Cine Ninja Indica: 19 filmes sobre território, memória e resistência indígena

Portal Inhaí
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O 19 de abril marca o Dia dos Povos Indígenas, uma data que vai muito além da celebração simbólica: ela é um chamado à escuta, ao reconhecimento e, sobretudo, à ação. Instituída a partir do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado em 1940 no México, a data ganha novos contornos no presente, especialmente após a mudança oficial de nomenclatura em 2022, deixando para trás o termo “Dia do Índio” e adotando uma expressão mais plural, precisa e respeitosa diante da diversidade de povos originários que habitam o país.

Falar dos povos indígenas hoje é, inevitavelmente, falar de luta. Da defesa inegociável dos territórios à resistência contra o avanço do garimpo ilegal, do desmatamento e da violência estrutural, as comunidades indígenas seguem na linha de frente de uma disputa que é também ambiental, política e civilizatória. Em um contexto de emergência climática e de constantes ameaças a direitos constitucionais, suas vozes ecoam como fundamentais para repensar o futuro — não apenas do Brasil, mas do planeta.

É nesse cenário que o cinema e o audiovisual se afirmam como ferramentas potentes de memória, denúncia e existência. Mais do que registrar, essas obras constroem narrativas, tensionam apagamentos históricos e reivindicam outras formas de ver e estar no mundo.

E, cada vez mais, esse movimento passa pelo fortalecimento de produções realizadas pelos próprios povos indígenas, que ocupam o cinema não como objeto, mas como sujeitos de suas histórias, imagens e discursos.

A lista a seguir reúne longas e curtas-metragens que atravessam diferentes territórios, estéticas e perspectivas, compondo um mosaico urgente e necessário do cinema indígena e de filmes aliados a essa causa. São obras que não apenas documentam realidades, mas afirmam cosmologias, denunciam violências e projetam futuros possíveis, convidando o público a enxergar o Brasil a partir de outras lentes.

“Raoni” (1978)

Direção: Jean-Pierre Dutilleux, Luiz Carlos Saldanha
Onde assistir: Libreflix
Sinopse: O documentário acompanha a liderança indígena Raoni em sua luta pela preservação da Amazônia e dos territórios indígenas, tornando-se um marco internacional de denúncia ambiental.

“Corumbiara” (2009)

Direção: Vincent Carelli
Onde assistir: YouTube
Sinopse: A obra investiga um massacre de indígenas isolados em Rondônia, expondo décadas de violência, apagamento e disputa por terras no Brasil.

“Xetá” (2010)

Direção: Fernando Severo
Onde assistir: Libreflix
Sinopse: O filme resgata a história do povo Xetá, praticamente dizimado no Paraná, revelando memórias, traumas e tentativas de reconstrução identitária.

(Sem trailer disponível)

“Teko Haxy – Ser Imperfeita” (2018)

Direção: Patrícia Yxapy, Sophia Pinheiro
Onde assistir: YouTube, Embaúba Play
Sinopse: A partir de uma perspectiva íntima, o filme mistura cotidiano, espiritualidade e fabulação para refletir sobre identidade, corpo e existência Guarani.

“Ex-Pajé” (2018)

Direção: Luiz Bolognesi
Onde assistir: Google Play Filmes e TV, Claro tv+, Apple TV, YouTube
Sinopse: Um pajé é forçado a abandonar sua função espiritual após a chegada de missionários evangélicos, evidenciando o impacto da colonização religiosa nas comunidades indígenas.

“A Febre” (2019)

Direção: Maya Da-Rin
Onde assistir: Claro tv+
Sinopse: Um vigilante indígena em Manaus passa a sofrer de uma febre misteriosa, em uma narrativa sensorial sobre deslocamento, identidade e pertencimento.

“Parente: A Esperança do Mundo” (2020)

Direção: Graciela Guarani
Onde assistir: YouTube (Rede Katahirine)
Sinopse: O filme apresenta reflexões sobre resistência, espiritualidade e o papel dos povos indígenas na preservação da vida e do planeta.

“Segredos do Putumayo” (2020)

Direção: Aurélio Michiles
Onde assistir: Google Play Filmes e TV, Claro tv+, Apple TV, YouTube
Sinopse: A produção revisita crimes cometidos contra povos indígenas na Amazônia durante o ciclo da borracha, revelando uma história brutal frequentemente silenciada.

“Território Pequi” (2021)

Direção: Takumã Kuikuro
Onde assistir: YouTube
Sinopse: O documentário acompanha a relação do povo Kuikuro com seu território, destacando saberes ancestrais e a conexão com a natureza.

“Yãy tu nũnãhã payexop: Encontro de Pajés” (2021)

Direção: Sueli Maxakali
Onde assistir: YouTube (Rede Katahirine)
Sinopse: O filme registra um encontro entre pajés, celebrando rituais, cantos e a força da espiritualidade Maxakali.

“Uýra – A Retomada da Floresta” (2022)

Direção: Juliana Curi
Onde assistir: Prime Video, Claro tv+
Sinopse: A artista indígena Uýra utiliza o próprio corpo como ferramenta de denúncia e reconexão com a floresta, em uma jornada de transformação e resistência.

“O Território” (2022)

Direção: Alex Pritz
Onde assistir: Disney+
Sinopse: O filme acompanha a luta do povo Uru-eu-wau-wau contra invasores de suas terras, revelando os conflitos contemporâneos na Amazônia.

“Ga vī: A Voz do Barro” (2022)

Direção: Ana Letícia Schweig, Angélica Domingos, Gilda Wankyly Kuita, Iracema Gãh Té Nascimento e coletivo
Onde assistir: YouTube (Rede Katahirine)
Sinopse: A obra destaca o saber ancestral do barro e sua relação com memória, território e identidade indígena.

“Amazônia, a Nova Minamata?” (2022)

Direção: Jorge Bodanzky
Onde assistir: Prime Video
Sinopse: O documentário investiga a contaminação por mercúrio na Amazônia, traçando paralelos com o desastre ambiental de Minamata, no Japão.

“Somos Guardiões” (2023)

Direção: Chelsea Greene, Edivan Guajajara, Rob Grobman
Onde assistir: Netflix
Sinopse: A produção acompanha guardiões da floresta na linha de frente contra o desmatamento e a invasão de terras indígenas.

“A Flor do Buriti” (2023)

Direção: Renée Nader Messora, João Salaviza
Onde assistir: Netflix
Sinopse: O filme mistura passado e presente para retratar a resistência do povo Krahô diante da violência histórica e da luta por território.

“Eskawata Kayawai – O Espírito da Transformação” (2023)

Direção: Lara Jacoski, Patrick Belem
Onde assistir: Libreflix
Sinopse: A narrativa mergulha em experiências espirituais e coletivas que atravessam processos de cura e transformação dentro de comunidades indígenas.

“A Queda do Céu” (2024)

Direção: Gabriela Carneiro da Cunha, Eryk Rocha
Onde assistir: Netflix
Sinopse: Inspirado nas palavras de Davi Kopenawa, o filme traduz em imagens a cosmovisão Yanomami e o alerta sobre a destruição do mundo dos brancos.

“O Canto da Lua” (2025)

Direção: Sebastian Gerlic
Onde assistir: YouTube
Sinopse: A obra propõe uma imersão poética nas relações entre natureza, espiritualidade e cultura indígena contemporânea.



Por Midia Ninja

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