Por Gabriel Cavalcanti
Na data de hoje (7), comemoramos o Dia Nacional do Documentário Brasileiro. Criada pela Associação Brasileira de Documentaristas (ABD), a data busca dar maior visibilidade ao cinema documental, um dos importantes pilares da construção da memória e da identidade cultural do audiovisual brasileiro. A escolha do dia nada mais é que uma homenagem ao baiano Olney São Paulo, um dos grandes precursores do gênero no país, nascido em 7 de agosto de 1936. Eduardo Coutinho, Lúcia Murat e Helena Solberg são alguns dos outros nomes que marcaram a história dos documentários brasileiros.
No entanto, a produção documental segue pulsando até hoje, impulsionada por toda uma nova geração de cineastas. Em uma mistura de clássicos e modernos, o Cine Ninja Indica desta semana te apresenta 15 documentários imperdíveis para assistir hoje.
“O Grito da Terra” (1964)
Direção: Olney São Paulo
Onde assistir: Itaú Cultural Play
Sinopse: A difícil vida dos lavradores expulsos de suas terras e obrigados a cometer crimes para sobreviver em meio ao sertão é retratada pela vida de duas mulheres: a sensual e perigosa Loli, que quer sair do sertão para viver no sul do país; e Mariá, uma típica camponesa que acredita na força do nordestino para enfrentar a seca.
“A Entrevista” (1966)
Direção: Helena Solberg
Onde assistir: DOC Canal Brasil; ClaroTV+
Sinopse: O documentário tem como base entrevistas feitas com jovens de classe média alta entre 19 e 27 anos sobre suas aspirações em relação ao casamento, sexo, profissão e submissão ao marido. Mesmo aquelas que se consideravam mais lúcidas e modernas mostram seu perfil mais tradicional da mulher idealizada, envolvida por romantismo e feminilidade.
“Cabra Marcado Para Morrer” (1984)
Direção: Eduardo Coutinho
Onde assistir: ClaroTV+; CurtaOn
Sinopse: Em fevereiro de 1964, inicia-se a produção de “Cabra Marcado Para Morrer”, que contaria a história política do líder da liga camponesa de Sapé (Paraíba), João Pedro Teixeira, assassinado em 1962. No entanto, com o golpe de 31 de março, as forças militares cercam a locação no engenho da Galileia e interrompem as filmagens. Dezessete anos depois, o diretor Eduardo Coutinho volta à região e reencontra a viúva de João Pedro, Elisabeth Teixeira, que até então vivia na clandestinidade, e muitos dos outros camponeses que haviam atuado no filme antes brutalmente interrompido.
“Que Bom Te Ver Viva” (1989)
Direção: Lúcia Murat
Onde assistir: Reserva Imovision; DOC Canal Brasil
Sinopse: Murat, que foi torturada no período da ditadura militar, narra a vida de algumas mulheres brasileiras que pegaram em armas contra o regime militar. Há uma série de depoimentos de guerrilheiras e cenas do cotidiano dessas mulheres que recuperaram, cada uma à sua própria maneira, os vários sentidos de viver.
“Janela da Alma” (2001)
Direção: João Jardim e Walter Carvalho
Onde assistir: DOC Canal Brasil
Sinopse: Dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual, da miopia discreta à cegueira total, falam como se veem, como veem os outros e como percebem o mundo. O escritor e prêmio Nobel José Saramago, o músico Hermeto Paschoal, o cineasta Wim Wenders, o fotógrafo cego franco-esloveno Evgen Bavcar, o neurologista Oliver Sacks, a atriz Marieta Severo, o vereador cego Arnaldo Godoy, entre outros, fazem revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão: o funcionamento fisiológico do olho, o uso de óculos e suas implicações sobre a personalidade, o significado de ver ou não ver em um mundo saturado de imagens e também a importância das emoções como elemento transformador da realidade, se é que ela é a mesma para todos.
“As Hiper-Mulheres” (2011)
Direção: Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro
Onde assistir: Embaúba Play
Sinopse: Temendo a morte da esposa idosa, um velho pede que seu sobrinho realize o Jamurikumalu, o maior ritual feminino do Alto Xingu (MT), para que ela possa cantar uma última vez. As mulheres do grupo começam os ensaios, enquanto a única cantora que de fato sabe todas as músicas se encontra gravemente doente.
