ELLA Norte reuniu mulheres amazônidas em Belém e fortaleceu feminismos a partir dos territórios

Portal Inhaí
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Por Luiza Amâncio

Nos dias 7 e 8 de agosto, Belém recebeu o ELLA Norte – Encontro Amazônico de Feminismos, etapa regional da gira nacional do Planeta ELLA. O evento marcou a chegada da Comunidade ELLA à capital paraense, dando início ao circuito do projeto pela Amazônia.

O encontro foi pensado para mulheres da região amazônica, com rodas de conversa, espaços de escuta e afeto, vivências e manifestações artísticas. Os temas das trilhas giraram em torno do cuidado de si e dos territórios, dos caminhos para uma economia que sustente a vida das mulheres, do enfrentamento a diferentes formas de violência e da força da arte como instrumento de resistência.

 A programação se dividiu em dois momentos. Na sexta-feira, dia de abertura, as boas-vindas foram conduzidas pela Rede ELLA, seguidas da apresentação da DJ Bem Bruxona, com uma atividade aberta ao público. Já o sábado foi dedicado às trilhas temáticas, com vivências e expressões artísticas ao longo do dia, encerrando com o show de Larissa Mê e banda e uma jam de mulheres artistas.

Ao todo, quatro trilhas conduziram as discussões do encontro. A Trilha 1, “Cuidar de si, das outras e do território”, teve como foco a saúde mental, o cuidado coletivo e a sobrecarga feminina. A Trilha 2, “A floresta também é corpo”, tratou do racismo ambiental, da defesa territorial e dos saberes tradicionais de mulheres do campo, indígenas, ribeirinhas e periféricas. Já a Trilha 3, “Renda também é liberdade”, discutiu autonomia econômica, economia criativa e redes solidárias entre mulheres. Por fim, a Trilha 4, “Nossos corpos, nossos territórios e arte como resistência”, abordou o enfrentamento à violência a partir de gênero, raça e território, além do papel da arte e da articulação coletiva como ferramentas de incidência política.

 Mediadora dessa última trilha, a artista Naiara Jinknss falou sobre como a arte se torna caminho de resistência para mulheres, sobretudo em contextos marcados por desigualdades de poder, raça e território. “A gente vive nesse mundo tão cruel, tão de homem, tão branco, que é sempre das mesmas coisas. Estou falando de poder,  de raça e de território”, afirmou. Nascida em Belém do Pará, ela contou que enxerga sua própria identidade e seu território a partir das artes: “Eu enxergo a minha vida, o entendimento da minha identidade, do meu território, através das artes.”

Para Naiara, linguagens como fotografia, grafite e colagem funcionam como ferramentas de expressão diante de violências cotidianas que muitas vezes não encontram outra saída. “A gente engole muita coisa, come muita coisa, vive muita coisa, e esses sentimentos não se organizam de um jeito direito dentro da gente. Pode até se transformar numa doença”, disse. É nesse ponto que ela situa o papel transformador da arte: “Quando a gente dialoga através das artes eu acho que temos uma saída para fazer algo diferente, repensar a história e o nosso protagonismo, de uma maneira que a gente possa colaborar com a nossa cidade, com o nosso estado.”

Territórios que se fortalecem

Carol Freitas, coordenadora de eventos da comunidade ELLA, destacou o peso simbólico de levar o projeto à Região Norte pela primeira vez. “Está sendo muito especial porque é a primeira vez que a gente leva o ELLA para uma abrangência territorial tão grande, vamos às cinco regiões do Brasil”, afirmou. Segundo ela, essa etapa cumpre um papel importante na construção de encontros futuros, inclusive o internacional: “Eu acredito que a gente vai mais consciente dos nossos processos internos”.

Para Carol, entender as particularidades de cada território é parte essencial do projeto: “É muito importante vir à região Norte para entender como estão essas questões, para depois ir nas outras regiões e juntar tudo em um grande mosaico, celebrar essa diversidade e conhecer o Brasil de uma forma mais profunda”, afirmou. 

Sobre o que as trilhas e vivências do encontro revelam sobre o propósito do ELLA, a coordenadora ressaltou a força das mulheres amazônidas: “As mulheres amazônidas, são muito fortes, e acho que é muito bem-vindo que a gente possa mostrar um pouco dessa força, dessa fortaleza, dessa fortitude para o resto do Brasil”, declarou. Carol observou ainda que essa força carrega uma relação profunda com o território: “Elas trazem as matas com elas, elas trazem os rios, mesmo as mulheres urbanas trazem isso na essência, na ancestralidade”, concluiu.

Com o encerramento do ELLA Norte, a gira regional do Planeta ELLA segue seu circuito pelo país. A próxima parada é o ELLA Centro-Oeste, que acontece nos dias 14 e 15 de agosto, em Cuiabá, dando continuidade ao mapeamento das pautas femininas em cada região do Brasil antes do encontro internacional.



Por Midia Ninja

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