Não foi só Curaçao: conheça outras seleções alternativas que quase jogaram a Copa do Mundo

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Por João Silvino – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

A Copa do Mundo de 2026 chegou com uma bagagem cheia de novidades e fatos marcantes, em especial o aumento de 32 para 48 seleções participantes, expandindo o torneio pela primeira vez desde 1998. A abertura de mais vagas facilitou a classificação de seleções menos badaladas para o principal torneio do futebol e abriu caminho para o maior número de estreantes em um Mundial desde 2006: Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão estão realizando o sonho de disputar a Copa do Mundo pela primeira vez, mesmo que estejam distantes da primeira prateleira, em seus continentes, no quesito tradição.

Muitos questionam o novo aumento de participantes, alegando que o nível técnico da Copa irá diminuir com tantas seleções. Porém, muitos torcedores que são críticos à expansão esquecem a própria história recente das eliminatórias e caem em contradição. Afinal, mesmo nas sete Copas que tiveram apenas 32 vagas, muitas seleções desconhecidas e até frágeis, como Curaçao, estiveram a um passo do paraíso, deixando uma vaga histórica na Copa do Mundo escapar no último degrau.

Agora, você conhece alguns desses casos e campanhas, passando também pelas eliminatórias para 2026.

Copa de 2026: Omã (Ásia)

Foto: Getty Images

Com as mudanças promovidas pela Fifa, o continente asiático saltou de 4 para 8 vagas diretas, podendo levar até uma 9ª seleção, a depender da repescagem. Na terceira fase, 18 seleções foram divididas em três grupos de seis, com as duas primeiras de cada, Irã, Uzbequistão, Coreia do Sul, Jordânia, Japão e Austrália, garantindo vaga na Copa. Para as duas vagas restantes, foi criada uma quarta fase, reunindo as seleções que ficaram em 3º e 4º lugares dos grupos em dois triangulares, com o líder de cada se garantindo no Mundial, e os vice-líderes disputando a chance de ir à repescagem.

Nessa 4ª fase, estavam presentes Qatar, Emirados Árabes e Omã (Grupo A), além de Arábia Saudita, Iraque e Indonésia (Grupo B). De todos eles, apenas a seleção de Omã, país em 79º no ranking e localizado no Oriente Médio, buscava sua primeira participação em Mundiais. O sonho seguiu mais vivo do que nunca após o empate em 0 x 0 contra o Qatar. Na 2ª rodada, que foi seu último jogo, vencer os Emirados Árabes era obrigação para manter a chama acesa, aos 12 do 1º tempo, o gol contra de Autonne colocou Omã na frente. O tempo foi passando e a vitória histórica se aproximava, até que Meloni empatou aos 31 do 2º tempo. Aos 38, o brasileiro naturalizado Caio Lucas virou o jogo a favor dos Emirados, sacramentando a vitória por 2 x 1 e praticamente encerrando o sonho omanense de disputar um Mundial.

A última esperança ficou por conta de uma derrota do Qatar na última rodada, para quem sabe beliscar uma vaga na repescagem, mas os qataris venceram por 2 x 1 e acabaram de vez com as chances.

Copa de 2026: Benin, Madagascar e Gabão (África)

Foto: Getty Images

Para o continente africano, o salto foi de 5 para 9 vagas diretas, o que contribuiu para a estreia de Cabo Verde e o retorno da África do Sul. Porém, a participação dos Bafana Bafana por muito pouco não deixou de acontecer, graças à pequena seleção do Benin.

Ocupando apenas a 93ª posição no ranking da Fifa, o pequeno país se localiza na África Ocidental, encravado entre Burkina Faso, Nigéria, Níger e Togo. Nas eliminatórias, o Benin caiu no Grupo C, contra as favoritas África do Sul e Nigéria, além de Lesoto, Ruanda e Zimbábue. A seleção não começou bem, perdendo por 2 x 1 para os sul-africanos e empatando sem gols contra o Lesoto. Na sequência, vieram três jogos de invencibilidade: venceu Ruanda e a poderosa Nigéria, além de empatar com o Zimbábue. Após outra derrota para a África do Sul, triunfou nos duelos do segundo turno contra os zimbabuanos e diante do Lesoto.

Passadas oito rodadas, o cenário do grupo tinha a África do Sul na liderança (17 pontos), seguida por Benin (14), Nigéria e Ruanda (11). Até que, em 29 de setembro de 2025, véspera das duas rodadas finais, a África do Sul sofreu uma dura punição por escalação irregular, vendo o triunfo por 2 x 0 contra o Lesoto, em março, ser transformado em derrota por W.O. Assim, o Benin saltou para a liderança.

