O número de denúncias de violência contra pessoas LGBTQIA+ registradas pelo Disque 100 em São Paulo cresceu 20% em 2025, na comparação com o ano anterior. Foram 1.093 denúncias registradas ao longo do ano, contra 911 em 2024.
Os dados são oficiais e foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). A base disponibilizada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reúne registros do Disque 100 relacionados à discriminação contra pessoas LGBTQIA+ no estado de São Paulo, com informações até 31 de dezembro de 2025.
182 denúncias a mais em um ano
O crescimento representa 182 denúncias a mais em apenas um ano.
Em 2023, foram registrados 614 casos. O número passou para 911 em 2024 e chegou a 1.093 em 2025.
Na comparação com 2023, o aumento chega a aproximadamente 78%.
O ano de 2025, portanto, apresenta o maior número anual de denúncias registrado na série analisada.
O crescimento aparece ao longo do ano
Os registros não ficaram concentrados em apenas um período.
Em 2025, o Disque 100 contabilizou:
- Janeiro: 75 denúncias
- Fevereiro: 72
- Março: 84
- Abril: 68
- Maio: 86
- Junho: 89
- Julho: 87
- Agosto: 107
- Setembro: 103
- Outubro: 120
- Novembro: 79
- Dezembro: 123
Dezembro apresentou o maior número de denúncias do ano, com 123 registros. Outubro também chamou atenção, com 120 denúncias.
O que exatamente os dados medem?
A informação precisa ser lida com rigor.
O levantamento não permite afirmar que a violência real contra pessoas LGBTQIA+ aumentou exatamente 20%. O indicador analisado é o número de denúncias registradas pelo Disque 100.
Isso significa que o crescimento pode refletir tanto a ocorrência de novas situações de violência e discriminação quanto mudanças na disposição das pessoas para denunciar, no conhecimento sobre o serviço ou no acesso aos canais de denúncia.
Ainda assim, o aumento dos registros é um sinal concreto que precisa ser considerado pelo poder público.
A violência não termina na estatística
Os dados também permitem identificar os segmentos LGBTQIA+ presentes nos registros, os municípios onde as denúncias foram realizadas, características das vítimas e outras informações sobre as ocorrências.
São Paulo concentra parte importante dos registros, com 369 denúncias em 2025. Mas os números também alcançam municípios do interior e da Região Metropolitana, mostrando que a questão não está restrita à capital.
O levantamento, portanto, pode ajudar a responder uma pergunta fundamental para as políticas públicas: onde estão acontecendo as violações e quais grupos da população LGBTQIA+ estão sendo mais atingidos?
Um dado oficial que exige resposta
Os 1.093 registros de 2025 não representam simplesmente uma estatística. Eles representam pessoas que, em algum momento, procuraram um canal oficial para denunciar uma situação de violência ou discriminação.
Por isso, o crescimento de aproximadamente 20% precisa ser acompanhado de outra discussão: o que o Estado está fazendo depois que essas denúncias chegam?
Quantas são encaminhadas? Quantas resultam em atendimento? Quantas chegam às autoridades competentes? Quais municípios possuem políticas específicas de proteção à população LGBTQIA+?
Os dados oficiais obtidos pela Lei de Acesso à Informação ajudam justamente a abrir esse debate.
O aumento das denúncias em 2025 não deve ser ignorado — mas também não deve ser usado de maneira simplista. É um indicador oficial de que mais situações de violência e discriminação contra pessoas LGBTQIA+ chegaram ao sistema de denúncias do Estado brasileiro. E esse dado exige investigação, políticas públicas e respostas.

Fonte: Disque 100 / Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Dados oficiais obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), referentes às denúncias de discriminação contra pessoas LGBTQIA+ no estado de São Paulo, com registros até 31 de dezembro de 2025.
