Escalada transforma território e fortalece comunidades em Diamantina

Portal Inhaí
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Quando se fala em Diamantina (MG), o imaginário costuma remeter ao conjunto arquitetônico colonial, às ruas de pedra e ao reconhecimento como Patrimônio Mundial. Mas, entre os paredões de quartzito da Serra do Espinhaço, um outro movimento cresce silenciosamente: o da escalada.

Nos últimos anos, a modalidade vem conquistando espaço na região, mobilizando atletas de diferentes estados e moradores que começam a enxergar nas montanhas um patrimônio esportivo, ambiental e cultural. É nesse contexto que acontece, entre os dias 24 e 26 de julho, mais uma edição do Diama Boulder, festival que reúne praticantes de escalada em boulder, oficinas e atividades de integração em Curralinho, distrito de Diamantina.

“Queremos que mais diamantinenses escalem, porque esse território é deles”, afirma Gabriela Castro, uma das organizadoras do festival. “A formação de novos escaladores faz com que a própria comunidade passe a olhar para esse lugar de outra forma.”

Segundo ela, embora a região seja considerada um dos locais mais promissores do país para a prática da escalada, grande parte de seu potencial permanece desconhecida.

“A gente acredita que menos de 5% das possibilidades de escalada daqui foram exploradas. Ainda existe muito a ser descoberto.”

Esporte para além da competição

Ao contrário da ideia de que a escalada é um esporte restrito a atletas experientes, a programação do Diama Boulder também foi construída para acolher quem está tendo o primeiro contato com a modalidade.

Antes mesmo do festival, a organização realiza oficinas de iniciação voltadas principalmente para estudantes universitários e moradores de Curralinho. Nessas atividades, os participantes aprendem técnicas básicas de segurança, movimentação e comportamento em ambientes naturais.

A proposta é reduzir as barreiras de acesso ao esporte.

“Estamos organizando oficinas de batismo na rocha justamente para que as pessoas da região possam experimentar a escalada. Os moradores de Curralinho participam gratuitamente, e queremos que se sintam parte desse movimento.”

A organização também prepara croquis, orientações de segurança e setores com diferentes níveis de dificuldade, permitindo que escaladores de diferentes graduações compartilhem o mesmo espaço.

Comunidade como protagonista

A relação construída entre escaladores e moradores aparece como um dos pilares do festival.

Curralinho recebe o evento há anos e, segundo Gabriela, a parceria com a associação de moradores tem sido fundamental para consolidar o encontro.

“A comunidade está acostumada com a nossa presença. Existe uma relação construída ao longo dos anos, baseada no diálogo e no respeito. Se um dia deixarmos de cuidar desse território, eles certamente vão fechar as portas para nós.”

A preocupação também passa pelo impacto ambiental.

A organização concentra as atividades em áreas previamente definidas, utiliza estruturas já existentes para a realização da festa e distribui pontos de coleta de resíduos ao longo dos setores de escalada, buscando reduzir as intervenções na paisagem natural.

Esporte que movimenta o território

Para a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, o crescimento da escalada representa uma oportunidade de diversificar a economia local e ampliar o calendário esportivo da cidade.

Segundo o secretário Walter Cardoso França Júnior, Diamantina vive um momento de expansão dos esportes realizados em contato com a natureza.

“O turismo esportivo está crescendo muito na cidade. Hoje, já recebemos eventos de caminhada, mountain bike e outras modalidades. A escalada chega para fortalecer ainda mais esse movimento.”

A prefeitura participa da realização do Diama Boulder, oferecendo apoio logístico, infraestrutura e articulação com órgãos públicos responsáveis pela segurança e pelo atendimento durante o evento.

Walter destaca que o fortalecimento desses encontros também depende da participação da população local.

“Uma das coisas mais importantes é quando a comunidade abraça aquilo que está acontecendo no seu território. O Diama Boulder tem conseguido fazer essa aproximação muito bem.”

Uma nova geração de escaladores

Para quem é veterano e acompanha o evento desde as primeiras edições do festival, o crescimento é visível. A organização, que começou como um encontro entre amigos, passou a atrair praticantes de diferentes estados e consolidou uma rede colaborativa de abertura de novas linhas de boulder na região.

Mas, para os organizadores, o principal legado não está apenas no aumento do número de visitantes. Está na possibilidade de fazer com que crianças, jovens e moradores da própria região ocupem as montanhas que sempre fizeram parte da paisagem.

“Muita gente pergunta por que saí de Curitiba para morar em Diamantina”, conta Gabriela. “Quem é da escalada entende imediatamente. Este é um lugar extraordinário.”

Enquanto novas vias são abertas entre os afloramentos da Serra do Espinhaço, também se abre espaço para uma comunidade que cresce junto com o esporte. Em Diamantina, a escalada deixa de ser apenas uma prática esportiva e passa a construir novas formas de pertencimento, de ocupação do território e de valorização da natureza.



Por Midia Ninja

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