A nova exposição “RUÍDOS: rostos poluídos e corpos cansados” mergulha na rotina exaustiva das classes trabalhadoras e nas marcas invisíveis deixadas pelo cotidiano urbano. Criada pelo grupo artístico menos q isso, a mostra convida o público a refletir sobre o impacto do tempo, do trabalho e das expectativas sociais no corpo e na mente — e sobre o que restaria de nós se tivéssemos mais tempo de ócio.

O trabalho nasce de uma série de pesquisas e experimentações realizadas pelo grupo entre Pinheiros, Vergueiro e Diadema, e ganha forma em intervenções artísticas, quadros, mini esculturas, fotografias e poesias. As obras têm como fio condutor a técnica Drag Tranimal, que mistura colagem de materiais reciclados, desconstrução estética e performance, resultando em corpos híbridos, distorcidos e inquietantes.
“A nossa exposição propõe uma reflexão: o que seríamos se tivéssemos mais tempo de ócio? O que o corpo revela quando o silêncio substitui o ruído da produtividade?”, diz o grupo.
As máscaras, elementos centrais da série, foram produzidas a partir de materiais reutilizados, como tecidos, arames, pingentes e acessórios descartados, transformados em retratos simbólicos de desgaste e resistência. As fotografias foram feitas na Rua Augusta, em São Paulo, e traduzem o conflito entre o belo e o decadente, o real e o performático.

Da performance ao retrato: um percurso de pesquisa e resistência
O grupo em março de 2025, com a performance “Inacabado Verme”, apresentada no Centro Cultural e Biblioteca Serraria, durante o sarau de lançamento da antologia “As Crônicas da Fuga”, de Edson Aquino. Inspirada em Franz Kafka, a cena explorava o desconforto e a beleza contidos na loucura, na fome e na metamorfose — temas que mais tarde se tornaram base da exposição.
A partir daí, novas cenas foram desenvolvidas:
“Se sou, serei eu só (descarte)”, sobre auto aceitação e liberdade;
“O nome vem por último”, crítica à falta de tempo e à entrega ao capitalismo;
“Pequeno”, que busca sentido nas rotinas e nas palavras;
“Para morar aqui”, uma meditação guiada sobre natureza e tragédias humanas.

Essas criações foram apresentadas em saraus e eventos artísticos, sempre com o propósito de provocar o público a refletir sobre saúde mental, desigualdade social, arte e sobrevivência.
O grupo menos q isso: arte, absurdo e resistência periférica

Formado em outubro de 2022, o coletivo menos q isso trabalha entre o surrealismo, o teatro do absurdo e o realismo fantástico, cruzando linguagens das artes cênicas, plásticas e audiovisuais para discutir temas como marginalidade, cotidiano urbano e identidade.
Em pouco tempo, o grupo acumulou uma trajetória diversa — de performances como “O Bem Querer”, “IOIÔ”, “Mercado Artístico” e “Onírico Atrás da Porta”, até produções experimentais de terror e RPG cênico. Todas as obras são autorais e independentes, com trilhas, figurinos e cenários criados pelo próprio grupo.


Para os integrantes, “RUÍDOS” representa uma síntese dessa caminhada: um espaço onde a arte se torna resistência e o cansaço vira estética. “É sobre o corpo que cede, o rosto que some, a alma que grita — e o silêncio que finalmente fala”, afirmam.
Serviço
Exposição: RUÍDOS: rostos poluídos e corpos cansados
Artistas: Grupo menos q isso
Abertura: 11 de outubro (sábado), às 15h30
Período: De 11/10 a 02/11
Local: Museu de Arte Popular — Rua Graciosa, 300, Centro, Diadema
Concepção e pesquisa: Igor Matheus e integrantes do grupo menos q isso
Técnica: Drag Tranimal, fotografia, escultura e intervenção cênica
Apoio: Vereador Gel Antônio, Coordenadoria de Políticas de Cidadania e Diversidades, Cursinho Popular Ordalina Cândido, SINDEMA e Prefeitura de Diadema
Instagram: @menosqisso
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