“Waapa” (2017)
Direção: David Reeks, Renata Meirelles e Paula Mendonça
Onde assistir: YouTube; ClaroTV+
Sinopse: O documentário propõe um mergulho inédito na infância Yudja (Parque Indígena do Xingu/MT) e nos cuidados que acompanham seu crescimento. O brincar, a vida comunitária e as influências de uma relação espiritual com a natureza são revelados como elementos que organizam o corpo-alma dessas crianças.
“Travessia” (2018)
Direção: Safira Moreira
Onde assistir: YouTube
Sinopse: A partir de uma série de fotografias retiradas de álbuns antigos de famílias brancas, a população negra contemporânea analisa seus antepassados, recriando suas histórias e registros em uma tentativa de sobrepor toda ausência e estigmatização sofrida por seus iguais no passado. Um resgate poético da representação negra brasileira.
“Democracia em Vertigem” (2019)
Direção: Petra Costa
Onde assistir: Netflix
Sinopse: Documentário sobre o golpe sofrido pela ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que foi considerado como um dos reflexos da polarização política e da ascensão da extrema-direita ao poder. O filme conta com imagens internas e exclusivas dos bastidores do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e do Palácio da Alvorada, enquanto ocorria a votação para a queda de Dilma.
“Para Onde Voam as Feiticeiras” (2020)
Direção: Carla Caffé, Beto Amaral e Eliane Caffé
Onde assistir: Telecine
Sinopse: “Para Onde Voam as Feiticeiras” acompanha um grupo de performers LGBTQIA+ em intervenções artísticas no centro de São Paulo. Suas ações são disparadoras de debates sobre desigualdades sociais, preconceitos e vidas marginalizadas, permeados pelas lutas dos movimentos negro, indígena e de ocupações urbanas. Com uma forma híbrida em contínua construção, o filme aposta menos na busca por respostas e mais no diálogo coletivo enquanto método e finalidade. Ele extravasa a circunscrição de bandeiras identitárias, permitindo-se contaminar pela centelha incontrolável de vida que vem do gesto de lançar-se às ruas.
“Corpolítica” (2022)
Direção: Pedro Henrique França
Onde assistir: Globoplay; DOC Canal Brasil
Sinopse: O documentário investiga o vazio de representatividade LGBTQIA+ no cenário político do Brasil, país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo. Diante de um recorde de candidaturas da comunidade nas eleições brasileiras de 2020, em um momento histórico no país e no mundo, candidatos e políticos relatam suas experiências e as violências vividas dentro de seus processos de afirmação e na luta por direitos.
“Black Rio! Black Power!” (2023)
Direção: Emílio Domingos
Onde assistir: Globoplay
Sinopse: Nos bailes de soul dos anos 1970, nasce o movimento Black Rio. Acompanhando a trajetória de Dom Filó, o filme revela o impacto desses bailes na música, cultura e luta por justiça racial no Brasil.
“Assexybilidade” (2023)
Direção: Daniel Gonçalves
Onde assistir: Globoplay
Sinopse: Histórias sobre a sexualidade de pessoas com deficiência e a pluralidade de experiências através da vivência de cada uma delas.
“Eu Fui Assistente do Eduardo Coutinho” (2023)
Direção: Allan Ribeiro
Onde assistir: Globoplay; DOC Canal Brasil
Sinopse: No dia 28 de janeiro de 2008, uma equipe de filmagem entrava em um prédio para rodar um documentário. Neste dia, eu fui assistente de Eduardo Coutinho.
“Othelo, o Grande” (2024)
Direção: Lucas H. Rossi dos Santos
Onde assistir: DOC Canal Brasil
Sinopse: Sebastião Bernardes de Souza Prata, o Grande Otelo, foi um dos maiores atores e comediantes do país. Órfão e neto de escravos, escapou da pobreza para forjar uma carreira que rompeu todas as barreiras imagináveis para um ator negro no Brasil, trabalhando com cineastas como Orson Welles, Joaquim Pedro de Andrade, Werner Herzog, Julio Bressane e Nelson Pereira dos Santos, entre tantos outros. Enquanto a mídia se aproveitava de suas polêmicas, Otelo moldou sua própria narrativa e discutiu o racismo que o assombrou por oito décadas, duas ditaduras e mais de cem filmes.
