Onde tudo começou : relembre as estreias da Seleção Brasileira em Copas do Mundo

Portal Inhaí
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Por: João Silvino

Acabou a espera de três anos e meio: é tempo de Copa do Mundo, e o coração do torcedor brasileiro já bate mais forte antes da estreia da Seleção, neste sábado (13), contra o Marrocos. E quando se trata de estreias no principal torneio do futebol mundial, a canarinho não costuma decepcionar, com um invejável retrospecto de 17 vitórias nas 22 edições anteriores, somadas a três empates e apenas duas derrotas.

Naturalmente, a expectativa do torcedor é por mais uma grande vitória no pontapé inicial da campanha, reforçando a confiança pela sonhada sexta estrela. Para aquecer as emoções antes da largada verde-amarela nos Estados Unidos, viajamos até a primeira Copa da história, em 1930, passando pelo resultado e pelas histórias de cada estreia da Seleção Brasileira até o último Mundial, em 2022.

Uruguai 1930: Brigas internas e decepção

  • Fase de grupos: Brasil 1 x 2 Iugoslávia
(Foto: Reprodução: Trivela)

Foram 16 anos entre o primeiro jogo oficial da Seleção Brasileira – 2 x 0 sobre o Exeter City, em 21 de junho de 1914 – e o debute em uma Copa do Mundo. No dia 14 de julho de 1930, o Brasil entrou em campo diante da Iugoslávia, no estádio Parque Central, em Montevidéu.

No entanto, a seleção chegava para o Mundial do Uruguai com o reflexo de conflitos entre dirigentes do futebol carioca e paulista, em tempos que o futebol brasileiro iniciava a transição do amador para o profissionalismo. Sem uma resolução amigável entre os “cartolas”, a convocação final do técnico Píndaro de Carvalho contou apenas com jogadores do Rio de Janeiro, o que deixou de fora da Copa nomes como Feitiço, artilheiro dos campeonatos paulistas em 1928 e 1929, e Arthur Friedenreich, o primeiro grande craque do futebol nacional. Além disso, o Brasil não enfrentava uma seleção desde 1925, quando disputou o Sul-Americano (atual Copa América) pela última vez até então.

Com tudo isso, a estreia brasileira terminou em derrota de 2 x 1 para a Iugoslávia, que abriu 2 x 0 ainda no primeiro tempo, em gols de Tirnanic e Bek. Na etapa final, Preguinho, atacante do Fluminense, descontou no primeiro gol da seleção em Copas.

Itália 1934: Mais conflitos e queda precoce

  • Oitavas de final: Brasil 1 x 3 Espanha
(Foto: Arquivo/Folha Imagem)

Quatro anos depois, a Copa do Mundo desembarcou na Itália fascista, do ditador Benito Mussolini, trazendo consigo um formato novo e cruel: seria disputada inteiramente em mata-mata, podendo eliminar as seleções depois de apenas um jogo.

No futebol brasileiro, os conflitos internos deixaram de ser entre o eixo Rio-São Paulo, e passaram a envolver o profissionalismo e o amadorismo, incluindo a criação de uma federação paralela de atletas profissionais em 1933, que não era reconhecida pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos), ainda amadora e responsável pela Seleção. A solução para driblar a crise foi contratar os atletas profissionais para disputar o Mundial, conseguindo levar jogadores do São Paulo e do Vasco entre os 17 convocados do técnico Luiz Vinhaes; além disso, foram oito atletas só do Botafogo.

Para dificultar ainda mais, a Seleção Brasileira não entrava em campo desde dezembro de 1932, e em 1934, as viagens para a Europa ainda eram feitas de navio, por longos dias. Nesse período de deslocamento, a maioria dos jogadores engordaram e chegaram na Itália acima do peso, o que se refletiu na estreia e única partida do Brasil na Copa, no dia 27 de maio em Gênova: com 29 minutos, a Espanha vencia por 3 x 0, em gols de “El Chato” Iraragorri (2x) e Langara. No segundo tempo, Leônidas diminuiu o placar, e Waldemar de Brito perdeu um pênalti, encerrando a jornada brasileira com uma derrota por 3 x 1.

