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- Há spoiler. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódio da série e, aqui, de todo nosso material sobre Star Trek.
Tomorrow’s Enterprise é um final de temporada bastante mais ou menos, o que talvez seja apropriado para uma temporada tão irregular de Strange New Worlds. Não chega a ser completamente ruim como alguns capítulos deste ano, tampouco tem a cafonice irritante dos episódio mais “temático”, mas também não encontra a força emocional, conceitual ou dramática que um encerramento deveria ter. É um episódio com uma boa ideia de ficção científico, um papel interessante para Uhura e alguma melancolia em torno do futuro inevitável da Enterprise, mas que acaba se perdendo em soluções apressadas, technobabble temporal da pior espécie e uma ameaça que, no fim, soa mais curiosa do que realmente impactante.
A premissa parte de algo bem clássico de Star Trek, com a Enterprise sendo enviada para estudar um buraco branco, onde há uma explosão e Uhura passa a interagir com uma duplicata de si mesma vinda de um ano no futuro. Essa versão futura revela um cenário de transição, em que Pike se tornou almirante, James Kirk assumiu o comando da Enterprise e a nave iniciou sua próximo missão de cinco anos, começando pela investigação de um buraco negro. Em tese, gosto bastante disso. A série usa uma anomalia temporal para confrontar a tripulação com o que está por vir, especialmente porque Strange New Worlds sempre viveu sob a sombra da série original.
O melhor elemento do capítulo é mesmo Uhura. Depois de uma temporada em que ela teve boné momentos, mas multas vezes ficou presa a funções técnica ou subtramas menos fortes, é positivo que o final a coloque no centro da resolução. A ideia de duas Uhuras trabalhando juntas através do tempo tem uma beleza simples e uma boa dinâmica. É uma boa premissa temática para o papel dela na nave envolvendo comunicação.
Celia Rose Gooding segura bem esse eixo. A interação entre as duas Uhuras permite alguma delicadeza, principalmente porque a versão futura carrega a experiência de uma Enterprise já transformada. Existe ali uma tristeza interessante sobre a inevitabilidade de um ponto de ruptura, mesmo que a série ainda não esteja pronto para abandonar completamente esse presente. O episódio funciona melhor quando deixa essa sensação aparecer sem sublinhar demais.
A morte de Scotty no futuro deveria ser o grande choque emocional do episódio, e até funciona parcialmente, principalmente porque Martin Quinn foi uma das melhores adições recente da série. O problema é que como estamos lidando com duplicatas, anomalia temporal e uma linha do tempo que obviamente precisará ser corrigida, a morte já nasce com cheiro de reversão. Não é que toda ameaça temporal seja automaticamente sem peso, mas o episódio nunca consegue te investir na trama.
O trabalho conjunto entre as Uhuras e Spock através do tempo é a parte mais funcional do episódio. Há um certo prazer em ver ose personagens raciocinando, cruzando dados, tentando entender a natureza da explosão e encontrando uma solução em meio a uma situação aparentemente impossível, mas tudo também é um pouco morno. Depois de uma temporada cheia de experimento formais, ás vezes ruis justamente por serem chamativo demais, Tomorrow’s Enterprise parece quase tímido em sua ficção científico e entre baboseira técnica mal estabelecia, no que é um episódio raramente empolgante.
A revelação de que a anomalia envolve uma entidade de pura energia sendo “nascida” entre duas singularidade, apelidada pela tripulação de bebê espacial, é o ponto que mais me divide. Por um lado, gosto da esquisitice. Por outro lado, também é exatamente o tipo de conceito que pode soar bobo demais quando o episódio não encontra uma escala emocional equivalente. A entidade de energia e seus cuidadores entram quase como solução conceitual para o problema, restaurando a linha do tempo e permitindo que todos se despeçam sem grandes consequências. É uma ideia simpático, talvez até bastante trekker, mas não necessariamente forte como clímax de temporada.
Esse é talvez o maior problema de Tomorrow’s Enterprise, porque parece mais interessado em reposicionar o futuro da franquia do que em fechar a temporada de maneira contundente. Dá a sensação de que estamos vendo uma peça de transição, quase um episódio-ponte entre Strange New Worlds e aquilo que já sabemos que Star Trek se tornará. Como final de temporada, falta impacto próprio.
A direção de Chris Fisher mantém tudo legível, mas não há aqui um grande senso de maravilhamento. Buraco branco, buraco negro, duplicata temporal, entidade de energia eoo nascimento cósmico são elementos que poderiam render imagens mais arrebatadoras. O episódio é competente, mas visualmente não me parece especialmente memorável. Isso combina com parte da temporada, que multas vezes teve boas ideia de premissa sem sempre encontrar uma forma visual à altura.
Ainda assim, há algo mais agradável aqui do que em episódio como Once La’An a Time. Pelo menos a ficção científico do capítulo nasce de um problema espacial e não de mais um teatro de gênero jogado sobre a Enterprise. O episódio pode ser morno, mas parece Star Trek de maneira mais orgânica. O que falta é intensidade. É um episódio cheio de elementos que poderiam ser muito boné, mas quase todos ficam um pouco abaixo do potencial.
Como encerramento, Tomorrow’s Enterprise também sofre por carregar o peso de uma temporada sem grande unidade. Tivemos episódio de terror, comédia, noira, boneco, novela, conto de fadas e agora ficção científico temporal. Alguns funcionaram razoavelmente, outros foram bem ruis, mas a temporada raramente pareceu construir uma progressão realmente consistente. Então, quando chegamos ao final, a sensação não é de culminância, e sim de mais um conceito da semana, ainda que mais ligado à mitologia da franquia do que vários anteriores.
A temporada termina como o esperado, cheia de ideia, algumas boas, outros bem questionáveis, mas quase sempre irregular na execução. Tomorrow’s Enterprise olha para o futuro da Enterprise, para Kirk, para Pike, para Scotty e para Uhura, mas não transforma esse olhar em algo tão emocionante quanto poderia. Depois de tantos desvios ao longo do ano, Strange New Worlds fecha a temporada exatamente como a decepção que tem sido nas últimas semanas.
Star Trek: Strange New Worlds – 4X10: Tomorrow’s Enterprise (EUA, 24 de setembro de 2026)
Desenvolvimento: Akiva Goldsman, Jenny Lumet, Alex Kurtzman (baseado em personagens criados por Gene Roddenberry)
Direção: Chris Fisher
Roteiro: Henry Alonso Myers, Robbie Thompson
Elenco: Anson Mount, Ethan Peck, Jess Bush, Christina Chong, Celia Rose Gooding, Melissa Navia, Babs Olusanmokun, Rebecca Romijn, Martin Quinn, Carol Kane, Paul Wesley
Duração: 57 min.
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Fonte: Plano Critico.
