Entenda as acusações de roubar jogadores de outros países que a Seleção Francesa vem sofrendo

Portal Inhaí
6 Min Read


Por José Castro – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

A Copa do Mundo e suas teorias sempre recheiam os portais de notícias, as manchetes e as reportagens dos telejornais. Quem vai jogar ou quem vai ficar de fora, quais são os favoritos ao título, quem pode surpreender e quais craques vão se destacar.

A forma como estes jogadores chegam as seleções também é um tema recorrente, principalmente quando se trata das equipes com maiores chances de conquistar o Mundial. Entre elas está a França, que disputou duas finais consecutivas, nas Copas de 2018 e 2022.

Desde a conquista do título sobre a Croácia, na Copa da Rússia, uma discussão sobre a seleção francesa ganhou força: a grande quantidade de jogadores descendentes de imigrantes presentes naquela equipe. Isso não era novidade na seleção azul, mas passou a ser observado com outros olhos, especialmente porque a França conquistou o Mundial apresentando um futebol de alto nível.

Entretanto, a presença de atletas que fogem do estereótipo tradicional da população francesa não começou em 2018. Essa história vem de muito antes, inclusive com jogadores naturalizados. No entanto, esse não era o caso da maior parte dos atletas presentes no bicampeonato francês.

Mesmo assim, o fato de aquela equipe contar com vários jogadores negros fez surgir boatos de que a França teria vencido a Copa com uma seleção que “não era sua”, por utilizar atletas de outros países. A afirmação, porém, não era verdadeira.

Dos 23 jogadores convocados em 2018, apenas três haviam nascido fora da França metropolitana: o zagueiro Samuel Umtiti, nascido em Camarões; o goleiro reserva Steve Mandanda, nascido na República Democrática do Congo; e Thomas Lemar, nascido na ilha de Guadalupe, território ultramarino francês no Caribe.

Alguns fatores ajudam a explicar por que esse tipo de desinformação surgiu há oito anos e continua circulando até a Copa do Mundo de 2026.

Desinformação sobre o assunto

A desinformação é, sem dúvida, um dos principais fatores que contribuem para a disseminação dessa falsa afirmação. A equipe campeã de 2018 é um dos maiores exemplos de desinformação no futebol e, quando o tema é identidade nacional, talvez um dos casos mais emblemáticos.

Grande parte dessa confusão está relacionada à cor da pele dos jogadores. Muitos atletas são negros por serem descendentes de famílias originárias de países africanos, o que contrasta com o estereótipo de francês presente no imaginário de muitas pessoas. Assim, nacionalidade acaba sendo confundida com a origem dos pais ou dos avós, embora juridicamente e socialmente sejam conceitos diferentes.

Um jogador pode ser francês, nascer na França, crescer na França e representar a seleção francesa, mesmo tendo pais ou avós nascidos em outro país.

O sucesso que incomoda

Outro argumento frequentemente utilizado é o de que o mérito da equipe seria reduzido por contar com jogadores descendentes de imigrantes. O que chama atenção, porém, é que seleções francesas anteriores também possuíam atletas descendentes de estrangeiros e jogadores naturalizados.

Foi assim no primeiro título mundial da França, em 1998, conquistado em casa. Também aconteceu nas Copas seguintes: em 2002, quando a equipe foi eliminada ainda na fase de grupos; em 2006, quando chegou à final e perdeu para a Itália; em 2010, novamente eliminada na primeira fase; e em 2014, quando caiu nas quartas de final diante da Alemanha, futura campeã.

Já em 2018, antes mesmo da decisão, muito se falava sobre uma equipe formada majoritariamente por filhos de imigrantes, suas histórias e os países de origem de suas famílias.

Na atual seleção francesa da Copa do Mundo de 2026, nenhum jogador é naturalizado no sentido mais comum da palavra, ou seja, de ter adquirido a nacionalidade francesa apenas para defender a seleção.

Quem são os jogadores nascidos fora da França?

O que existe são três jogadores nascidos fora do território francês, mas que possuem nacionalidade francesa e construíram praticamente toda a sua trajetória esportiva no país.

O goleiro reserva Brice Samba nasceu na República Democrática do Congo, mas mudou-se ainda criança para a França, onde viveu praticamente toda a vida e passou por todas as categorias de base do futebol francês.

O atacante Marcus Thuram, filho do ex-jogador Lilian Thuram, campeão do mundo pela França em 1998, nasceu na Itália durante o período em que seu pai atuava no futebol italiano. Ainda criança, mudou-se para a França, onde cresceu e desenvolveu toda a sua formação como jogador, sem jamais defender as categorias de base da seleção italiana.

Já o ponta Michael Olise nasceu na Inglaterra, mas, assim como seus companheiros, passou boa parte da formação no futebol francês e representa a França desde as categorias de base, tendo atuado pela seleção desde o sub-17.



Por Midia Ninja

Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *