- Mensagem menciona dificuldades para enviar dinheiro do Brasil
- Conversa cita diretor de fundo nos Estados Unidos
- Parecer da PGR autorizou avanço da investigação
- Contrato previa investimento de US$ 24 milhões
- Remessas chegaram a US$ 12,3 milhões em 2025
- Empresário firmou acordo de delação premiada
- PF considera valores destoantes do mercado audiovisual
- Flávio Bolsonaro também aparece nas tratativas
- PF investiga atuação dos irmãos Bolsonaro
- Origem e destino dos recursos estão sob apuração
- Flávio afirma que dinheiro foi usado no filme
- Captura de tela não identifica destinatário
Mensagem atribuída ao ex-deputado indica preocupação com recursos enviados pelo Brasil e cita operador de fundo responsável pelos repasses à produtora do filme
Um documento da Procuradoria-Geral da República (PGR), elaborado com base nas investigações da Polícia Federal, aponta que Eduardo Bolsonaro teria orientado a gestão e a transferência de recursos nos Estados Unidos para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os investigadores obtiveram uma captura de tela de uma conversa atribuída ao ex-deputado. Na mensagem, Eduardo afirma que “o ideal seria haver os recursos já nos EUA” e menciona possíveis dificuldades para movimentar, de uma única vez, o dinheiro enviado por uma empresa brasileira.
O documento não informa quem recebeu diretamente a mensagem. A PF aponta que o conteúdo teria sido encaminhado em março de 2025 pelo publicitário Thiago Miranda ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Mensagem menciona dificuldades para enviar dinheiro do Brasil
Na conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro, o ex-parlamentar afirma que uma operação realizada inteiramente nos Estados Unidos seria mais simples.
Segundo a mensagem, o envio de recursos por uma empresa brasileira poderia se tornar problemático caso a companhia não tivesse um orçamento compatível com o valor discutido.
Nesse cenário, as transferências precisariam ser divididas em remessas menores e poderiam levar aproximadamente seis meses para serem concluídas.
Eduardo teria sugerido que o maior valor possível fosse enviado pelo sistema que já estava sendo utilizado. O documento, entretanto, não esclarece qual era esse sistema nem identifica o remetente mencionado na conversa.
Conversa cita diretor de fundo nos Estados Unidos
A mensagem também menciona Altieris Santana, identificado na investigação como diretor do Havengate Development Fund.
O fundo de investimento, sediado no Texas, nos Estados Unidos, era responsável por administrar os valores destinados ao projeto e repassá-los à produtora Go Up Entertainment.
No diálogo, Eduardo teria informado que Santana estava disponível para participar de reuniões e poderia viajar para encontrar pessoalmente os responsáveis pela operação.
A PF investiga a função desempenhada pelo Havengate Development Fund dentro da estrutura financeira montada para viabilizar o filme.
Os investigadores também procuram identificar os beneficiários finais dos recursos enviados ao exterior e o destino efetivo dos valores administrados pelo fundo.
Parecer da PGR autorizou avanço da investigação
As informações constam em um parecer assinado em julho de 2026 pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O documento deu aval à abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal para investigar o financiamento transnacional de “Dark Horse”.
A apuração analisa a origem dos recursos, a participação das empresas intermediárias e as funções atribuídas a Flávio e Eduardo Bolsonaro durante a estruturação dos pagamentos.
O pedido da Polícia Federal foi autorizado pelo ministro André Mendonça. As suspeitas investigadas incluem lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
Contrato previa investimento de US$ 24 milhões
A investigação identificou uma minuta contratual enviada a Daniel Vorcaro em dezembro de 2024 pelo publicitário Thiago Miranda.
O documento recebeu o título de “Acordo de Financiamento de Produção ‘Capitão do Povo’”, nome utilizado anteriormente pelo projeto que passou a ser chamado de “Dark Horse”.
A minuta previa um investimento total de US$ 24 milhões, dividido em 14 parcelas, para financiar a produção cinematográfica.
A Polícia Federal procura esclarecer como esse valor foi definido e se correspondia às necessidades financeiras do filme.
Também são investigadas as empresas utilizadas para movimentar o dinheiro e a origem dos recursos disponibilizados para os pagamentos.
Remessas chegaram a US$ 12,3 milhões em 2025
As transferências internacionais identificadas durante a investigação somaram US$ 12,3 milhões em 2025.
Os pagamentos foram realizados pela empresa Entre Investimentos, pertencente ao empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.
Os valores eram enviados ao Havengate Development Fund, que administrava os recursos nos Estados Unidos e realizava os repasses à Go Up Entertainment.
A utilização da Entre Investimentos como intermediária tornou-se um dos pontos centrais da apuração.
A PF busca descobrir por que a empresa foi escolhida para realizar os pagamentos e qual era a origem do dinheiro movimentado por ela.