França 1938: Enfim, a primeira vitória

  • Oitavas de final: Brasil 6 x 5 Polônia
(Foto: Arquivo CBF)

Nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, e com a Áustria anexada pela Alemanha nazista de Adolf Hitler, a terceira Copa do Mundo da história ocorreu em solo francês, terra do então presidente da Fifa e criador do torneio, Jules Rimet. O formato cruel de 1934 seria repetido, podendo eliminar seleções com apenas um jogo.

Após duas Copas decepcionantes, o Brasil enfim se organizou para a disputa do torneio. Em meio aos boicotes de Argentina e Uruguai, a Seleção Canarinho foi a única do continente sul-americano na disputa da Copa de 1938, com o futebol profissional consolidado no país e o técnico Ademar Pimenta construindo um trabalho mais sólido. Porém, mesmo com o vice-campeonato do Sul-Americano de 1937 na bagagem, e craques como Leônidas da Silva e Domingos da Guia, a delegação brasileira não escapou de uma gafe antes da longa viagem de navio: não havia nenhum médico na delegação, e a função sobrou para o zagueiro Nariz, do Botafogo, que era formado em medicina.

Apesar disso e de alguns jogadores novamente chegando acima do peso, a Seleção Brasileira desembarcou na França com antecedência, e conseguiu vencer uma estreia de Copa pela primeira vez, mas não sem emoção: diante da Polônia, em 5 de junho, Leônidas abriu o placar, Szerfke empatou, e Romeu e Perácio abriram 3 x 1 antes do intervalo. Na segunda etapa, Wilimowski marcou um hat-trick para os poloneses, com um gol solitário de Perácio no meio do caminho para fechar o placar em 4 x 4. Na prorrogação, Leônidas fez mais dois gols, e a Polônia só conseguiu diminuir com mais um de Wilimowski, fechando o placar em inacreditáveis 6 x 5.

Brasil 1950: Goleada em casa

  • Grupo 1: Brasil 4 x 0 México
(Reprodução: Museu do Futebol)

Passados 12 anos, com duas edições canceladas e a Segunda Guerra Mundial no caminho, a Copa do Mundo voltava em 1950 e sediada no Brasil, abandonando o formato de 100% mata-mata e revivendo a fase de grupos. E enquanto os conflitos armados varriam a Europa, a Seleção Brasileira fez um planejamento de longo prazo sob o comando de Flávio Costa, hexacampeão carioca por Flamengo e Vasco na década de 40.

Apesar de críticas da imprensa quanto ao desempenho em campo, o Brasil ostentava um título do Sul-Americano em 1949, e boas vitórias contra Uruguai e Paraguai nas vésperas do Mundial. Ainda durante a preparação, o técnico Flávio Costa viajou à Europa para conhecer melhor os possíveis adversários na Copa. Na primeira fase, o sorteio reservou México, Iugoslávia e Suíça.

Em 24 de junho de 1950, a Copa do Mundo retornava com um duelo entre Brasil e México, no estádio do Maracanã. Ademir de Menezes abriu a conta aos 20 do primeiro tempo, mas a seleção só decolou na etapa final, com Ademir anotando mais um, e outros dois gols de Baltazar e Jair. Mesmo com a imponente vitória por 4 x 0, o torcedor deixou as arquibancadas torcendo o nariz com a atuação da seleção, sem imaginar como terminaria aquela campanha.

Suíça 1954: Um chocolate brasileiro

  • Grupo 1: Brasil 5 x 0 México
(Foto: Arquivo CBF)

Para a Copa de 1954, a Seleção Brasileira trazia consigo mais do que a busca pelo título inédito, tendo ainda a missão de superar a tragédia do Maracanaço quatro anos antes. Embora tenha feito uma preparação desorganizada, a seleção venceu o Pan-Americano de 1952 e chegava com uma confiança até excessiva, com declarações de menosprezo contra a fortíssima seleção da Hungria, vindas do atacante Pinga e até da imprensa.

Depois de iniciar o ciclo com Zezé Moreira, a CBD o demitiu em 1952 e trouxe seu irmão, Aymoré Moreira, que caiu em 1953 após o fracasso no Sul-Americano – e quem assumiu para o Mundial foi ninguém menos que Zezé Moreira. 

