‘A Professora de Francês’, de Ricardo Alves Jr., é selecionado para o Festival de San Sebastián

Portal Inhaí
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O novo longa-metragem de Ricardo Alves Jr., “A Professora de Francês”, terá sua première mundial em setembro no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, um dos principais eventos cinematográficos do mundo. Coprodução entre Brasil, França e Portugal, o filme foi selecionado para a mostra competitiva Horizontes Latinos, dedicada ao cinema contemporâneo da América Latina. Estrelado por Grace Passô, Pedro Goifman e pela artista francesa Jehnny Beth, o longa foi filmado em Belo Horizonte e tem estreia comercial no Brasil prevista para 2027, com distribuição da Embaúba Filmes.

Na trama, Graça (Grace Passô) sobrevive dando aulas particulares de francês e vive em Belo Horizonte com a namorada francesa, Clara (Jehnny Beth). Após uma emergência de saúde do pai, ela retorna à casa onde cresceu, no subúrbio da cidade, e reencontra antigos vizinhos. O que inicialmente parece um gesto de acolhimento se transforma em uma experiência cada vez mais inquietante quando ela passa a ser envolvida por uma seita liderada por moradores da comunidade, que tentam fazê-la retornar ao que consideram ser o seu “lugar”. Aos poucos, o cotidiano da protagonista assume contornos de pesadelo.

Quarto longa-metragem dirigido por Ricardo Alves Jr., “A Professora de Francês” combina elementos de suspense, thriller psicológico e horror para abordar intolerância de gênero, fanatismo religioso, homofobia e as diferentes formas de violência produzidas pelo preconceito. Para o cineasta, a escolha pelo cinema de gênero permite levar para o campo da alegoria violências que muitas vezes são naturalizadas no cotidiano. “Escolhi abordar essas questões por meio do diálogo com o cinema de gênero porque acredito que o horror tem a capacidade de revelar, de forma contundente, violências que muitas vezes permanecem naturalizadas no cotidiano”, afirma.

A história se passa no bairro imaginário da Piedade, território onde o retorno de Graça à casa paterna faz emergir conflitos antigos e novas ameaças. A personagem percebe que a aparente proximidade de uma família vizinha esconde uma estrutura de controle que se alimenta da fé, da tradição e de discursos de proteção. Ao construir essa atmosfera, o diretor desloca o horror do campo sobrenatural para uma realidade reconhecível. “O mal é a intolerância, a dominação e a homofobia, que se disfarçam de moral, proteção e compaixão”, explica Alves Jr.

Foto: Denise dos Santos

Além de Grace Passô, conhecida por trabalhos como “Praça Paris”, “Temporada” e “O Dia Que Você Nasceu”, o elenco reúne Jehnny Beth, que interpreta Clara e participou de “Anatomia de uma Queda”, vencedor do Oscar e da Palma de Ouro; Elisa Lucinda, Bárbara Colen, Rômulo Braga, Eduardo Moreira, Babi Amaral, Ítalo Laureano e Rodger Rogério. Pedro Goifman interpreta Tomás, jovem enigmático que ocupa uma posição central dentro da seita. O roteiro é assinado por Germano Melo.

A seleção para o Festival de San Sebastián amplia a trajetória internacional de Ricardo Alves Jr. Seus trabalhos anteriores circularam por importantes festivais, incluindo a Semana da Crítica de Cannes, a Berlinale, Locarno e o Festival Internacional de Cinema de Rotterdam. O cineasta recebeu o prêmio de Melhor Direção no Festival de Brasília por “Tremor” e também foi premiado no Rio de Janeiro por “Tudo o que Você Podia Ser”. Em “A Professora de Francês”, sua investigação sobre corpo, desejo, território e política ganha contornos de terror social.

Produzido por Thiago Macêdo Correia, pela EntreFilmes, em coprodução com as francesas Les Valseurs e a portuguesa Karõ Filmes, o longa tem fotografia de Vasco Viana, montagem de Mathilde Van de Moortel e Luisa Homem, direção de arte de Richard Tavares, figurino de Luiz Dias e música original de Florencia di Concilio. A produção executiva é de Lara Lima, Valentine Meiller e Giuliane Maciel, com coprodução de Renée Nader Messora e João Salaviza.

Fundada em 2012 por Ricardo Alves Jr., a EntreFilmes tem sede em Belo Horizonte e reúne em sua filmografia sete longas e oito curtas e médias-metragens exibidos e premiados em festivais internacionais. Entre os destaques estão “A Flor do Buriti”, de Renée Nader Messora e João Salaviza, que estreou no Festival de Cannes e recebeu o Prêmio de Elenco na mostra Un Certain Regard; “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos”, vencedor do Prêmio Especial do Júri em Cannes; e “Elon Não Acredita na Morte”, estreia de Alves Jr. em longas, que teve première no Festival Internacional de Cinema de Rotterdam. Em 2026, a produtora também participou de “Nosso Segredo”, dirigido por Grace Passô e selecionado para a Berlinale.

Com a première em San Sebastián, “A Professora de Francês” chega ao circuito internacional colocando o horror como ferramenta para discutir estruturas de violência presentes nas relações familiares, comunitárias e religiosas. A obra tem produção de Brasil, França e Portugal, é distribuída no país pela Embaúba Filmes e tem lançamento comercial brasileiro previsto para 2027.



Por Midia Ninja

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