Empresário firmou acordo de delação premiada
Antônio Carlos Freixo Júnior firmou um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República.
A delação foi homologada na quarta-feira (9) pelo ministro André Mendonça, relator das investigações no Supremo.
Nos depoimentos, o empresário apresentou informações sobre os pagamentos realizados ao fundo que financiava “Dark Horse”.
Mineiro também relatou o uso de uma empresa localizada nas Bahamas para movimentar recursos por determinação de Daniel Vorcaro.
O colaborador mencionou ainda a compra de malas destinadas à entrega de dinheiro em espécie. As informações passaram a integrar as investigações sobre as operações financeiras ligadas ao fundador do Banco Master.
PF considera valores destoantes do mercado audiovisual
Na representação enviada ao Supremo, a Polícia Federal afirmou que o montante previsto para a produção era significativamente superior aos referenciais disponíveis no mercado audiovisual brasileiro.
Para os investigadores, a dimensão financeira do projeto exige a verificação da compatibilidade econômica entre os recursos movimentados e os custos efetivos do filme.
A PF também quer esclarecer se todo o dinheiro foi aplicado na produção cinematográfica ou se parte dos valores teve outra destinação.
A análise envolve o plano de negócios, os contratos, as transferências internacionais e as despesas declaradas pelos responsáveis pelo projeto.
A investigação busca comparar os valores previstos na minuta de US$ 24 milhões com os pagamentos efetivamente realizados e os custos registrados pela produtora.
Flávio Bolsonaro também aparece nas tratativas
O parecer da PGR aponta que o senador Flávio Bolsonaro participou das negociações relacionadas ao financiamento do filme.
Segundo o documento, Flávio manteve contatos diretos com Daniel Vorcaro para tratar de cobranças de repasses, reuniões e do andamento das gravações.
Em setembro de 2025, Thiago Miranda informou ao banqueiro que Flávio queria encontrá-lo pessoalmente para apresentar trechos já gravados da produção.
A mensagem sugeria que o encontro fosse realizado na residência de Vorcaro. No dia seguinte, os registros analisados pelos investigadores mostram uma ligação entre o senador e o fundador do Banco Master.
O contato ocorreu no mesmo período em que a Entre Investimentos realizou uma das remessas para o fundo localizado nos Estados Unidos.
PF investiga atuação dos irmãos Bolsonaro
A Polícia Federal procura esclarecer o papel de Flávio e Eduardo Bolsonaro na estrutura criada para financiar “Dark Horse”.
No caso de Eduardo, a investigação analisa as orientações atribuídas ao ex-deputado sobre a gestão dos recursos nos Estados Unidos e as dificuldades de transferir o dinheiro diretamente do Brasil.
Em relação a Flávio, os investigadores examinam os contatos com Daniel Vorcaro, as cobranças por pagamentos e o acompanhamento da produção.
A PF também busca identificar a participação dos demais envolvidos na estruturação, cobrança, execução e destinação dos aportes financeiros.
Origem e destino dos recursos estão sob apuração
A investigação pretende identificar a origem dos valores utilizados para financiar o filme e os beneficiários finais das remessas enviadas ao exterior.
Outro ponto é a utilização da Entre Investimentos como intermediária dos pagamentos e a participação do Havengate Development Fund na administração dos recursos.
Os investigadores analisam contratos, registros bancários, mensagens, ligações telefônicas e documentos empresariais.
Também será verificado se os valores enviados para fora do país seguiram as regras aplicáveis às remessas internacionais e se foram utilizados integralmente na produção cinematográfica.
Flávio afirma que dinheiro foi usado no filme
Em entrevista concedida à GloboNews em maio, Flávio Bolsonaro negou que os recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro.
O senador afirmou que os valores enviados ao fundo foram aplicados integralmente na realização de “Dark Horse”.
Segundo Flávio, o fundo mencionado nas investigações foi criado especificamente para administrar os recursos da produção cinematográfica.
A TV Globo informou que tenta contato com Eduardo Bolsonaro para obter um posicionamento sobre a mensagem atribuída a ele e sobre as orientações relacionadas às remessas aos Estados Unidos.
Captura de tela não identifica destinatário
A captura de tela obtida pelos investigadores não apresenta o nome da pessoa que recebeu diretamente a mensagem atribuída a Eduardo Bolsonaro.
A PF identificou que o conteúdo foi posteriormente encaminhado por Thiago Miranda a Daniel Vorcaro em 21 de março de 2025.
O publicitário intermediava contatos entre o fundador do Banco Master e a família Bolsonaro durante as negociações sobre o financiamento do filme.
A mensagem, o contrato de US$ 24 milhões e as remessas internacionais de US$ 12,3 milhões integram o conjunto de documentos analisados no inquérito autorizado pelo STF.