Na penúltima rodada, os resultados favoreceram os beninenses: vitória sobre Ruanda e empate da África do Sul por 0 x 0 diante do Zimbábue. Com essa combinação, o Benin foi para a rodada final na liderança isolada com 17 pontos, contra 15 dos sul-africanos e 14 da Nigéria. Dependendo apenas de si, bastava vencer os nigerianos no jogo decisivo para estrear em Copas, no entanto, o choque de realidade foi duro: o Benin levou um gol logo aos 3 minutos do primeiro tempo e foi goleado por 4 x 0, perdendo a vaga direta na Copa e até a vaga no play-off, que daria acesso à repescagem mundial.

Foto: Getty Images

Ainda no continente africano, o Grupo I foi bem menos agitado, e a “quase classificação” foi remota, mas merece ser contada. Quando se fala em Madagascar, a primeira lembrança pode remeter ao famoso filme de animação, mas existe um país com o mesmo nome. Antiga colônia francesa, a seleção local foi, por muito tempo, uma das piores da África. Até hoje, os malgaxes disputaram uma única edição da Copa Africana de Nações, em 2019, quando fizeram história ao chegar às quartas de final, caindo apenas para a Tunísia, além de conquistarem uma épica vitória por 2 x 0 sobre a Nigéria.

Nas eliminatórias para o Mundial de 2026, Madagascar foi sorteada para um grupo com a ampla favorita Gana, além de Mali, Comores, República Centro-Africana e Chade. No geral, a seleção ganesa não deu margem para surpresas, embora tenha tropeçado na 2ª rodada com uma derrota por 1 x 0 para o Comores. Enquanto isso, Madagascar fazia uma campanha bastante digna, sofrendo apenas duas derrotas em seis partidas, ambas para Gana. Até que, na 7ª rodada, os ganeses empataram em 1 x 1 com a fraquíssima seleção do Chade, lanterninha disparada do grupo, e Madagascar voltou a sonhar ao bater a República Centro-Africana por 2 x 0.

Nos dois jogos seguintes, Gana triunfou diante de Mali e República Centro-Africana, enquanto Madagascar venceu Chade e Comores. Com isso, a última rodada chegou com a vaga direta na Copa ainda em aberto, na letra fria da regra: os ganeses lideravam com 22 pontos, enquanto os malgaxes vinham logo atrás, com 19. No entanto, uma reviravolta era bastante improvável: Madagascar precisava vencer o Mali fora de casa e contar com uma nova derrota de Gana para o Comores, além de descontar oito gols de saldo.

No fim das contas, não aconteceu nem uma coisa nem outra: Gana venceu o Comores em casa por 1 x 0 e se garantiu na Copa, enquanto Madagascar foi goleada e perdeu por 4 x 1 para o Mali, se despedindo da chance de estrear em um Mundial.

Foto: Getty Images

Tivemos ainda a seleção do Gabão, mais conhecida do grande público graças ao atacante Pierre-Emerick Aubameyang. O ciclo de 2026 foi o mais próximo que os gaboneses chegaram de estrear em um Mundial, ao caírem no Grupo F das eliminatórias, ao lado da favorita Costa do Marfim e das seleções do Burundi, Gâmbia, Quênia e Seychelles. O grupo não teve grandes histórias ou tropeços, com marfinenses e gaboneses nadando de braçada frente aos demais adversários. Os únicos tropeços do Gabão foram justamente nos duelos diretos contra a Costa do Marfim, que, no seu caminho, chegou a empatar sem gols diante do Quênia, na 4ª rodada.

Antes da rodada final, a Costa do Marfim liderava o grupo com 23 pontos e só dependia de si, enquanto o Gabão somava 22 e ainda sonhava com um milagre. Porém, as duas seleções enfrentaram adversários frágeis, e nada mudou: os marfinenses voltaram à Copa depois de 12 anos ao vencer o Quênia por 3 x 0, enquanto o Gabão suou para derrotar o Burundi por 2 x 0. Com a melhor campanha entre os vice-líderes, os gaboneses ainda tiveram uma última esperança nos play-offs, mas, na semifinal, foram goleados pela Nigéria na prorrogação, dando adeus à sua melhor chance de jogar uma Copa.