Além disso, a seleção abandonou a camisa branca, com a crença de que era a culpada pelos problemas, e após um concurso promovido pelo jornal Correio da Manhã, foi adotada a tradicional camisa amarela em março de 1954.

No dia 16 de junho de 1954, o Brasil entrou no gramado de Genebra para o pontapé inicial na Copa, mais uma vez contra o México. Poderia ser uma revanche do lado mexicano, mas acabou em um novo massacre da agora seleção verde-amarela: em gols de Pinga (2x), Julinho, Baltazar e Didi, a seleção anotou 5 x 0 e estreou com tudo no Mundial.

Suécia 1958: Um show de Mazzola

  • Grupo 4: Brasil 3 x 0 Áustria
(Foto: Acervo/Gazeta Press)

A Copa de 1958 terminaria no primeiro título da Seleção Brasileira, vencendo a Suécia dentro de sua própria casa por imponentes 5 x 2. Porém, a estrada da preparação foi longa e espinhosa, com nada menos que sete treinadores entre 1955 e 1957, fracassos dentro de campo e uma eliminatória mais sofrida do que a encomenda.

Só nos últimos meses antes do Mundial, a casa se arrumou, a partir da posse de João Havelange como presidente da CBD e da escolha de Vicente Feola para o comando técnico. Com uma comissão completa, incluindo psicólogo e dentista, a seleção chegou para o Mundial embalada por grandes vitórias contra Corinthians, Fiorentina e Internazionale em amistosos, e com talento para dar e vender no elenco: além de Pelé e Garrincha, nomes como Zagallo, Pepe, Nilton Santos e Didi marcaram presença. 

Porém, o destaque na partida de estreia, contra a Áustria em 8 de junho, não ficou por conta de nenhum deles: no estádio Rimnersvallen, coube a Mazzola anotar dois gols, um em cada tempo, para construir a vitória brasileira. Entre os dois gols do atacante palmeirense, o lateral Nilton Santos também guardou o seu, fechando o placar em 3 x 0.

Chile 1962: Outra vez, os mexicanos

  • Grupo 3: Brasil 2 x 0 México
(Foto: Divulgação/CBF)

Tirando um enorme peso das costas com a conquista inédita da Copa, a Seleção Brasileira chegava com pleno embalo e grande favoritismo para o Mundial do Chile, em 1962. Isso embora tenha vivido um ciclo caótico em sua primeira metade, com três treinadores comandando a seleção quase ao mesmo tempo, em torneios diferentes, até a saída de Vicente Feola em 1960. Para o seu lugar, retornou o técnico Aymoré Moreira.

Além disso, não faltavam problemas com o elenco, como a quase perda de Zagallo por conta de lesão, e as baixas de Orlando e Mazzola com relação ao time de 1958. Mesmo assim, a confiança era grande para mais uma estreia contra o México.

Dessa vez, a partida no estádio Sausalito, em Viña del Mar, acabou sendo mais amarrada e difícil do que as anteriores. Os mexicanos conseguiram levar um 0 x 0 para o intervalo, mas na etapa final, o talento de Pelé desequilibrou e decidiu o jogo, com um gol e uma assistência para Zagallo, fechando a estreia em 2 x 0 para o Brasil.

Inglaterra 1966: Pancadaria e a despedida de uma dupla

  • Grupo C: Brasil 2 x 0 Bulgária
(Reprodução: Museu do Futebol)

Para a Copa de 1966, disputada na Inglaterra, a sorte abandonou o Brasil. Mais uma vez, os bastidores e a preparação foram marcados pela bagunça, com o retorno de Vicente Feola, campeão de 58, para o comando da equipe. Com direito a confusão entre jogadores com o mesmo nome na primeira lista de convocados, a relação final teve cortes polêmicos e jogadores levados mais por história do que por boas condições, casos de Garrincha e Zito. Nomes como o atacante Amarildo, o substituto de Pelé em 1962, e o lateral Carlos Alberto Torres, ficaram de fora do Mundial.

Caindo em um grupo com três seleções europeias, a Seleção Brasileira ainda teve de lidar com outro desafio: a violência dos adversários. No jogo de estreia, disputado em 12 de julho contra a Bulgária, em Liverpool, Pelé foi caçado dentro de campo, apanhando por quase toda a partida. Ainda assim, o camisa 10 conseguiu abrir o placar aos 14 do primeiro tempo, e na etapa final, Garrincha decidiu a vitória brasileira por 2 x 0.

