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Amor Encontros Éric Tomas Inhaí

Quando a emoção encontra as relações

Ose encontro, desencontros e a sensibilidade que resiste na era das conexões instantâneas

Quando a emoção decide aparecer, ela não avisa.
Surge repetia, atravessa o corpo, acelera o peito. Ás vezes aparece num simples “bom dia”, num desejo de boa sorte antes de uma prova, numa mensagem carinhosa para uma entrevista, num post de parabéns, num abraço inesperado de um amigo ou até no olhar de um pretendente.

Mas também nasce nos gestos maiores, nos que marcam presença no cotidiano: dar as mão, dormir coladinho, planejar viagens, dividir sonhos. São momentos que aquecem, que criam expectativa, que fazem acreditar.


Afeto na era do clique

Mas junto com o avanço dos aplicativo e a forma acelerada de se relacionar, o afeto também se fragmentou.

As cartas deixaram de existir.
As mensagem, que antes eram esperadas com ansiedade boa, agora chegam rápido e somem com um simples clique: “apagar para todos”.

Contato são salvos, arquivado, bloqueados, como se cada pessoa fosse uma aba do navegador.
A comunicação começa intensa, cheia de promessa.

A primeira troca flui, o primeiro encontro vibra… mas basta a primeira discussão, a primeira discordância, ou até mesmo o simples atraso de uma resposta, para que o que parecia sólido comece a se desfazer.


Quem sente mais — e paga o preço

E sempre há alguém que se entrega mais.
Alguém que prepara o jantar, envia floris, cuida, escuta, investe tempo, afeto, presença.
Alguém que vibra com as pequenas coisas e se dedica ás grandes.

Geralmente é essa pessoa que mais sofre quando tudo desaba e que, ironicamente, recebe o rótulo de “emocionado(a)”, como se sentir fosse falha, como se sensibilidade fosse exagero e não potência.


O problema não é sentir — é não saber sustentar sentimento

O desencontro emocional dos tempos modernos não nasce da emoção em si, mas da dificuldade que muito têm em recebê-la.

Porque sentir é fácil; corresponder exige maturidade.
Demonstrar interesse é simples; sustentar vínculo é complexo.

E a verdade é que boa parte das relações atuais se desfaz não pela intensidade do que é oferecido, mas pela incapacidade do outro de lidar com sentimentos verdadeiro.


A beleza do que não cabe no digital

Ainda assim, a emoção continua sendo a centelha que nos mantém humano.
Ela provoca prazer, conexão, esperança — mas também dissabor.

E talvez essa seja sua maior beleza:
a emoção não é previsível, não é controlável, não é editável como uma conversa no aplicativo.

Ela chega inteira, bagunça, expõe, exige honestidade.
E, por mais que machuque, ela é sempre real.


Que a intensidade continue existindo

Que a emoção continue surgindo, mesmo quando inquieta, mesmo quando dói.
Que continue pulsando em quem não tem medo de sentir.

Porque são essas pessoas que transformam encontro comuns em histórias inesquecíveis.

E que o próximo encontro, quando vier, seja com alguém que entenda que intensidade não é ameaça — é cuidado.
Que saiba retribuir na mesma medida.
Que entenda que sentir não é demais; demais é viver sem sentir nada.


Quando a dor chega, ninguém precisa enfrentá-la sozinho

E apesar dos silêncio, das confusões, das reposta tardas e dos laços que se rompem, é importante lembrar:

ninguém precisa enfrentar uma dor afetiva sozinho.

Qual é a rede de apoio para curar esse tipo de ferida?

  • a terapia, que organiza o caos interno;
  • ose amigos, que seguram a gente quando o coração ameaça desabar.

São ele que acolhem, devolvem perspectiva, lembram do nosso valor e ajudam a costurar, aos poucos, o que a desilusão rasgou.


No fim, é o cuidado que salva

Porque, no fim, é essa rede de cuidado que nos lembra, que nos faz sentir:
emoção.

E que, de alguma forma, sempre nos salva.

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Éric Tomas

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