Copa de 2026: Suriname (Concacaf)

Foto: Sky Sports

Uma das marcas de Curaçao é a contínua influência holandesa no dia a dia, com 25 dos 26 jogadores convocados pelo técnico Dick Advocaat não tendo nascido em território curaçauense, e sim na Holanda. Por muito pouco, não tivemos duas seleções sob o guarda-chuva holandês na Copa do Mundo, e o segundo posto ficaria a cargo do Suriname.

Localizado na América do Sul, o Suriname foi colônia holandesa até 1975 e, ao contrário de Curaçao, conquistou plena independência. Apesar da posição geográfica, sempre optou por disputar as eliminatórias da Concacaf (América Central, do Norte e Caribe) e, em sua história, poderia ter contado com diversas lendas do futebol, como Ruud Gullit, Clarence Seedorf e Patrick Kluivert; jogadores que possuem ligações diretas com o país por conta da colonização, mas optaram por defender a Holanda.

Dito isso, o Suriname foi mais uma das seleções frágeis da Concacaf que soube aproveitar a ausência de Estados Unidos, México e Canadá nas eliminatórias para a Copa de 2026. Ocupando apenas a 125ª posição no ranking da Fifa, o país sempre foi eliminado nas fases iniciais dos classificatórios, mas o cenário foi diferente dessa vez: entrando direto na 2ª fase, caiu em um grupo nivelado com El Salvador, Porto Rico, São Vicente e Granadinas e Anguilla. Invicto, o Suriname se classificou na liderança e, de forma inédita, alcançou a fase decisiva de uma eliminatória.

Invertendo a correnteza histórica, o Suriname exportou talentos que nasceram na Holanda e contam com ascendência surinamesa, o que fortaleceu a equipe. Para a fase final, o sorteio definiu um grupo com Panamá, Guatemala e El Salvador, valendo uma vaga direta e um possível ingresso na repescagem mundial. Em uma disputa equilibrada, na qual apenas os salvadorenhos não acompanharam o ritmo, a briga pela classificação ficou entre Suriname e Panamá antes da última rodada. Os dois estavam empatados com nove pontos, mas, pelo saldo (5 x 2), a vantagem era surinamesa. Bastava vencer e, por desencargo de consciência, torcer para que o Panamá não goleasse El Salvador.

Porém, o Suriname decepcionou e perdeu por 3 x 1 para a Guatemala, vendo o sonho da vaga inédita escapar para as mãos do Panamá. Ainda restava a disputa da repescagem mundial, onde o Suriname estreou contra a Bolívia na semifinal. Van Gelderen chegou a abrir o placar no início do 2º tempo, mas a equipe não conseguiu segurar a vantagem e perdeu de virada, se despedindo de vez da chance de estrear na Copa do Mundo.

Copa de 2026: Nova Caledônia (Oceania)

Foto: David Rowland / AFP via Getty Images

Uma quase classificação que alguns podem questionar, se realmente ficou tão próxima dentro do contexto. Afinal, o futebol da Oceania é amador em quase sua totalidade, com a Nova Zelândia dominando a projeção internacional do continente após a saída da Austrália. A única exceção ocorreu em 2012, quando o Taiti venceu a Copa das Nações e se classificou para a Copa das Confederações de 2013.

Com tamanha fragilidade, a Oceania não contava com vaga direta até 2022, sempre deixando improvável qualquer participação em Copas, mesmo para a Nova Zelândia. Para 2026, a vaga direta enfim surgiu para o continente, parecendo quase um ingresso garantido para a Nova Zelândia. Porém, se ela foi derrubada em 2012, por que não poderia cair de novo do pedestal? E a responsável por isso poderia ser a Nova Caledônia.

Território francês, o arquipélago foi o último adversário que derrotou a Nova Zelândia em competições oficiais da Oceania, exatamente na semifinal da Copa das Nações de 2012, vencendo por 2 x 0. Nas eliminatórias para o Mundial de 2026, os neocaledônios entraram direto na 2ª fase e lideraram seu grupo, com Fiji, Ilhas Salomão e Papua-Nova Guiné. Na semifinal, vitória por 3 x 0 contra o Taiti, garantindo a passagem para a final diante da soberana Nova Zelândia.

