Copa da exclusão? Seis polêmicas fora de campo marcam o Mundial de 2026

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Por: Larissa Cristovão

Antes mesmo de consagrar seus primeiros heróis dentro das quatro linhas, a Copa do Mundo de 2026 já acumula uma série de episódios que colocam em xeque um dos principais valores defendidos pela FIFA: a integração entre nações. Vistos negados, inspeções consideradas excessivas, denúncias de discriminação e até a censura de um uniforme transformaram os bastidores do torneio em alvo de debates internacionais.

Enquanto milhões de torcedores acompanham as partidas, delegações de diferentes países relatam dificuldades para entrar nos Estados Unidos, principal sede da competição. Alguns casos ganharam repercussão global e levantaram questionamentos sobre a aplicação das políticas migratórias durante o Mundial.

1. Árbitro somali fica fora da Copa após ser barrado

Eleito o melhor árbitro africano de 2025, Omar Artan viu o sonho de participar de uma Copa do Mundo ser interrompido antes mesmo do início da competição. Barrado ao tentar entrar nos Estados Unidos, o somali acabou retirado da equipe de arbitragem da FIFA.

Ao retornar para Mogadíscio, Artan foi recebido por centenas de pessoas no aeroporto e tratado como herói nacional. A frase “sou apenas um árbitro tentando realizar seu maior sonho” ganhou repercussão nas redes sociais.

2. Breel Embolo tem visto negado às vésperas do torneio

O atacante suíço Breel Embolo também enfrentou dificuldades para ingressar nos Estados Unidos. Dias antes da estreia da Suíça, o jogador teve o visto negado em razão da revisão de um processo judicial.

A situação foi revertida posteriormente, permitindo que o atleta se juntasse à delegação. Ainda assim, o episódio acendeu discussões sobre a insegurança enfrentada por atletas e equipes durante a competição.

3. Revista em jogadores do Senegal gera críticas

Imagens de atletas da seleção senegalesa sendo submetidos a revistas de segurança em um aeroporto norte-americano viralizaram nas redes sociais. Nas gravações, os jogadores aparecem retirando os sapatos e passando por detectores de metal.

As cenas provocaram críticas e levantaram questionamentos sobre possível tratamento discriminatório contra delegações africanas. Posteriormente, a Federação Senegalesa esclareceu que o procedimento ocorreu antes do embarque para agilizar a chegada da equipe ao destino final.

4. Restrições atingem integrantes da delegação iraniana

Embora os jogadores da seleção iraniana tenham conseguido autorização para entrar no país, integrantes da comissão técnica e da estrutura da equipe tiveram os vistos negados.

Diante das dificuldades, a delegação optou por estabelecer sua base de preparação no México. Especialistas em direito desportivo apontaram que a situação levanta dúvidas sobre o cumprimento dos compromissos assumidos pelo país-sede junto à FIFA.

O atacante Mehdi Taremi lamentou o clima vivido durante o torneio. “Participei de três Copas e sempre dizem que, quando você desembarca no país-sede, existe uma atmosfera única de amizade e integração. Infelizmente, não estou sentindo isso agora”, declarou.

5. FIFA manda Haiti alterar uniforme por “conteúdo político”

A seleção do Haiti foi obrigada a modificar sua camisa oficial poucos dias antes da estreia. Segundo a FIFA, o uniforme continha elementos considerados políticos.

A decisão gerou críticas porque a peça homenageava a independência haitiana e trazia referências à Batalha de Vertières, considerada um dos principais símbolos da luta contra o colonialismo francês.

6. Uzbequistão passa por fiscalização rigorosa

A seleção do Uzbequistão também relatou ter sido submetida a uma inspeção de segurança rigorosa, envolvendo cães farejadores, detectores de metal e revistas de bagagens.

O técnico Fabio Cannavaro questionou o fato de o procedimento ter ocorrido apenas com sua delegação. “Disseram-me que estas eram as regras, mas no final a inspeção ocorreu apenas com a gente, então achei curioso. O motivo precisa perguntar para eles”, afirmou.

ONU critica práticas migratórias durante a Copa

As polêmicas chegaram às organizações internacionais. Nesta quarta-feira (10), o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, criticou as práticas migratórias adotadas durante a realização do Mundial e pediu uma reflexão sobre os impactos dessas políticas.

“Espero sinceramente que haja uma profunda reflexão sobre como a aplicação das leis de imigração afetam os direitos humanos e a dignidade humana”, declarou.

Mais do que uma competição esportiva, a Copa de 2026 vem expondo tensões políticas, desigualdades e barreiras que ultrapassam as fronteiras do futebol. Em um torneio que se apresenta como símbolo da união entre os povos, os episódios registrados até agora mostram que nem todos estão encontrando as mesmas portas abertas.



Por Midia Ninja

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