VALLADA transforma dilemas do artista independente em “Umami”, seu primeiro álbum

Portal Inhaí
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Por Gabriel Dias

Entre a vontade de alcançar o grande público e o desejo de preservar a própria identidade artística, VALLADA encontrou o tema de seu primeiro álbum. Lançado recentemente, Umami parte de um conceito emprestado da gastronomia para falar sobre uma busca que atravessa boa parte dos artistas independentes: conquistar reconhecimento sem abrir mão daquilo que faz seu trabalho ser único.

O título do disco faz referência ao quinto sabor básico do paladar humano, conhecido pela sensação de preenchimento e satisfação que provoca. Para o cantor e compositor, essa ideia se tornou a metáfora ideal para a narrativa do projeto.

“Umami é o quinto sabor básico do nosso paladar. Ele produz uma sensação de água na boca, de satisfação e de preenchimento. Como o disco trata da busca pelo espaço na música, o umami aparece como objeto de desejo e motivador da trajetória de cada artista. O conceito simboliza a descoberta sonora, por um lado, e a conquista do reconhecimento, por outro. É, afinal, o que todo artista parece buscar”, explica.

Ao longo das oito faixas, VALLADA transforma inquietações pessoais em narrativa. O álbum acompanha um personagem que percorre diferentes estados emocionais enquanto tenta encontrar seu lugar no mercado musical. Embora as canções dialoguem entre si como capítulos de uma mesma história, elas nasceram de experiências concretas vividas pelo artista.

Segundo ele, a principal questão que atravessou a criação do disco foi a própria possibilidade de continuar fazendo música. “A dúvida que me acompanhava era em relação à minha sobrevivência como artista. Não à toa, o disco aborda a realidade de quem faz arte de forma independente. São essas pessoas que precisam, todos os dias, lutar para trabalhar com o que fazem de melhor.”

Essa reflexão também aparece quando o álbum discute a relação com o mainstream. Em vez de tratar o sucesso comercial como um antagonista, VALLADA prefere apontar as negociações que muitas vezes fazem parte desse caminho.

“Não existe medo. Existem concessões que devem ser feitas e formatos necessários para o mainstream que limitam, de certa forma, o campo das possibilidades para quem cria”, afirma.

Entre as faixas do álbum, “Sarau de Bacana” ocupa um lugar decisivo. É nela que o personagem deixa de apenas observar e criticar os códigos do meio artístico para experimentar aquele universo sob outra perspectiva. A participação de PhiLL Oladele reforça essa mudança de olhar.

“‘Sarau de Bacana’ representa um ponto de virada, com toda certeza. É o momento em que o personagem, depois de muito reclamar dos corredores da música, dos saraus performáticos e do clima de bajulação, se entrega finalmente a esse tipo de cerimônia do meio musical. O feat com PhiLL Oladele foi fundamental para que essa faixa virasse também uma conversa, em que tudo que era motivo de reclamação fosse ressignificado diante do propósito do artista.”

Ao final da trajetória, a grande resposta procurada pelo personagem não aparece em forma de certeza absoluta ou de uma fórmula para o sucesso. Ela está justamente no próprio percurso vivido durante o álbum.

“A resposta é UMAMI. E vocês podem ouvi-la em todas as plataformas de streaming”, resume o artista.



Por Midia Ninja

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