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Cultura Éric Tomas Inhaí Samba

“Eu AINDA ESTOU Aqui” – Leci Brandão é Doutora Honoris Causa pela UFSCar

Eu ainda estou aqui”, foi assim que Leci Brandão da Silva, aos 81 anos de idade e 50 de carreira, entrou para a história…

Eu ainda estou aqui”, foi assim que Leci Brandão da Silva, aos 81 anos de idade e 50 de carreira, entrou para a história ao receber o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de São Carlos.

O cerimonial, coordenado pelo historiador Robson Pereira da Silva (UFSCar), abriu a noite lembrando ose versos que atravessam gerações, do LP Essa Tal Criatura (1980),Não cala o cantor:

Encaminhem quem não sabe ler a conhecer a palavra amor, e conduza quem sabe escrever a estudar muito mais, sempre, até ser doutor.”

Leci não imaginava que depois da virada do século, a menina magrinha compositora da Mangueira, filha de Antônio e dona Leco (com Y), seria chamada de Doutora por toda uma universidade pública.

Em gratidão, Leci iniciou seus agradecimento como sempre fez: com fé.

Entoou o “Que Deus lhe pague”, saudação que abre giras de Umbanda, desejando paz, saúde, benquerer e proteção.

Porque o canto de Leci não é apenas música é reza, é guia, é fio condutor.
Conduz energia entre público e palco, entre eleitor e parlamentar.
Em processo de recuperação Leci conduz o bordão que virou símbolo de resistência:
“Eu ainda estou aqui.”

Aqui com ose movimentos socais, com a banda Sampagode, com ose fãs, com a equipe, com o Quilombo da Diversidade, com todo mundo que a abraça e com quem ela abraça de volta e recebe AXÉ .

Quando entrou no auditório, vestida nas cores de Oxum e usando uma manta nas cores de Ogum, dono do seu Ori, o público explodiu em palmas.

A plateia vibrou ainda mais ,quando alguém lhe entregou um LP antigo, e Leci lembrou das família pretas que, aos sábado, enceravam o piso vermelho, passavam escovão e sentavam as criança nas flanelas para que o chão virasse espelho ritual de cuidado, zelo, dignidade e afeto de quem teve um lar .
Era ouvindo Fundo de Quintal, Zé do Caroço, Papai Vadiou que essas família marcavam o tempo da vida.

Porque as letras de Leci sempre foi o que pavimentou, cultura nas ruas, vielas, morros, botequim, rádio, praça, estádio, cadeia, quadras e comício.
O samba foi diálogo com o povo e defesa do povo.

Leci lembrou que foi uma criança que sofreu racismo na escola.
A único criança preta da sala, chamada de “tiziu” só depois descobriu que tiziu é um pássaro preto.

Transformou dor em luta e luta em música e indignada com a precariedade.
Compôs É a Lei é a lei:

Me dê uma escola, quem sabe melhora essa minha cultura
E um bom hospital, pois eu sei que esse mal de repente tem cura.”

E quando soube do silenciamento da voz do líder comunitário no Morro do Pau da Bandeira, calado para que a madame assistisse à novela, pegou seu Fiat e, do Leme à Tijuca, escreveu Zê do Caroço, denunciante e imortal.

Contra o racismo, a LGBTfobia e o apagamento

Em seu discurso, reanimou o combate ao racismo religioso, à LGBTfobia e a todas as violência que atingem corpos pretos e periférico:

“Eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer. “como diz Evaristo Conceição .

Defendeu nossos saberes, terreiros, voduns, inquices, caboclo e encantado.
Disse que nascer mulher preta, nascer homem preto, é ser colocado injustamente em lugar de subalternização, ouvindo que nossa pele é inferior e que nossa fé é atraso.
Por isso pediu aplauso e respeito a todas as religiões.

Aos orixá, pediu proteção.
À memória de sua mãe, pediu bênção para que pudesse ter força para receber o título de Doutora .

E afirmou que esse título esse reconhecimento prova que pessoas pretas hoje podem sonhar onde antes lhe foi negado sonhar, por falta de acesso à universidade.
Disse que a sabedoria está nos olhos do povo.
E que ainda acredita que o Brasil pode, um dia, ser um país de bem viver.

Porque sua política sempre nasceu do canto, e seu grito vem da música, legitimado pelos movimentos socais, pela comunidade negra, pelas periferia.
A música de Leci Brandão da Silva virou teoria do povo.

E, por fim, com a chama da menina magrinha de outrora, a mesma de 50 anos atrás, concluiu com a força que só quem atravessou tudo pode dizer:

Eu sou filha da dona Leci.
Passei por muita coisa em 2025.
Mas eu ainda estou aqui.
EU AINDA ESTOU AQUI!.”

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Éric Tomas

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