No 1º tempo, a guerreira Nova Caledônia segurou o 0 x 0, e resistir por 45 minutos já permitia sonhar. Porém, a força neozelandesa prevaleceu na etapa final, e, com gols de Boxall, Barbarouses e Just, os favoritos venceram por 3 x 0 e levaram a vaga na Copa. Por outro lado, a esperança ainda resistia para a Nova Caledônia em um play-off quase impossível de ser vencido; essa realidade se confirmou já na semifinal, com a derrota diante da Jamaica e o fim definitivo do sonho. Mesmo assim, a equipe ainda conseguiu surpreender ao perder por apenas 1 x 0.

Copa de 2026: Kosovo (Europa)

Foto: Christian Hofer – UEFA/UEFA via Getty Images

A seleção do Kosovo é uma das provas de que política e futebol andam lado a lado. Afinal, o pequeno território era uma província autônoma dentro da Sérvia e declarou sua independência no início de 2008, porém, dezenas de países não a reconhecem oficialmente, entre eles o Brasil e a própria Sérvia. Consequência direta dos conflitos separatistas na Iugoslávia entre os anos 80 e 90, responsáveis pela dissolução do país, o Kosovo faz parte de duelos proibidos dentro da UEFA, não podendo ser sorteado para enfrentar Sérvia e Bósnia.

Após um começo naturalmente difícil, sendo presa fácil nas eliminatórias para a Copa de 2018, Kosovo rapidamente evoluiu, conquistando vitórias contra seleções de mais história, dois acessos na Liga das Nações da UEFA e disputando uma repescagem por vaga na Eurocopa de 2021, onde perdeu a semifinal para a Macedônia do Norte. Nessa curva crescente, a seleção kosovar foi sorteada para o Grupo B nas eliminatórias da Copa de 2026, encarando as tradicionais Eslovênia, Suécia e Suíça em apenas seis rodadas. Após levar 4 x 0 dos suíços na estreia, o Kosovo não perdeu mais, vencendo os dois jogos contra a Suécia e o duelo fora de casa diante da Eslovênia.

Na última rodada, ainda havia chances matemáticas de conquistar a vaga direta no Mundial, mas para isso seria necessário vencer a Suíça por impossíveis 6 x 0, algo que não aconteceu. Com o empate em 1 x 1, Kosovo garantiu a ida à repescagem, na semifinal de sua chave, conquistou uma vitória heroica por 4 x 3 diante da Eslováquia, ficando a apenas um jogo de chegar à sua primeira Copa do Mundo. Pela frente, teria a seleção da Turquia, com o direito de jogar em casa. A partida foi disputada, mas um gol solitário de Aktürkoğlu aos 7 do 2º tempo deu a vitória aos turcos, que se classificaram ao Mundial e encerraram o sonho kosovar.

Copa de 2022: Mali (África)

Foto: Nacer Talel/Anadolu Agency via Getty Images

Passamos agora pelas Copas do Mundo com 32 seleções, começando pelas duas seleções alternativas que quase desembarcaram no Qatar, em 2022.

Nas eliminatórias da África, as zebras não tiveram grande margem para brilhar. As principais seleções concentraram o protagonismo e as vagas na fase decisiva, deixando o papel de patinho feio para a seleção do Mali. O país, que faz fronteira com seis países, virou figurinha carimbada na Copa Africana de Nações a partir dos anos 2000, com dois terceiros lugares em 2012 e 2013. Além disso, brilhou em mundiais de base, alcançando a semifinal no Sub-20 em 1999 e 2015, e no Sub-17 em 2017 e 2023.

Quando ocorreu o sorteio das eliminatórias, o Mali ocupava a 59ª posição no ranking da Fifa, o que lhe garantiu passagem direta para a 2ª fase. Sorteado contra Uganda, Quênia e Ruanda, o Mali não teve dificuldades e sobrou no Grupo B, com cinco vitórias e nenhum gol sofrido. Restavam os dois jogos da fase final contra a Tunísia, pelo sonho da inédita Copa do Mundo. No jogo de ida, disputado em casa, o Mali acabou perdendo por 1 x 0 em uma infelicidade, com gol contra de Sissako aos 36 minutos do 1º tempo. No jogo de volta, em solo tunisiano, o placar não saiu do zero, encerrando a chance maliense de estrear na Copa.

