A 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto começa nesta quinta-feira (25), em Ouro Preto (MG), com uma cerimônia de abertura marcada por uma performance audiovisual inédita inspirada nos primeiros gestos da criação e da memória. Considerada o principal evento brasileiro dedicado à preservação, à história e à educação audiovisual, a mostra acontece até o dia 30 de junho com programação gratuita distribuída em diferentes espaços da cidade histórica.
Realizada sob o tema “Um país existe nas imagens que preserva”, a edição de 2026 propõe uma ampla reflexão sobre a importância da memória audiovisual na construção da identidade cultural brasileira. A abertura oficial será realizada às 19h30, no Cine-Praça, instalado na Praça Tiradentes, reunindo artistas, músicos, estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e convidados em uma apresentação concebida por Chico de Paula e Raquel Hallak.
A performance foi construída a partir dos conceitos que orientam as três temáticas centrais da CineOP neste ano: Preservação, com o eixo “Primeiros gestos na preservação audiovisual: práticas, memórias e futuro”; História, com “Como elas começaram? Memórias do primeiro filme”; e Educação, sob o tema “Primeira vez: cinema, descoberta e invenção”.
Segundo o diretor Chico de Paula, a proposta busca traduzir, por meio de sons, imagens, música e movimento, as experiências inaugurais que antecedem os processos criativos. Em diálogo com o conceito central da mostra, a apresentação estabelece conexões simbólicas entre a criação da vida, do cinema e da memória, explorando a ideia dos instantes fundadores que precedem os acontecimentos.
“A gente construiu a abertura desse ano muito baseada nessa questão da primeira vez, da primeira experiência, do primeiro momento, do momento que antecede o fato, o acontecimento”, explica o diretor. “Então, a gente vai partir da criação do mundo, da criação do cinema, da criação da vida.”
Outro aspecto destacado pela equipe artística é a valorização da presença feminina nos processos criativos, em sintonia com a Temática Histórica da edição. A performance propõe um olhar para a criação como um gesto feminino, ressaltando o protagonismo das mulheres na construção da memória e da linguagem audiovisual.
Participam da apresentação artistas ligados à cena cultural mineira, entre eles o músico André Pelisser, a cantora e atriz Eda Costa, o ator e cantor Fábio Pádua, o músico João Avelar, a atriz e diretora Maíra Lana, a cantora Thaiz Cantasini e o ator Tiago Valentim. A cerimônia terá condução do ator e dramaturgo David Maurity, trilha sonora ao vivo da DJ Fê Linz e intervenções visuais assinadas pelo VJ Gabriel Fix.
Homenagem celebra trajetória pioneira de Helena Solberg
A noite de abertura também será marcada pela homenagem à cineasta Helena Solberg, uma das figuras mais importantes da história do cinema brasileiro e pioneira entre as mulheres diretoras do país. A realizadora receberá o Troféu Vila Rica e terá parte de sua obra exibida ao longo da programação.
Logo após a cerimônia, o público acompanhará uma sessão especial dedicada à homenageada, com a exibição dos curtas “A Entrevista” (1966) e “Meio-Dia” (1970), obras fundamentais para compreender os primeiros passos da cineasta e sua contribuição para o cinema feminista brasileiro.
A homenagem se estende por toda a programação da CineOP, que revisita diferentes momentos da carreira de Solberg. Entre os destaques está o documentário “Carmen Miranda: Bananas Is My Business” (1995), obra que reavalia a trajetória da artista brasileira internacionalizada por Hollywood e considerada um dos trabalhos mais reconhecidos da diretora.

Programação reúne 135 filmes e atividades voltadas à memória audiovisual
Ao longo de seis dias, a CineOP exibirá 135 filmes, sendo 33 longas-metragens, quatro médias e 98 curtas, distribuídos em 42 sessões. A programação contempla produções de 18 estados brasileiros e de seis países, reafirmando o caráter plural e abrangente da mostra.
As exibições acontecem em três espaços principais: o Cine-Teatro Petrobras, no Centro de Artes e Convenções da UFOP; o Cine-Praça, na Praça Tiradentes; e o Cine-Museu, instalado no Anexo do Museu da Inconfidência. Parte das atividades também poderá ser acompanhada gratuitamente pela plataforma online da mostra.
Entre os destaques da programação está a Mostra Competitiva Contemporânea Arquivos em Questão, que reúne cinco longas-metragens em pré-estreia nacional construídos a partir do uso criativo de imagens de arquivo. A seleção inclui “Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas”, de Carlos Adriano; “Apocalipse Segundo Baby”, de Rafael Saar; “Universo Circular – Jocy de Oliveira”, de Dácio Pinheiro; “Irritante Prodígio”, de Luiza Lindner; e “Notas sobre um Desterro”, de Gustavo Castro.
A Mostra Histórica, por sua vez, propõe um percurso pelos filmes inaugurais de realizadoras brasileiras, apresentando títulos como “Feminino Plural”, de Vera de Figueiredo; “Mar de Rosas”, de Ana Carolina; “Que Bom Te Ver Viva”, de Lucia Murat; “Um Céu de Estrelas”, de Tata Amaral; e “Um Dia com Jerusa”, de Viviane Ferreira.
Já a Mostra Preservação exibe obras restauradas e filmes que refletem sobre a própria atividade de preservar imagens. Entre os destaques estão “O Ébrio”, clássico dirigido por Gilda Abreu e restaurado em 4K, “Vento Norte”, de Salomão Scliar, e o documentário “Os Irmãos Segreto”, dedicado aos pioneiros do audiovisual brasileiro.
Na área de Educação, a programação reúne produções realizadas em contextos escolares e projetos formativos, reforçando o compromisso da CineOP com a formação de público e o uso do audiovisual como ferramenta pedagógica.
Além das exibições, a mostra promove debates, oficinas, masterclasses internacionais, lançamentos de livros, exposições, encontros profissionais, apresentações musicais, atividades voltadas ao público infantil e a tradicional Festa Junina da CineOP.
Saiba mais detalhes sobre a programação no site oficial do evento.
