Entenda o protocolo da FIFA para tempestades durante a Copa do Mundo

Portal Inhaí
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Por Maria dos Santos – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

A possibilidade de uma partida da Copa do Mundo ser interrompida por condições climáticas adversas integra o planejamento operacional da FIFA. Em um torneio disputado em três países, com jogos realizados em diferentes fusos horários, altitudes e regiões climáticas, o monitoramento das condições meteorológicas ganha peso na organização da competição. Na edição de 2026, sediada por Estados Unidos, Canadá e México, a entidade estabelece protocolos específicos para reduzir riscos em casos de tempestades com descargas elétricas, chuvas intensas, ventos fortes ou qualquer outro fenômeno que possa colocar em risco a segurança dentro e no entorno dos estádios. 

O caso mais emblemático até agora aconteceu na última segunda-feira, 22 de junho, durante a partida entre França e Iraque, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia. A partida precisou ser interrompida por um longo período depois que uma tempestade com raios atingiu a região do estádio. Embora as condições do gramado permanecessem adequadas para a prática do futebol, o risco provocado pelas descargas elétricas levou à suspensão temporária do jogo. Foi a primeira interrupção por motivos climáticos registrada nesta Copa do Mundo.

A decisão de interromper uma partida não cabe exclusivamente ao árbitro. Embora ele seja a autoridade máxima dentro das quatro linhas, a definição ocorre de forma conjunta entre a equipe de arbitragem, o delegado da FIFA, especialistas responsáveis pelo monitoramento meteorológico e a equipe de segurança do estádio. Todos acompanham, em tempo real, informações fornecidas por radares meteorológicos, sistemas de detecção de raios e órgãos oficiais de meteorologia. O objetivo é identificar qualquer situação que possa representar risco antes que ela afete jogadores, arbitragem, funcionários, equipes de transmissão e o público presente.

No caso específico de tempestades com raios, a FIFA segue um protocolo baseado em normas internacionais de segurança amplamente utilizadas em grandes eventos esportivos nos Estados Unidos. Quando há registro de descargas elétricas dentro da área considerada de risco nas proximidades do estádio, a partida pode ser imediatamente interrompida, independentemente do tempo de jogo ou da importância do momento da partida. Não é necessário que a chuva seja intensa ou que um raio atinja o estádio; basta que exista possibilidade real de incidência de descargas na região.

Após a paralisação, inicia-se um período de monitoramento contínuo. O reinício da partida somente é autorizado quando as autoridades responsáveis concluem que a ameaça passou. Em geral, é necessário aguardar um intervalo mínimo sem novos registros de raios na área de risco antes da liberação do retorno ao campo. Se novas ocorrências forem registradas nesse período, o protocolo determina o reinício da contagem do tempo de espera, o que pode prolongar a interrupção da partida. 

Enquanto a situação é avaliada, uma série de procedimentos é colocada em prática para preservar a segurança de todos os envolvidos. Os jogadores retornam aos vestiários, onde permanecem até uma nova orientação. Árbitros, membros das comissões técnicas, profissionais de imprensa, voluntários e equipes operacionais também deixam áreas expostas. Ao mesmo tempo, os sistemas de som e os telões do estádio informam os torcedores sobre a paralisação e orientam o deslocamento para áreas cobertas ou protegidas, evitando permanência em arquibancadas abertas, corredores externos ou locais sujeitos à incidência de raios.

Essas medidas fazem parte de um protocolo que prioriza a prevenção. Ao contrário do que muitas vezes acontece em competições menores, a decisão não depende apenas da percepção visual das condições do tempo. Mesmo quando a chuva diminui ou o céu aparenta estar mais aberto, os sistemas de monitoramento continuam analisando a atividade elétrica na atmosfera antes que a partida seja retomada.

Caso as condições meteorológicas permaneçam inseguras por um período prolongado, existe ainda a possibilidade de adiamento da partida. Nessa situação, a FIFA avalia fatores como a previsão de melhora do tempo, a logística das equipes, a disponibilidade do estádio, o calendário da competição e os impactos para transmissões e deslocamentos. A prioridade, no entanto, permanece sendo a segurança. O cronograma esportivo só é considerado depois que o risco é descartado.

O episódio envolvendo França e Iraque ilustra como essas decisões deixaram de ser apenas uma resposta emergencial para integrar a organização do torneio desde o planejamento inicial. Em uma Copa do Mundo realizada durante o verão do Hemisfério Norte, período marcado por tempestades convectivas frequentes em diversas cidades norte-americanas, interrupções desse tipo já eram tratadas como uma possibilidade real pelos organizadores.

A expectativa é de que situações semelhantes possam ocorrer ao longo da competição, especialmente em sedes onde a combinação de calor, umidade e instabilidade atmosférica favorece a formação rápida de tempestades. Nesses casos, o protocolo estabelece que nenhuma decisão relacionada ao andamento da partida se sobrepõe à proteção de atletas, árbitros, trabalhadores e torcedores, tornando a segurança o principal critério para definir quando um jogo pode continuar ou precisa esperar.



Por Midia Ninja

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