Se você espera o “óbvio” de uma drag queen, você ainda não conhece Millanina Garcia. Em um cenário onde a arte transformista muitas vezes busca a perfeição plástica padronizada, Millanina surge como uma força da natureza, fundindo o lúdico com o político.
O nome é um manifesto em si: um trocadilho com melanina, celebrando a estética e a cultura negra, unido ao sobrenome Garcia, uma herança direta de sua família. “É o equilíbrio entre o artista e a minha criação”, revela Gabriel Garcia, a mente por trás da persona.
Muito Além do Close: Uma Experiência Sensorial
Para Millanina, subir ao palco não é apenas sobre “dar um show”, mas sobre entregar uma mensagem. Com uma veia teatral pulsante, ela seleciona cada música e cada movimento para provocar quem assiste.

“A experiência Millanina Garcia vem de um lugar onde o público não recebe o óbvio. É sobre provocar sensações, contar histórias e deixar algo em quem assiste.”
Seu processo criativo é guiado pelo feeling. Diferente de produções em série, ela constrói cada look e maquiagem baseada na pergunta: “O que eu quero comunicar hoje?”. O resultado é uma estética polida que mantém seus traços naturais, criando uma identidade visual que se tornou sua marca registrada em Limeira e região.
O Corpo Negro como Ato de Resistência
Em uma sociedade que impõe padrões rígidos de masculinidade, especialmente para homens negros, Millanina usa sua arte para quebrar correntes. Ao se apresentar como uma drag queen negra e barbada, ela desafia expectativas e homenageia as mulheres que a inspiraram.
- Representatividade: Um pilar central que celebra o povo preto.
- Liberdade: A performance da feminilidade sem abrir mão da autenticidade.
- Coragem: O ato de resistir através da arte no interior paulista.

“Ser uma drag queen negra já é um ato de resistência por si só”, afirma. Para ela, a montação é uma “máscara” que não esconde, mas revela uma nova entidade capaz de ocupar espaços muitas vezes negados.
O Brilho Pós-Parada: Limeira em Cores
Recentemente, Millanina foi um dos grandes destaques da 11ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Limeira, realizada no último dia 7 de dezembro. Como uma das poucas artistas locais com mais de seis anos de atuação contínua, sua participação teve um peso simbólico enorme.
O evento, que costuma enfrentar o conservadorismo típico das cidades do interior, foi o palco para o que ela chama de “o auge da experiência Millanina”. Com muita beleza e negritude, ela reforçou a importância de valorizar os talentos da casa que resistem sem incentivo oficial.
Para Millanina, a Parada já passou, mas o rastro de inspiração ficou: “É o nosso momento de união, de literalmente se ver. Quero que as pessoas vejam que existem outras como elas na cidade”.
Acompanhe a Artista
Quer ver de perto a construção dos looks e as próximas performances da Millanina?Dica da Redação: Fique de olho nas redes sociais da artista para conferir os bastidores dessa “entidade” que está redefinindo a cena drag no interior.