O triunfo contra os búlgaros foi o único da seleção naquela Copa, com a campanha terminando ainda na primeira fase. O jogo também marcou a última vez em que Pelé e Garrincha atuaram juntos – Pelé ficou fora da derrota contra a Hungria, enquanto Garrincha não entrou em campo na eliminação contra Portugal.

México 1970: O primeiro show do esquadrão

  • Grupo C: Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia
(Foto: Arquivo/Folha Imagem)

No passado, parecia regra dentro da Seleção Brasileira sofrer com preparações caóticas. Passado o fiasco na Copa de 1966, Pelé chegou a abandonar a seleção, voltando atrás em 1968. No ano seguinte, em meio a idas e vindas nos bastidores da CBD, o jornalista João Saldanha foi convidado para assumir o cargo de treinador, e na chegada, afirmou que o Brasil teria “onze feras” dentro de campo – no que ficaria conhecido como “As feras do Saldanha”

Depois de uma eliminatória impecável, o jornalista-treinador começou a se envolver em seguidas polêmicas, chegando a alfinetar o então presidente da República e ditador Emílio Garrastazu Médici, que pedia a convocação do atacante Dadá Maravilha. “Nem eu escalo o ministério e nem o presidente escala time”, disparou. Na sequência, foi procurar confusão com o técnico do Flamengo empunhando uma arma, e dentro de campo, viu o futebol da seleção definhar, além de um suposto boicote a Pelé por conta de uma miopia. Saldanha foi demitido em março, e Zagallo assumiu o comando há três meses da Copa no México.

Com um elenco galáctico, que terminaria o Mundial campeão e com o apelido de “esquadrão”, a Seleção Brasileira encarou a Tchecoslováquia no dia 3 de junho, no estádio Jalisco, em Guadalajara. A canarinho chegou a sair atrás, em gol de Petras, mas logo empatou com Rivellino. No segundo tempo, Jairzinho brilhou com dois gols, e Pelé, além de guardar um, criou a famosa expressão “O gol que Pelé não fez”, ao tentar um gol do meio-campo. No fim das contas, 4 x 1 no placar a favor do Brasil.

Alemanha Ocidental 1974: Um início frustrante

(Foto: Acervo CBF)

No ciclo para a Copa de 1974, na Alemanha Ocidental, não faltaram dores de cabeça para o Brasil, que deixou de contar com Pelé (aposentou-se da seleção), Tostão (deixou o futebol com um problema no olho) e Carlos Alberto Torres (lesões). Somado a isso, a falta de competições oficiais no período e a queda de rendimento da equipe – mesmo contando com alguns remanescentes do Tri em 70 – conturbaram o ambiente antes do Mundial. O técnico Zagallo chegou a culpar a imprensa pelas más atuações.

Com todo esse caos, a seleção partiu para defender seu título, levando nomes como Rivellino, Jairzinho e Ademir da Guia entre os principais destaques. A estreia na Copa ocorreu em 13 de junho, contra a Iugoslávia, no Waldstadion, em Frankfurt. E o Brasil, além de não vencer os iugoslavos, ainda jogou mal, com o empate de 0 x 0 saindo no lucro para a canarinho.

Argentina 1978: vitória tirada no apito

  • Grupo C: Brasil 1 x 1 Suécia
(Foto: Divulgação)

Zagallo deixou a Seleção Brasileira após o 4º lugar no Mundial de 74, e a primeira escolha da CBD, agora comandada por Heleno Nunes, foi o técnico Oswaldo Brandão, multicampeão pelo Palmeiras. Porém, após a queda na semifinal da Copa América de 1975 e de um empate sem gols contra a Colômbia em fevereiro de 1977, pelas eliminatórias, Brandão foi demitido, e quem assumiu foi Cláudio Coutinho, ex-supervisor da seleção.

Ainda com o talento e a experiência de Rivellino, e projetando para a seleção nomes como Reinaldo, Roberto DInamite e Zico, o Brasil chegava com força para o Mundial na Argentina – que vivia a ditadura do general Jorge Rafael Videla, e utilizou a competição para mascarar os horrores cometidos no país.