Copa de 2022: Macedônia do Norte (Europa)

Foto: DeFodi Images/Getty Images

No velho continente, é impossível não lembrar da recente proeza conquistada pela Macedônia do Norte. Historicamente, o país, que também surgiu a partir da Iugoslávia, nunca passou de um fraco figurante dos classificatórios, sejam da Eurocopa ou da Copa do Mundo. Para o Mundial de 2022, a situação não teve grande mudança, porém os macedônios conseguiram espantar o mundo no dia 31 de março de 2021: pouco depois da histórica classificação para a Eurocopa, a Macedônia venceu a poderosa Alemanha por 2 x 1, fora de casa. A zebra acabou por não incomodar os alemães, classificados com sobra para a Copa, mas foi decisiva para render uma inédita vaga na repescagem continental.

Após mudanças promovidas pela UEFA, a repescagem deixou de contar com jogos de ida e volta entre seleções, passando a ter partidas únicas em semifinal e final, além de quatro chaves classificando a seleção vencedora. Nesse cenário, a Macedônia foi sorteada para o “grupo” C, que contava com as poderosas Itália e Portugal. Na cabeça do público, as duas potências fariam jogos protocolares na semifinal para decidir entre si a vaga na Copa. No entanto, a Macedônia tinha outros planos.

Em 24 de março de 2022, o duelo era contra a embalada Itália, campeã da Eurocopa e cotada como favorita para a Copa do Mundo antes mesmo de chegar lá. No gramado de Palermo, a Azzurra fez valer o favoritismo, finalizando nada menos do que 32 vezes, enquanto os macedônios conseguiram apenas quatro. Porém, o que ganha jogo no futebol é bola na rede, e em um gol antológico de Trajkovski nos acréscimos, a Macedônia impôs mais uma ausência na Copa para os italianos e seguiu adiante para tentar a classificação.

Na decisão da repescagem, a seleção de Portugal, que quase se enrolou na semifinal diante da Turquia. Dessa vez, a zebra não teve brecha para fazer graça, e os lusitanos se garantiram na Copa ao vencer por 2 x 0, encerrando o conto de fadas dos macedônios.

Copa de 2018: Síria (Ásia)

Foto: SAEED KHAN / AFP via Getty Images

No continente asiático, as eliminatórias para a Copa da Rússia nos proporcionaram uma das histórias mais incríveis de superação por meio do futebol. No pleno ápice de uma sangrenta guerra civil e da ditadura de Bashar al-Assad, a Síria nunca havia chamado a atenção de ninguém no futebol, e não havia indicativo nem razão para se acreditar em um final diferente, com o agravante de a Síria ter que mandar seus jogos na Malásia.

Classificados diretamente à 2ª fase, os sírios caíram no Grupo C, ao lado de Afeganistão, Camboja, Japão e Singapura. Sem nenhuma surpresa, foram duas derrotas para os japoneses, 3 x 0 e 5 x 0, mas com seis vitórias nos seis jogos restantes, a seleção anotou a melhor campanha entre os oito vice-líderes, garantindo assim sua classificação à 3ª e decisiva fase, onde as vagas na Copa estariam em disputa.

O desempenho já chamava atenção, mas o sorteio foi cruel, emparelhando a Síria em um grupo com as favoritas Coreia do Sul e Irã, a China vivendo o ápice dos investimentos desenfreados em grandes jogadores, e o Uzbequistão, que havia batido na trave por uma vaga em 2014. Além delas, o Qatar estava presente, vivendo seu processo de preparação para sediar o Mundial de 2022; tudo jogava contra, e sonhar com uma vaga na Copa parecia utopia.

Porém, a Síria conseguiu arrancar empates de 0 x 0 contra Irã e Coreia do Sul, e gols nos acréscimos para vencer o Uzbequistão e empatar com a China como mandante. Em uma aula de superação, os sírios foram para a rodada final com chances de vaga no Mundial, mas o cenário era difícil: o adversário seria o Irã, líder e única seleção do grupo já classificada. Com 12 pontos, a Síria brigava contra Coreia do Sul e Uzbequistão pela última vaga direta, sendo que os dois adversários jogavam entre si.

A Síria não se assustou com o fato de jogar na casa dos iranianos. Aos 13 do 1º tempo, Haj Mohamad abriu o placar e, por mais de 30 minutos, o país devastado pela guerra civil estava se classificando para uma Copa do Mundo. O Irã acabou virando o jogo com dois gols de Sardar Azmoun, e a esperança síria desabava até os 48 do 2º tempo, quando Omar Al Somah empatou em um gol heroico. Com o 0 x 0 entre Uzbequistão e Coreia do Sul, uma vitória renderia a vaga na Copa pelo saldo de gols, mas o empate não deixou de ser comemorado, pois manteve as chances por meio da vaga no play-off continental.

