Pesquisas registram um aumento da desaprovação ao governo argentino, inclusive entre eleitores do presidente. Ao mesmo tempo, uma análise de mais de 2 milhões de seus seguidores no X detectou 762 mil contas com comportamentos considerados suspeitos.
A base política de Javier Milei começa a mostrar sinais de desgaste. Enquanto diferentes pesquisas registram um crescimento da rejeição ao seu governo, inclusive entre setores que votaram nele nas eleições de 2023, um novo levantamento coloca sob análise a composição de sua comunidade digital.
Segundo uma pesquisa da Equipo Mide, a desaprovação ao governo chega a 72% na Cidade de Buenos Aires e a 71% na província de Buenos Aires, o distrito com maior peso eleitoral da Argentina.
Em nível nacional, 58% das pessoas consultadas avaliam negativamente a gestão, enquanto 38% mantêm uma avaliação positiva.
Outro sinal de alerta para o governo aparece entre aqueles que levaram Milei à Presidência: um em cada três eleitores que votaram nele em 2023 considera agora que a Argentina está seguindo na direção errada.
Além disso, 58% dos entrevistados afirmam que o presidente não sabe como resolver os problemas enfrentados pelo país.
A comunidade digital de Milei sob análise
A esse cenário soma-se uma análise da Binary Data sobre 2.018.331 contas dos aproximadamente 4,6 milhões de seguidores que Milei acumula no X, plataforma que ocupa um lugar central em sua estratégia de comunicação política.
O estudo classificou 762.338 perfis como “suspeitos” por apresentarem diferentes padrões considerados compatíveis com automatização.
Entre as contas examinadas, 67,97% têm menos de dez seguidores. Outro dado chama a atenção: 557.078 perfis não têm nenhum seguidor e também nunca fizeram uma publicação, uma combinação que representa mais de um quarto da amostra analisada.
Ao projetar estatisticamente os resultados sobre a totalidade dos seguidores do presidente, a Binary Data estima que cerca de 1,75 milhão de contas poderiam apresentar esse tipo de comportamento suspeito.
A própria consultoria alerta, no entanto, que os resultados não permitem afirmar que essas contas sejam bots. A classificação se baseia em padrões de comportamento e metadados e, portanto, não determina quem administra cada perfil nem se existe automatização por trás de cada um deles.
Dois indicadores colocam os números de Milei em perspectiva
Os dados não medem o mesmo fenômeno e não permitem estabelecer uma relação direta entre a queda da aprovação presidencial e a composição dos seguidores de Milei no X. Mas colocam simultaneamente sob observação duas dimensões importantes de sua construção política.
De um lado, as pesquisas mostram sinais de deterioração na avaliação do governo e, especialmente, uma perda de confiança entre parte de seu próprio eleitorado. Do outro, o levantamento da Binary Data abre questionamentos sobre uma comunidade digital que o governo transformou, desde suas origens, em demonstração de capacidade de mobilização, influência e apoio.
Milei construiu boa parte de sua ascensão política com uma presença intensa nas plataformas digitais. Agora, enquanto cresce a rejeição ao seu governo segundo os dados apresentados, também começam a ser examinados os números por trás de um dos elementos centrais de sua projeção política: sua enorme presença nas redes sociais.