A estreia diante da Suécia, na cidade de Mar del Plata, em 3 de junho, não foi de encher os olhos. Porém, a atuação seria suficiente para vencer o duelo, não fosse por uma situação inacreditável: Sjoberg abriu o placar para os suecos aos 38 do primeiro tempo, Reinaldo empatou antes do intervalo, e no último lance da partida, Zico conferiu o escanteio cobrado por Nelinho. No entanto, o árbitro Clive Thomas invalidou o gol, alegando que apitou o final do jogo com a bola no ar. E assim, o Brasil acumulava duas Copas seguidas sem vencer a partida inicial.

Espanha 1982: Na raça e no talento individual

  • Grupo C: Brasil 2 x 1 União Soviética
(Foto: Getty Images)

Para 1982, realizada na Espanha, Cláudio Coutinho chegou a iniciar o ciclo, após um positivo 3º lugar no Mundial da Argentina. Para a disputa da Copa América de 1979, trouxe Sócrates e Falcão, e o lateral Júnior, mas a queda nas semifinais diante do Paraguai levou à mudança no comando técnico: saiu Coutinho, e veio Telê Santana. Junto com ela, o fim da CBD e a criação de organizações próprias para cada esporte, o que deu origem à CBF.

O começo de Telê foi conturbado, mas após a classificação tranquila nas eliminatórias, o Brasil decolou nos amistosos, a partir de mudanças feitas no time titular, chegando a golear a Irlanda por 7 x 0. Mesmo com o polêmico descarte de Emerson Leão, o corte de Careca a três dias da estreia, e rixas envolvendo Reinaldo e Roberto Dinamite durante o ciclo, a seleção entrou no Mundial empolgando a todos.

No estádio Ramón Sánchez Pizjuan, em Sevilha, Brasil e União Soviética foram a campo no dia 14 de junho, e a emoção foi muito maior do que o esperado. Aos 34 do primeiro tempo, Waldir Peres engoliu um frango e os soviéticos saíram na frente em gol de Bal, sustentando a vantagem por boa parte do jogo. Na falta da inspiração coletiva, coube a Sócrates empatar em um golaço aos 29 da etapa final, e somente aos 44 do segundo tempo, Éder virou o jogo e deu a vitória para o Brasil.

México 1986: No talento do doutor

  • Grupo D: Brasil 1 x 0 Espanha
(Foto: FIFA)

Contra a vontade do torcedor, Telê Santana deixou a seleção após a tragédia do Sarriá, e o Brasil passou dois anos sem se encontrar, comandada por Carlos Alberto Parreira e Edu Coimbra, antes das eliminatórias. Telê acabou convencido a retornar, classificou a seleção para a Copa sem problemas, mas teve que lidar com outras adversidades: Zico sofreu uma gravíssima lesão no joelho pouco antes do Mundial, Renato Gaúcho foi cortado por indisciplina, e em solidariedade a ele, Leandro desistiu da convocação. O meia Sócrates também não vinha em grande momento, após a passagem frustrante pela Fiorentina.

Embalada por um pacto de justiça após o insucesso de 1982, a canarinho estreou contra a Espanha no dia 1º de junho, no mesmo palco da Copa de 70: o estádio Jalisco, em Guadalajara. Em um jogo difícil, Sócrates voltou a decidir a favor do Brasil, com um gol solitário aos 16 minutos do segundo tempo.

Itália 1990: Vencendo, mas não convencendo

  • Grupo C: Brasil 2 x 1 Suécia
(Foto: Acervo CBF)

Com mais uma decepção, Telê Santana saiu de vez da seleção, abrindo caminho para Carlos Alberto Silva, que foi o comandante na medalha de prata nas Olímpiadas de Seul, em 1988, e revelou para a seleção nomes como Dunga, Romário e Taffarel. O treinador, porém, deixou o cargo no início de 1989, sendo substituído pelo novato Sebastião Lazaroni, que tocaria o barco até o Mundial da Itália.