Foram dois jogos contra a poderosa Austrália, valendo o ingresso na repescagem mundial contra Honduras. A Síria recebeu os australianos em 5 de outubro de 2017, arrancando um empate nos minutos finais, novamente com Al Somah. No dia 10, o dramático jogo de volta: Al Somah abriu o placar logo aos cinco minutos, mas Tim Cahill empatou na sequência. Após o empate, a partida ficou amarrada e, sem novos gols, foi para a prorrogação, onde Tim Cahill marcou de novo, definindo o 2 x 1 para a Austrália. Era o fim de um sonho e de uma das histórias mais fantásticas do futebol.

Copa de 2018: Uganda (África)

Reprodução: FUFA

Depois das classificações de Angola e Togo em 2006, o futebol africano viu um domínio de cinco seleções, Argélia, Camarões, Costa do Marfim, Gana e Nigéria, nas eliminatórias para 2010 e 2014, que caiu em 2018; a Nigéria foi a única recorrente a se classificar, enquanto Tunísia, Senegal, Marrocos e Egito encerraram longas secas. Porém, a espera dos egípcios quase durou até a Copa de 2026, e, se isso tivesse ocorrido, seria pelas mãos de Uganda.

Localizado entre Quênia, Tanzânia, República Democrática do Congo e Sudão do Sul, o país estava na 73ª posição do ranking mundial em julho de 2015 e, além de nunca ter participado de uma Copa, vivia uma seca até dentro do continente, sem disputar uma Copa Africana das Nações desde 1976. Mas foi justamente no ciclo para a Copa da Rússia que o povo ugandês viveu um sonho no futebol.

A Confederação Africana resolveu promover mudanças no classificatório para 2018, com duas fases de mata-mata antes da fase de grupos, onde ocorreria a disputa pelas vagas na Copa. Classificada diretamente à 2ª fase, Uganda enfrentou o Togo e levou a melhor nos dois jogos, vencendo fora de casa por 1 x 0 e por 3 x 0 como mandante. Na 3ª fase, o sorteio reservou um grupo com Gana, Egito e Congo (não confundir com a República Democrática do Congo). E antes dela, a seleção ugandesa havia encerrado o jejum em Copas Africanas, voltando a se classificar para o torneio a ser disputado em 2017.

Com esse embalo, Uganda empatou por 0 x 0 diante dos ganeses na estreia da fase final, e depois de vencer o Congo, viveu o grande momento de sua história recente: em 31 de agosto de 2017, venceu o Egito por 1 x 0 em casa. Três rodadas haviam se passado, e Uganda liderava o grupo com 7 pontos, contra 6 dos egípcios; o sonho era real, mas começou a desabar dias depois, na derrota para a própria seleção do Egito, que abriu o returno. Na penúltima rodada, Uganda empatou novamente sem gols contra Gana, e a vitória do Egito frente ao Congo enterrou as chances ugandesas com uma rodada de antecipação.

Copa de 2014: Etiópia e Burkina Faso (África)

Foto: Reprodução/Ethio Sports

Seguimos na África, começando por uma seleção que, mesmo sem a vaga na Copa, não deixou de surpreender. Potência africana no futebol dos anos 60 e campeã continental em 1962, a Etiópia derreteu com o passar dos anos e, quando as eliminatórias se iniciaram, o país vinha de momentos esquecíveis: além de estar longe da Copa Africana desde 1982, a seleção etíope havia sido excluída no decorrer da última eliminatória pela Fifa. Ninguém acreditava em uma vaga na Copa do Mundo e, apesar da inglória 139ª posição no ranking, restava a tentativa de fazer uma campanha mais digna.

A estreia ocorreu ainda na 1ª fase, que reunia as seleções mais fracas da África, e o sorteio acabou sendo generoso ao colocar a Somália no caminho. Depois de um 0 x 0 na ida, disputada em Djibouti, a Etiópia recebeu os somalis em casa e não tomou conhecimento, anotando sonoros 5 x 0. O básico estava cumprido.

