Reino Unido firma acordo comercial de US$ 5 bilhões com países do Golfo em meio à guerra no Irã

Portal Inhaí
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Bandeiras do Reino Unido em frente ao Big Ben, em foto de junho de 2022
AP Photo/Frank Augstein
O governo do Reino Unido afirmou nesta quarta-feira (20) que fechou um acordo comercial com o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), com valor estimado em cerca de US$ 5 bilhões (R$ 25,2 bilhões) por ano no longo prazo.
A expectativa é que o tratado aprofunde os laços econômicos de Londres com aliados da região. O CCG é composto por Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
O acordo surge após ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, em fevereiro, que aumentaram as tensões na região e pressionaram o fornecimento de energia e alimentos.
“Em um momento de crescente instabilidade, o anúncio de hoje envia um sinal claro de confiança, dando aos exportadores do Reino Unido a certeza de que precisam para planejar o futuro”, afirmou o ministro do comércio britânico, Peter Kyle.
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O governo britânico afirmou que o acordo superou a estimativa anterior, de 1,6 bilhão de libras (US$ 2,1 bilhões ou R$ 10,8 bilhões). O aumento veio após o tratado ir além das expectativas em termos de liberalização comercial e compromissos com o setor de serviços.
O acordo eliminará 93% das tarifas do CCG sobre produtos britânicos — o equivalente a cerca de 580 milhões de libras (US$ 777 milhões ou R$ 3,9 bilhões) em taxas ao longo de 10 anos. A expectativa é que dois terços dessas tarifas sejam removidos assim que o acordo entrar em vigor.
O governo afirmou que os setores automotivo, aeroespacial, eletrônico e de alimentos e bebidas devem estar entre os mais beneficiados, com produtos como cereais, queijo cheddar, chocolate e manteiga isentos de tarifas.
Em contrapartida, o Reino Unido reduziu tarifas para os países do Conselho de Cooperação do Golfo, embora as principais exportações desses parceiros — petróleo e gás — já sejam isentas.
Na área de serviços, o Reino Unido manteve as regras atuais de acesso ao mercado do CCG, permitindo que empresas sigam expandindo sem novas barreiras. Os países do Golfo também poderão desenvolver seus próprios setores com o acordo.
O acordo não altera nem enfraquece os padrões britânicos de proteção ambiental ou de dados e não inclui menções a direitos humanos, segundo o governo. Ativistas haviam alertado para riscos nessa área.
Tom Wills, diretor do Trade Justice Movement, afirmou que “ao não incluir proteções de direitos humanos no acordo, o Reino Unido deu um passo moral para trás”.
O acordo inclui regras de proteção ao investidor que passam a valer também para três países do CCG que antes não eram contemplados. Além disso, prevê um mecanismo que permite que investidores acionem o governo britânico na Justiça — ponto criticado por especialistas.
*Com reportagem da agência de notícias Reuters.
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G1

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