Cercado de críticas, o Brasil voltou a vencer a Copa América jogando em casa, após 40 anos de jejum. Entretanto, nos últimos momentos de preparação, já em 1990, a seleção deu um vexame histórico ao perder de 1 x 0 para um combinado de jogadores da Umbria, região central da Itália, formado por jogadores da 3ª e 4ª divisão italianas. A empolgação brasileira para a Copa foi a menor em longos anos.

Com tudo isso, os comandados de Lazaroni estrearam na Copa contra a Suécia em 10 de junho, no antigo estádio Delle Alpi, em Turim. O atacante Careca abriu 2 x 0 para o Brasil, e na reta final do jogo, Brolin descontou para os suecos, fechando a questionada estreia brasileira em 2 x 1.

Estados Unidos 1994: O início do tetra

  • Grupo B: Brasil 2 x 0 Rússia
(Foto: Acervo CBF/FIFA)

Após o fiasco de Sebastião Lazaroni, a CBF apostou em Paulo Roberto Falcão para iniciar o ciclo de 1994, e o resultado foi desastroso: o Brasil só marcou um gol após cinco partidas, venceu apenas no sétimo jogo, e fez uma Copa América abaixo da crítica em 1991. Ainda naquele ano, Carlos Alberto Parreira foi chamado para seu lugar, acompanhado por Zagallo como coordenador.

Os primeiros jogos foram tranquilos, e indicavam o primeiro ciclo sem maiores dores de cabeça, até chegar o final de 1992: Romário se desentendeu com Zagallo e deixou de ser convocado antes das eliminatórias. Em junho de 1993, o Brasil perdeu para a Bolívia por 2 x 0 na altitude de La Paz, em sua primeira derrota na história das classificatórias, e tirou Romário do esquecimento na última rodada, temendo um novo Maracanaço diante do Uruguai. As críticas tomavam conta, e a seleção não chegava com grande moral na Copa dos Estados Unidos.

Em 20 de junho, com todo o elenco entrando de mãos dadas, o Brasil foi a campo diante da Rússia, em San Francisco. Com gol de Romário no primeiro tempo e pênalti convertido por Raí no segundo, veio uma boa vitória por 2 x 0 no pontapé inicial da Copa.

França 1998: Uma ajudinha adversária para vencer

  • Grupo A: Brasil 2 x 1 Escócia
(Foto: AFP)

Carlos Alberto Parreira deixou o comando da seleção depois do tetra, e passou a função para Zagallo, retornando ao posto após 20 anos. Em um ciclo marcado pela frustração nos jogos olímpicos de Atlanta e pelos títulos da Copa das Confederações e da Copa América, a seleção parecia ter o ataque dos sonhos, com Romário e Ronaldo em pleno auge. Após a conquista continental, Zagallo deu a histórica declaração para as câmeras: “vocês vão ter que me engolir”.

Na realidade, a seleção viu um controverso corte de Romário por conta de lesão, o descarte de Raí após uma histórica vaia no Maracanã, e críticas com relação a defesa. Ainda assim, o otimismo era grande para buscar o penta, e a seleção entrou empolgada no Stade de France em 10 de junho, contra a Escócia.

César Sampaio abriu o placar logo cedo, aos 5 do primeiro tempo, mas a Escócia empatou com Collins antes do intervalo. A vitória verde-amarela só veio na reta final do segundo tempo e em uma ajudinha de Boyd, marcando um gol contra para fechar o 2 x 1.

Coreia do Sul/Japão 2002: Com o dedo da arbitragem

  • Grupo A: Brasil 2 x 1 Turquia
(Foto: Getty Images)

A preparação para a Copa de 2002 foi a mais caótica possível dentro do futebol brasileiro, após um começo promissor com o título da Copa América de 99, que foi responsável por revelar Ronaldinho Gaúcho. O fracasso nas Olimpíadas de Sydney, em 2000, derrubou Vanderlei Luxemburgo, e Emerson Leão caiu com a obscura convocação do volante Leomar, do Sport, além de não melhorar a fraca campanha brasileira nas eliminatórias e fracassar na Copa das Confederações de 2001.

Luiz Felipe Scolari aceitou o segundo chamado da CBF, mas nem ele conseguiu dar jeito na seleção em um primeiro momento, comandando a eliminação vexatória para Honduras na Copa América de 2001. Conquistando uma classificação aos trancos e barrancos para o Mundial, Felipão comprou briga com todo o país ao levar um questionado Ronaldo Fenômeno e descartar a convocação de Romário – até mesmo o presidente Fernando Henrique Cardoso declarou apoio à ida do herói de 1994 para a inédita Copa em dois países. Não adiantou.