Na 2ª fase, os etíopes foram para o Grupo A, que reuniu ainda a África do Sul, logo após sediar a Copa, e as frágeis Botsuana e República Centro-Africana. A Etiópia largou com um empate de 1 x 1 diante dos sul-africanos e se aproveitou de um novo tropeço dos Bafana Bafana para segurar a liderança nas rodadas seguintes. O que a seleção não esperava era perder os pontos do triunfo diante de Botsuana por escalação irregular, o que deu a 1ª posição de bandeja para a África do Sul. Em 16 de junho de 2013, veio o último duelo direto entre as duas, com oito pontos para os sul-africanos e sete para a Etiópia, que precisava vencer de qualquer forma. Com uma surpreendente virada e o triunfo por 2 x 1, todos os prognósticos caíram, e a Etiópia tomava para si a vaga na fase final, garantida na última rodada após repetir o placar contra a República Centro-Africana.

O país-sede da Copa de 2010 foi derrubado, e restavam apenas dois jogos para os etíopes escreverem uma façanha inacreditável, em um desafio contra a poderosa Nigéria. No jogo de ida, realizado em casa, a Etiópia chegou a sair à frente aos 12 do 2º tempo, mas cedeu a virada e perdeu por 2 x 1, complicando o sonho. Na partida de volta, os nigerianos voltaram a vencer, agora por 2 x 0, encerrando a campanha histórica da seleção etíope.

Foto: FAROUK BATICHE / AFP via Getty Images

Na mesma eliminatória, vimos também o sonho de Burkina Faso, que escapou de forma cruel. Contando com ingresso direto na segunda fase, os burquinenses quase foram eliminados de forma precoce devido a uma escalação irregular na 1ª rodada; isso fez o empate de 0 x 0 diante do Congo virar um revés por W.O., somado à derrota para o Gabão no jogo seguinte.

Porém, antes da sequência das eliminatórias, Burkina Faso fez uma histórica campanha na Copa Africana de Nações, terminando com o vice-campeonato diante da Nigéria. O resultado virou embalo, e nos quatro jogos seguintes do grupo, a seleção decolou e venceu todos, incluindo o duelo direto contra a seleção congolesa na penúltima rodada.

Ainda assim, os burquinenses chegaram para a rodada final sem a vaga na 3ª fase, precisando vencer o Gabão em casa e dependendo de um tropeço do Congo contra o fraco Níger, lanterna do grupo. O futebol resolveu aprontar das suas, e enquanto Burkina Faso triunfou por 1 x 0, o Congo ficou duas vezes atrás do placar e só empatou por 2 x 2, entregando a classificação de bandeja. Pela frente, restava a Argélia por uma vaga na Copa.

No jogo de ida, o torcedor lotou o estádio em Ouagadougou, capital do país, e viu uma épica vitória por 3 x 2, marcada por viradas e pelo gol decisivo apenas aos 41 do 2º tempo, em pênalti convertido por Bance; bastava um empate no jogo de volta, e Burkina Faso faria sua estreia em Copas, no Brasil. No entanto, a regra do gol fora de casa estava no regulamento e, no jogo de volta, a Argélia conquistou uma vitória simples por 1 x 0, suficiente para se classificar ao Mundial e dar fim ao sonho dos burquinenses.

Copa de 2010: Letônia (Europa)

Foto: Mike Hewitt/Getty Images

Uma das quinze ex-repúblicas da União Soviética, surgindo como país independente após o fim do Estado socialista em 1991, a Letônia nunca acumulou grandes resultados com a seleção de futebol, que, no máximo, teve um lampejo em parte dos anos 2000.

Depois da classificação surpreendente para a Eurocopa de 2004, quando não venceu nenhum dos três jogos, a Letônia passou longe de disputar a Copa de 2006. Até que, na disputa das eliminatórias para o Mundial de 2010, uma improvável participação não ficou tão distante dos letões, que caíram no Grupo 2, com a favorita Suíça, Grécia, Israel, Luxemburgo e Moldávia. Porém, depois de vencer a Moldávia na estreia, veio uma sequência negativa, sofrendo derrotas para Grécia e Suíça, e não passando de um empate contra Israel. Nos quatro jogos seguintes, a seleção letã cresceu e embalou três importantes vitórias, além de arrancar um inesperado 2 x 2 no reencontro contra a Suíça.

Antes das duas rodadas finais, em outubro de 2009, o grupo estava aberto e nivelado: a Suíça liderava com 17 pontos, seguida por Grécia e Letônia, com 14. Justamente na penúltima rodada, estava marcado um duelo direto entre gregos e letões em Atenas, e, para a Letônia, uma vitória deixaria, pelo menos, a repescagem quase garantida; afinal, o adversário da última rodada era a lanterna Moldávia.

