Stela Campos e Érico Theobaldo expandem sua parceria em “Anestesia”, álbum que explora afetos e excessos

Portal Inhaí
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No próximo dia 21 de agosto, Stela Campos e Érico Theobaldo apresentam “Anestesia”, álbum que marca o encontro definitivo entre duas trajetórias artísticas de longa data e inaugura uma nova fase criativa da dupla. Como primeiro single do projeto, “Let’s Swim” ocupa um papel central: a faixa foi composta especialmente para a trilha sonora do filme Quinze Dias, de Daniel Lieff, e sintetiza o universo emocional que atravessa todo o disco. (Escute acessando o link)

Lançada pelo selo Ambulante Music, a música nasce dentro do cinema, mas se expande para além dele. Criada a partir da narrativa do longa — adaptação do livro de Vitor Martins —, “Let’s Swim” transforma o ato de nadar em uma metáfora para vulnerabilidade, encontro e superação. No contexto do álbum, ela representa o momento de ruptura com a anestesia emocional, propondo um mergulho de volta à experiência de sentir.

“Acho que o álbum faz um convite para desacelerar e olhar para dentro. Vivemos num momento em que somos pressionados o tempo todo a produzir mais, estar sempre disponíveis, parecer felizes e seguir em frente, mesmo quando ainda estamos tentando entender o que sentimos. Musicalmente, também é um convite para ouvir sem pressa. Procuramos construir paisagens sonoras cheias de detalhes, misturando instrumentos acústicos e eletrônicos de uma forma bastante orgânica. Acho que essa experiência de escuta acaba sendo quase um contraponto à velocidade com que consumimos música hoje”, explica Stela Campos.

O disco, que carrega letras em três idiomas (português, inglês e espanhol), parte, então, justamente dessa ideia: o estado de anestesiamento que atravessa a vida contemporânea, marcado por excesso de estímulos, rotina acelerada e relações mediadas pela tecnologia. Ao longo das faixas, Stela e Érico exploram diferentes formas desse entorpecimento: afetivo, psicológico e social, ao mesmo tempo em que apontam para a possibilidade de despertar.

“É um álbum pensado para ser ouvido inteiro, em que cada música conversa com a seguinte e ajuda a construir uma narrativa maior. Esperamos que, de alguma forma, essas músicas permitam que as pessoas se reconheçam nelas e se sintam menos sozinhas nas suas inquietações”, comenta a artista.

Um álbum pra ser visto e ouvido

Sonoramente, “Anestesia” constrói uma paisagem que mistura indie pop, rock alternativo, música eletrônica e minimalismo, sempre guiada por uma forte influência cinematográfica. Não por acaso, a experiência de Érico como compositor de trilhas de produções como Quinze Dias, Barba Ensopada de Sangue e o longa Cidade; Campo, de Aly Muritiba — premiado no Festival de Tribeca e com estreia prevista nos cinemas brasileiros em novembro — se entrelaça com sua atuação em séries como Cidade de Deus (HBO Max) e Cangaço Novo (Prime Video).

Esse repertório audiovisual dialoga diretamente com a construção do álbum, que se aproxima de uma experiência narrativa mais ampla e se entrelaça com a trajetória multifacetada de Stela Campos, artista que atravessa décadas da música brasileira transitando entre jazz, eletrônica, pop francês, MPB, rock, punk, noise, folk e psicodelia.

A influência audiovisual é um dos pilares da construção sonora do projeto, que ultrapassa a música e se aproxima de uma experiência narrativa mais ampla. As faixas funcionam como cenas, criando atmosferas e imagens próprias, como se cada uma ocupasse um momento específico de uma história. “As músicas são como a trilha sonora de um filme. Elas têm uma unidade estética, mas são completamente diferentes uma da outra, como se cada uma fosse para um momento diferente de uma história. Cada faixa procura construir atmosferas e imagens”, explica Érico Theobaldo.

A parceria entre os dois não é recente. Ao longo dos anos, já colaboraram em projetos como o álbum Dumbo Reloaded e a trilha da série Vale dos Esquecidos (HBO), onde criaram faixas como “Changing” e “Never Enough”. Agora, pela primeira vez, desenvolvem um álbum completo em conjunto, do início da composição à produção final, consolidando uma identidade artística compartilhada.

“Nós trabalhamos muito rápido e muito facilmente juntos. Trabalhar com a Stela sempre foi um processo muito fluido e divertido. Acho que a gente se relaciona com a música de uma forma parecida. O gosto musical é parecido e, principalmente, amplo. Temos curiosidade pelo que está sendo feito no presente e vontade de produzir algo novo. A gente sabe que é uma parceria rara”, celebra o músico.

O álbum ainda apresenta algumas participações especiais, como Luciano Buarque, parceiro de Stela desde seu primeiro álbum, que participa escrevendo as letras de três faixas: “Túnel”, “Zolpidem” e “Temporal”; e Roger Menn, que integra a banda escalada para levar “Anestesia” aos palcos e também toca guitarra em uma das faixas do projeto, “Túnel”. Vale destacar que, entre as músicas, “Mate Kudasai” é uma releitura da canção do King Crimson, e suas sonoridades passeiam pelo post-punk, folk, rock experimental e eletrônica experimental.

