Do território à tecnologia: Cura da Terra reúne lideranças indígenas de Abya Yala

Portal Inhaí
3 Min Read


Mulheres e dissidências indígenas de diferentes territórios de Abya Yala e do Caribe participam, neste sábado (5), de uma nova edição do Cura da Terra, Encontro Global de Mulheres e Dissidências Indígenas para Curar o Corpo, Território e Espírito. A programação começa às 10h no México e às 13h no Brasil.

Em seu sexto aniversário de articulação regional, Cura da Terra reunirá mais de dez lideranças indígenas dos povos Maya Mam, Zapoteca, K’iche, Náhuatl, Guarani, Pipil, Ayuujk, Kichwa, P’urhépecha e Lukaîrí. A programação contará ainda com participação especial da rapper Mare Advertencia.

Construído em colaboração com organizações e coletivas do Brasil, Equador, Guatemala e México, o encontro busca fortalecer um espaço regional de diálogo e intercâmbio entre diferentes epistemologias, experiências e formas de organização dos povos indígenas.

A edição de 2026 é resultado de um processo de escuta realizado a partir da metodologia do hackeio cultural. As reflexões foram organizadas em quatro eixos: organização antipatriarcal, cuidados transfronteiriços, autonomia tecnológica e resistência anticolonial.

Machismo também atravessa os movimentos

O primeiro eixo parte do reconhecimento de que práticas machistas e violências contra mulheres e dissidências continuam presentes inclusive em organizações comunitárias e movimentos dedicados à defesa dos territórios. A proposta é pensar a cura da Terra também a partir da transformação dessas relações e estruturas internas.

Os cuidados transfronteiriços, por sua vez, colocam no centro os impactos dos deslocamentos forçados, do exílio de defensoras criminalizadas e da militarização das fronteiras. Experiências de diáspora, retorno aos territórios e recuperação das línguas aparecem como caminhos para reconstruir vínculos fragmentados.

Tecnologia e novas formas de extrativismo

Outro debate será sobre autonomia tecnológica. O encontro propõe discutir os impactos da infraestrutura digital e da inteligência artificial sobre os territórios, incluindo centros de dados que demandam água e energia, mecanismos de vigilância contra defensoras e plataformas digitais que podem se apropriar e esvaziar narrativas indígenas.

O quarto eixo, resistência anticolonial, busca conectar processos históricos de colonização às violências que permanecem no presente. Assassinatos e encarceramentos de defensoras e defensores, genocídios, ecocídios e guerras são compreendidos como parte de continuidades que atravessam mais de cinco séculos.

Cura da Terra se consolidou, ao longo de seis anos, como um espaço de articulação que busca dar visibilidade às soluções construídas nos próprios territórios. Nesta edição, o chamado volta-se à construção coletiva de alternativas diante do agravamento das violências.

“Convidamos vocês a unirmos nossos pensamentos, nossas palavras e nossas ações”, afirma a convocatória. O encontro também propõe honrar a memória das ancestrais e defender as gerações que ainda estão por nascer: “Somos tão diversas quanto as gotas de um rio e, juntas, somos a cura da terra.”



Por Midia Ninja

Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *