MANIFESTAÇÃO COBRA RECOMPOSIÇÃO DE CUSTEIO E ATRASOS SALARIAIS NA ASSISTÊNCIA SOCIAL EM SÃO PAULO

Ghe Santos
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Profissionais da rede parceira da assistência social — vinculados a organizações da sociedade civil conveniadas à prefeitura — realizaram, na manhã desta semana, uma manifestação organizada pelo Fórum da Assistência Social de São Paulo (FAS-SP), na Câmara Municipal de São Paulo.

Após o ato inicial, os manifestantes seguiram em caminhada até a sede da Prefeitura de São Paulo, ampliando a pressão por respostas do poder público.


REIVINDICAÇÃO CENTRAL: CUSTEIO DEFASADO

O principal eixo da mobilização é a recomposição da chamada Tabela de Custeio da Assistência Social, que define os valores repassados às organizações responsáveis pela execução dos serviços.

Segundo o coordenador do FAS-SP, Francis Lisboa, os valores atuais estão defasados a ponto de comprometer o funcionamento básico dos serviços.

“Para se ter uma ideia, as organizações recebem R$ 2,47 para comprar um café para as crianças dos abrigos”, afirmou.

O dado expõe o nível de estrangulamento financeiro enfrentado pelas entidades que operam diretamente na ponta do atendimento.


ATRASOS NO REPASSE DO DISSÍDIO

Outro ponto crítico apresentado na manifestação é o atraso no repasse do dissídio salarial da categoria.

Os reajustes, acordados desde 2023, ainda não foram integralmente pagos, gerando acúmulo de valores retroativos entre julho de 2023 e abril de 2024.

A situação tem provocado instabilidade financeira tanto para trabalhadores quanto para as organizações responsáveis pelos serviços.


Além das pautas financeiras, os manifestantes também cobraram:

  • transparência na gestão dos recursos da assistência social
  • esclarecimentos diante de denúncias de irregularidades na pasta
  • abertura de diálogo com a gestão municipal

A principal cobrança política é direcionada à secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Eliana Maria das Dores Gomes.

Segundo os organizadores, há dificuldade de interlocução direta com a gestão.


REDE PARCEIRA NO CENTRO DO CONFLITO

A mobilização evidencia a centralidade da chamada rede parceira, formada por organizações sociais que executam grande parte dos serviços socioassistenciais do município por meio de convênios.

Essas entidades são responsáveis por:

  • abrigos
  • serviços de acolhimento
  • atendimento a famílias em vulnerabilidade
  • ações com população em situação de rua

A defasagem nos repasses impacta diretamente a operação desses serviços.


A manifestação do Fórum da Assistência Social de São Paulo coloca em evidência um cenário de tensão na assistência social paulistana, marcado por:

  • custeio considerado insuficiente
  • atrasos salariais acumulados
  • cobrança por transparência
  • dificuldade de diálogo com a gestão

No centro do debate está a sustentabilidade de uma política pública que depende diretamente da rede conveniada para funcionar.

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