao 4º Festival (Galpão 4)

20h: Programação Associada – Show Fran Januário Canta Dona Ivone Lara (Morro da PPL

ENCERRAMENTO COM PROGRAMAÇÃO ASSOCIADA
O encerramento do 3º Festival de Música Doida será no dia 4 de setembro, no Morro da PPL, com o espetáculo “Fran Januário Canta Dona Ivone Lara”. A apresentação integra a programação associada do festival e leva as atividades para além da Funarte-MG, ocupando um território que se tornou referência da cultura popular em BH por meio do Samba da Januário.
O show presta homenagem aos trabalhadores(as) da saúde mental a partir da trajetória de Dona Ivone Lara, que, além de uma das maiores compositoras da música brasileira, atuou como enfermeira e assistente social ao lado da psiquiatra Nise da Silveira. Sua história se tornou um símbolo da aproximação entre arte e cuidado em liberdade.
A entrada será gratuita até 20h59. Depois, o valor será de R$ 10. As cortesias estão disponíveis pelo Sympla. Detalhes: festivaldemusicadoida.com.br.



Por Midia Ninja

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