PRESIDENTE DA COMISSÃO LGBTQIA+ DA OAB GUARULHOS SOFRE ATAQUES RACIAIS E DE GÊNERO; ENTIDADE REAGE E ANUNCIA MEDIDAS

Ghe Santos
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A subseção da OAB Guarulhos tornou-se centro de um debate urgente nesta semana após a divulgação do relato de Zadoque Martins Cardoso, presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero, sobre ataques raciais, transfóbicos e misóginos que sofreu dentro de um espaço institucional da advocacia. O caso acendeu o alerta sobre como preconceitos estruturais continuam atravessando ambientes profissionais, inclusive aqueles que têm como compromisso a defesa da cidadania e dos direitos humanos.

O episódio ganhou repercussão após Zadoque relatar, em suas redes sociais, as situações de violência simbólica e psicológica que enfrentou ao exercer suas funções e representar a comunidade LGBTQIAPN+ e pessoas negras dentro da instituição. A publicação provocou reação imediata de advogados, ativistas e entidades do sistema OAB, que denunciaram o caráter discriminatório dos ataques sofridos.

Comentários ofensivos reacendem debate sobre racismo e LGBTQIAPN+fobia na advocacia


As manifestações, direcionadas à aparência, forma de se vestir e identidade de gênero do presidente da Comissão, foram classificadas por Zadoque e pela Diretoria da OAB Guarulhos como expressões de violência racial e de gênero, reproduzindo padrões de exclusão que afetam pessoas negras e LGBTQIAPN+ em espaços institucionais.

Nos comentários registrados, um advogado afirmou: “Só pelo sangue do jacaré”, “Que isso porra” e “Já não sei mais — OAB respira mais essa advocacia está ficando uma merda.”

O caso expõe como a discriminação, muitas vezes normalizada ou naturalizada, segue presente mesmo em ambientes formados por profissionais do Direito — justamente aqueles que deveriam garantir o respeito às garantias fundamentais.

OAB Guarulhos divulga nota de repúdio

Em manifestação oficial publicada nas redes sociais, a OAB Guarulhos classificou os ataques como inaceitáveis e reafirmou seu compromisso com a diversidade, o combate à discriminação e o acolhimento de todas as identidades dentro da advocacia.

Na nota, a instituição declara:

“A OAB Guarulhos repudia qualquer ataque direcionado à dignidade de seus membros e reforça seu compromisso com o respeito, a diversidade e a promoção dos direitos fundamentais. Condutas discriminatórias não condizem com a advocacia e não serão toleradas.”

A OAB também informou que já avalia as medidas administrativas e disciplinares cabíveis contra o autor das ofensas.
A nota oficial pode ser conferida aqui:

Relato fortalece luta por representatividade

Zadoque, reconhecido por sua atuação em defesa da população LGBTQIAPN+, das pessoas negras e das pautas de direitos humanos, afirmou que expôs o caso para alertar sobre o que acontece “quando corpos dissidentes ocupam espaços historicamente elitizados e normativos”. Segundo ele, o fortalecimento das comissões tem provocado avanços significativos, mas também resistência de setores que não aceitam a diversidade como valor democrático.

O caso tem repercutido dentro e fora da comunidade jurídica e já mobiliza conselheiros, advogados, coletivos e entidades civis em defesa de uma OAB plural, segura e representativa.

Avanço institucional e responsabilidade coletiva

Para especialistas, casos como esse demonstram a importância da manutenção e fortalecimento de espaços dedicados à diversidade dentro da OAB. Eles ressaltam que ataques direcionados à identidade e à raça não se tratam de opiniões, mas sim de atos discriminatórios passíveis de responsabilização disciplinar e até judicial.

A repercussão ampla também evidencia que a advocacia brasileira — diversa, plural e em constante transformação — exige um ambiente onde todas as pessoas possam atuar com dignidade, sem violência, intimidação ou constrangimento.

Um chamado à ação

A denúncia feita por Zadoque e o posicionamento firme da OAB Guarulhos colocam o tema na agenda pública e reafirmam que combater racismo, transfobia e LGBTQIA+fobia é compromisso institucional.
A discussão segue aberta e deverá gerar novos encaminhamentos, formações e ações de acolhimento dentro da subseção.

A mensagem que ecoa é direta: não haverá retrocesso nos espaços de diversidade dentro da advocacia.

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