Por fim, “Anestesia” se apresenta como uma experiência narrativa, em que cada faixa funciona como uma cena, construindo imagens, atmosferas e sensações. Nesse percurso, “Let’s Swim” surge como um ponto de virada: um convite simples e potente que sintetiza o espírito do projeto ao contar às pessoas que ainda é possível voltar a sentir.

Sobre o Duo

Stela Campos e Érico Theobaldo formam um duo que nasce do encontro entre trajetórias sólidas e complementares dentro da música brasileira. Com mais de duas décadas de conexão artística, os dois compartilham uma escuta ampla e curiosa, que atravessa o jazz, a eletrônica, o pop e a música experimental, resultando em um processo criativo fluido e marcado pela busca constante por novas possibilidades sonoras.

A parceria ganha um novo capítulo com “Let’s Swim”, faixa composta especialmente para a trilha sonora do filme Quinze Dias, dirigido por Daniel Lieff. A música é a única canção original do longa e sintetiza com precisão o universo do duo: sensível, contemporâneo e atravessado por diferentes referências estéticas. Esse trabalho reforça a presença de Érico no campo das trilhas audiovisuais e evidencia a potência do encontro criativo com Stela, agora também projetado para o cinema.

Ao longo dos anos, os dois já haviam colaborado em projetos como o álbum Dumbo Reloaded e na trilha da série Vale dos Esquecidos (HBO), onde assinam juntos composições como “Changing”. Foi a partir dessas experiências que a parceria evoluiu de encontros pontuais para um projeto artístico mais consistente, impulsionado pelo desejo de desenvolver um repertório próprio.

Entre a trajetória multifacetada de Stela, referência da cena indie nacional, e a atuação de Érico como compositor e produtor de trilhas para cinema, TV e teatro, o duo constrói uma obra que equilibra minimalismo, densidade e conexão com o público.

Foto: Camila Groch

Sobre Stela Campos

Stela Campos tem uma longa trajetória indie. Começou cantando jazz em clubes paulistanos, depois liderou a banda Lara Hanouska e integrou a cult Funziona Senza Vapore, formada por Cadão Volpato e outros membros do Fellini. Em 1994, mudou-se para Recife e reformulou o Lara Hanouska com músicos locais, participando ativamente do movimento Mangue Beat. Nessa época, Chico Science gravou “Criança de Domingo”, faixa do único e então inédito disco do Funziona.

Em Recife, desenvolveu projetos com Eddie, Devotos, Chico Science & Nação Zumbi e Siba, além de participar de coletâneas como Baião de Viramundo e Reiginaldo Rossi e cantar a música-tema do longa Baile Perfumado, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas. No fim dos anos 1990, voltou para São Paulo e iniciou carreira solo, lançando os álbuns Céu de Brigadeiro (1999), um dos pioneiros da eletrônica nacional.

Vieram depois Fim de Semana (2002), Hotel Continental (2005), Mustang Bar (2009), Dumbo (2013) e Stela Campos (2018), consolidando sua reputação como artista camaleônica, compositora e multi-instrumentista, transitando entre jazz, eletrônica, pop francês, MPB, rock, punk, noise, folk e psicodelia. Entre outras aventuras sonoras, lançou o EP Daniel Johnston, coleção de covers da lenda do rock alternativo Daniel Johnston, com quem tocou como parte da banda de apoio brasileira do artista texano. Compôs também uma música com o coletivo Mexican Institute of Sound + Toy Selectah, que contou com a participação do ator Gael García Bernal.

Sobre Érico Theobaldo

Produtor musical e músico eclético paulistano, Érico Theobaldo tem se dedicado quase exclusivamente às trilhas de filmes e séries nos últimos anos. Só em 2026, são três estreias de longas-metragens que levam sua assinatura na trilha sonora: Barba Ensopada de Sangue, do diretor Aly Muritiba (ao lado de Beto Villares); Quinze Dias, de Daniel Lieff (em parceria com Rémi Chatain); e Funk, também de Aly Muritiba, que estreará no Festival de Tribeca (NY) em junho e nos cinemas no segundo semestre.

Érico também assina, ao lado de Beto Villares e Fil Pinheiro, a aguardada série da Netflix Brasil 70 – A Saga do Tri, além das séries Pssica (Netflix), Cangaço Novo (Prime Video) e Cidade de Deus (HBO Max). Além das telas da TV e do cinema, tem uma longa trajetória no teatro, onde compôs para espetáculos do grupo Teatro da Vertigem durante dez anos, incluindo projetos como Bom Retiro, 958 metros (2012), O Filho (2015) e Marcha à Ré (2020).

Produziu artistas como Zeca Baleiro (incluindo seu principal hit, “Telegrama”) e o grupo de hip hop paulistano Z’África Brasil (incluindo o primeiro álbum, premiado, Antigamente Quilombos, Hoje Periferia). Atuou como músico em turnês de artistas como Otto, Zeca Baleiro e Luisa Maita, além de Aldo The Band. Também integrou o coletivo audiovisual Embolex e a banda Telepathique.



Por Midia Ninja

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