Longe de qualquer paz, o Brasil ainda perdeu o capitão Emerson nas vésperas da Copa, com uma lesão no ombro. Em meio a todo esse caos, a seleção foi ao gramado em Ulsan, na Coreia do Sul, para sua estreia contra a Turquia em 3 de junho. A seleção saiu atrás do placar em gol de Sas, e foi para o intervalo em desvantagem. Ronaldo empatou no início do segundo tempo, e em um pênalti mal marcado pelo árbitro no final do jogo, Rivaldo anotou o 2 x 1 e definiu a vitória brasileira.

Alemanha 2006: O pontapé inicial do quadrado mágico

  • Grupo F: Brasil 1 x 0 Croácia
(Foto: Júlio César Guimarães/Lancepress)

Na sequência do pentacampeonato, a seleção viveu uma entressafra, relegando nomes como Roque Júnior, Rivaldo, Cafu e Roberto Carlos, e promovendo a estreia de Adriano Imperador e Robinho. Carlos Alberto Parreira estava de volta ao comando, e assim como em 1994, junto com Zagallo. Entre partidas muito boas e atuações questionáveis, o Brasil venceu a Copa América em 2004 e a Copa das Confederações em 2005, esta que deu origem ao quadrado mágico, formado naquele momento por Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Adriano.

Porém, com o retorno dos veteranos de 2002, Cafu, Roberto Carlos e Ronaldo, que não vinham em grande fase, os resultados começaram a minguar, embora não tenham causado nenhum sufoco. O otimismo era gigante para a Copa na Alemanha, mas acabou se tornando exagerado durante a preparação na pacata cidade de Weggis, na Suíça.

Foi com esse embalo que o Brasil estreou no mítico Olympiastadion, em Berlim, contra a Croácia no dia 13 de junho. Faltou futebol do coletivo, com o quadrado mágico passando longe de empolgar, e sobrou para Kaká resolver no fim do primeiro tempo, fechando a estreia em um magro 1 x 0.

África do Sul 2010: Mais sofrimento do que a encomenda

  • Grupo F: Brasil 2 x 1 Coreia do Norte
(Foto: Jeff Mitchell/FIFA)

Para remediar a grande decepção de 2006, a CBF escolheu Dunga para comandar a Seleção Brasileira. Em meio a constantes grosserias com a imprensa, uma derrota inédita para a Venezuela e o fiasco nas olimpíadas de Pequim, o capitão do tetra conseguiu o título da Copa América em 2007, com um time inferior em relação à Argentina, e venceu a Copa das Confederações de 2009, em uma espetacular virada contra os Estados Unidos.

As grandes polêmicas acabaram ficando para a convocação, quando Dunga ignorou o clamor popular por Paulo Henrique Ganso e Neymar, além de relegar Ronaldinho Gaúcho, enquanto outros jogadores em baixa foram convocados e lesões assombravam os líderes do elenco. Mas com um ataque forte, liderado por Luis Fabiano e Robinho, e um adversário frágil, a expectativa era de uma grande estreia.

Em 15 de junho, na cidade de Joanesburgo, o Brasil enfrentava a misteriosa Coréia do Norte, retornando a uma Copa após 44 anos. Volume de jogo não faltou, mas os norte-coreanos deram mais trabalho do que o esperado, e o gol brasileiro só saiu aos 10 do segundo tempo, em um lance de raríssima felicidade do lateral Maicon. Elano ampliou o placar, e no finalzinho, a Coréia conseguiu um gol de honra, definindo o placar em 2 x 1.

Brasil 2014: Gol contra e uma nova ajudinha do árbitro

  • Grupo A: Brasil 3 x 1 Croácia
(Foto: Reuters)

Com toda a empolgação de uma Copa do Mundo em casa, o Brasil cambaleou durante a preparação, passando pela vexatória eliminação na Copa América de 2011, a demissão de Mano Menezes e o resgate de Felipão em meio ao clamor da torcida; com o técnico do penta, voltava também Carlos Alberto Parreira para a função de coordenador. Após o título da Copa das Confederações em 2013, escondendo alguns dos problemas evidentes na equipe, o Brasil foi em busca de um final diferente de 1950, liderada pelo talento destoante de Neymar.

