Ruy Guerra completa 95 anos com trajetória marcada pelo Cinema Novo e pela resistência

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Por Helô Alves

O cineasta Ruy Guerra completa 95 anos neste sábado (22). Nascido em Lourenço Marques, atual Maputo, em Moçambique, ele construiu, ao longo de mais de sete décadas, uma das trajetórias mais relevantes do cinema brasileiro, atuando também como roteirista, ator, dramaturgo, poeta e letrista.

Guerra estudou cinema no Institut des Hautes Études Cinématographiques (IDHEC), em Paris, entre 1952 e 1954. Instalou-se no Brasil em 1958 e dirigiu seu primeiro longa-metragem, “Os Cafajestes”, em 1962. Dois anos depois, lançou “Os Fuzis”, filme que o consagrou como um dos nomes centrais do Cinema Novo e recebeu o Urso de Prata do Festival de Berlim.

Com a independência de Moçambique, em 1975, o diretor retornou ao país natal para ajudar a fundar o Instituto Nacional de Cinema e realizou “Mueda, Memória e Massacre” (1979), considerado o primeiro longa-metragem de ficção do país. No Brasil, dirigiu ainda “A Queda” (1978), também premiado em Berlim, “Erêndira” (1983), com roteiro baseado em conto de Gabriel García Márquez, e “Ópera do Malandro” (1985), musical com letras compostas em parceria com Chico Buarque.

Em 2024, aos 93 anos, Guerra fechou a chamada Trilogia dos Fuzis com “A Fúria”, codirigido com Luciana Mazzotti. O filme estreou no Festival de Brasília com uma ovação de pé do público e chegou aos cinemas brasileiros em 2026. Em entrevista à Revista de Cinema, o diretor comentou o contexto político que motivou o longa: “Nossa sociedade está doente. Vai murchando em seus valores civilizacionais”, declarou.

O acervo pessoal do cineasta, com cartas, roteiros e letras de música, foi incorporado ao Instituto Moreira Salles (IMS). Neste mês, Guerra também participou de uma mostra retrospectiva de sua obra na Caixa Cultural Curitiba, com sessão de “A Fúria” e uma masterclass sobre a trilogia.

Para marcar a data, o Estação Claro Rio promove uma celebração em homenagem ao diretor nesta segunda-feira (24), com a presença de Ruy Guerra. A programação começa às 19h, com recepção no saguão do cinema, e segue às 21h com a exibição de “Ternos Caçadores” (1969), raro filme de sua carreira, em coprodução com a França e o Panamá, exibido em cópia restaurada recentemente por produtoras francesas. Os ingressos custam R$ 18.

Texto com informações de Revista de Cinema, Papo de Cinema, Ingresso.com e Instituto Moreira Salles (IMS).



Por Midia Ninja

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