Em 12 de junho, a novíssima Arena Corinthians recebia a abertura de uma caótica Copa do Mundo no Brasil, com a canarinho estreando novamente contra a Croácia. O que ninguém esperava era um gol contra de Marcelo aos 11 do primeiro tempo. Neymar empatou ainda na etapa inicial, e daí pra frente, a partida foi extremamente amarrada, com uma atuação pouco inspirada do Brasil. Até que o árbitro Yuichi Nishimura, aos 26 do segundo tempo, marcou um pênalti inexistente de Lovren em cima de Fred. Dizem que pênalti mal marcado não entra, e o goleiro Pletikosa chegou a tocar na bola cobrada por Neymar, mas ela entrou e virou o placar. Já nos acréscimos, Oscar finalizou de fora da área e fechou o caixão, definindo a vitória brasileira por 3 x 1.

Rússia 2018: O primeiro tropeço em 40 anos

  • Grupo E: Brasil 1 x 1 Suíça
(Foto: Joe Klamar/AFP)

Após o desastre do 7 x 1 e um verdadeiro caos nos bastidores com os escândalos na Fifa em 2015, o Brasil chegou a temer o risco de não jogar uma Copa do Mundo pela primeira vez na história. Isso até a chegada do técnico Tite, que substituiu Dunga e transformou a seleção da água para o champanhe, trazendo a classificação antecipada ao Mundial da Rússia.

Apesar de desfalque na zaga e de um Neymar voltando de lesão, a confiança era de ponta a ponta no futebol da Seleção Brasileira. E a decepção no dia 17 de junho, em Samara contra a Suíça, veio na mesma medida: Philippe Coutinho abriu o placar aos 20 do primeiro tempo, mas Zuber empatou no início da etapa final. O Brasil chegou a reclamar de um pênalti não marcado em Gabriel Jesus, mas não teve inspiração para voltar a frente, e pela primeira vez em 40 anos, não venceu uma estreia de Copa.

Qatar 2022: Sofrimento, e uma obra prima

  • Grupo G: Brasil 2 x 0 Sérvia
(Foto: Giuseppe Cacace/AFP)

Tite foi o primeiro técnico desde Claudio Coutinho a permanecer na seleção após um insucesso em Copas, mas diferente dele, foi pioneiro ao continuar no comando até a Copa seguinte. Isso apesar de críticas e da queda de desempenho em relação a 2018, incluindo um vice da Copa América de 2021 em pleno Maracanã para a Argentina, e um título aos trancos e barrancos dois anos antes, em 2019. Por outro lado, a seleção saiu invicta e na liderança disparada das eliminatórias em 17 jogos – o jogo contra a Argentina, em 5 de setembro de 2021, foi suspenso pela Anvisa.

Para a Copa do Mundo no Qatar, a seleção contou com grande renovação em meio ao surgimento de novos talentos, mesclados com remanescentes da Copa da Rússia, e um Neymar já em baixa, mas ainda liderando a equipe. Caindo em um grupo quase idêntico ao de 2018, o Brasil daria o seu pontapé inicial em Lusail no dia 24 de novembro, contra a Sérvia.

Depois de um primeiro tempo mais amarrado, com o Brasil tendo dificuldade em criar chances, a etapa final viu uma obra de arte assinada por Richarlison, aos 17 do segundo tempo, marcando um lindo gol de voleio. Não satisfeito, o atacante anotou outro gol aos 28 minutos e fechou a vitória verde-amarela por 2 x 0.

Estados Unidos/México/Canadá 2026: e agora?

  • Grupo C: Brasil x Marrocos
(Foto: Thiago Ribeiro/AGIF)

Neste sábado, o Brasil dá início a mais uma participação na Copa do Mundo, tentando evitar o maior jejum de sua história. Pela frente, um promissor Marrocos, semifinalista da Copa em 2022. A expectativa de todos, claro, é por mais uma vitória da Seleção Brasileira, e de preferência, com uma grande atuação e sem sofrimento.



Por Midia Ninja

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