No 1º tempo, Verpakovskis marcou duas vezes, e a Letônia foi para o intervalo na frente com um 2 x 1, enquanto a Suíça atropelava Luxemburgo e seguia na ponta do grupo. Porém, a etapa final virou um pesadelo, com o atacante Theofanis Gekas marcando um poker trick (4 gols) e contribuindo para a virada grega por 5 x 2. O resultado fez as esperanças da Letônia desabarem quase por completo, e nem a vitória protocolar diante da Moldávia resolveu, já que a Grécia venceu Luxemburgo, em outra partida de enorme abismo técnico, e garantiu sua vaga na repescagem, onde selaria a ida para a Copa diante da Ucrânia. Na Letônia, restou a frustração do 3º lugar e de ver a melhor chance de jogar uma Copa indo embora.

Copa de 2006: Guatemala (Concacaf)

Foto: Orlando Sierra/ AFP via Getty Images

Mergulhando nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006, Trinidad e Tobago foi a mais inusitada das seleções classificadas, com sobras. E, além dela, na mesma Concacaf, a Guatemala sonhou alto e flertou com uma classificação inédita para o Mundial.

O formato das eliminatórias da América do Norte, Central e Caribe teve a sua largada em dois mata-matas: no primeiro, como de praxe, as seleções amadoras e mais fracas, com as vencedoras se juntando aos times restantes, classificados diretamente para a 2ª fase, onde estava a Guatemala.

A estreia foi diante do Suriname, e, após empate de 1 x 1 no jogo de ida, os guatemaltecos seguiram em frente com um triunfo por 3 x 1. Na 3ª fase, doze seleções foram divididas em três chaves, disputando as seis vagas no hexagonal final da eliminatória. A Guatemala foi sorteada para o Grupo B, encarando Costa Rica, Honduras e Canadá, e, com uma rodada de antecedência, se garantiu na fase seguinte ao bater a seleção hondurenha por 1 x 0.

Para o hexagonal final, três vagas diretas estavam em disputa, ocupadas pelas potências Estados Unidos e México, além de Trinidad e Tobago, Costa Rica e Panamá. Mesmo com uma razoável inferioridade, a Guatemala tinha condições de chegar à Copa e conseguiu quatro pontos nos dois primeiros jogos, vindos de um 0 x 0 contra o Panamá e de sonoros 5 x 1 sobre Trinidad e Tobago. Porém, a equipe acumulou derrotas nos jogos seguintes, a mais amarga delas diante da Costa Rica por 3 x 2, na 5ª rodada, resultado que custaria caro por se tratar de um duelo direto. Pouco depois, veio um novo revés para Trinidad e Tobago na 7ª rodada, pelo mesmo placar e sofrendo dois gols no fim, fazendo escapar seis pontos valiosos e a chance da classificação direta.

No entanto, apesar de cinco derrotas em nove partidas, a equipe chegou viva à última rodada na disputa por uma vaga na repescagem mundial, em um cenário que parecia favorável: em casa, contra a já classificada Costa Rica, os guatemaltecos precisavam vencer e secar Trinidad e Tobago, que recebia o favorito México. A Guatemala fez sua parte e anotou um categórico 3 x 1, mas, em uma infeliz zebra, os mexicanos não ajudaram e perderam por 2 x 1, o que manteve Trinidad e Tobago na 4ª posição e com a vaga na repescagem. A Guatemala fracassou em sua melhor chance de disputar uma Copa, nunca mais passando perto da classificação nos anos seguintes.

Copa de 2002: Bielorrússia/Belarus (Europa)

Nas eliminatórias para a Copa de 2002, uma das grandes marcas da Europa foi o fracasso da Holanda, indo de uma semifinal em 1998 para a ausência no Mundial seguinte. E, enquanto a Laranja Mecânica decepcionava, uma outra ex-república soviética por pouco não desembarcou na Coreia do Sul e no Japão.

Em um panorama geral, a seleção da Bielorrússia (ou Belarus) nunca foi a pior das europeias, mas também não alcançou grandes feitos, limitando-se a uma participação nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Quando se iniciou o classificatório, em setembro de 2000, os bielorrussos ocupavam a 100ª posição no ranking da Fifa e caíram em um grupo bastante complicado: Polônia, Noruega, Ucrânia, País de Gales e Armênia, com destaque para os noruegueses, vindos da participação na Copa de 1998.

No 1º turno, o grande destaque ficou justamente por uma vitória de 2 x 1 contra a Noruega, em Minsk, além de mais dois triunfos sobre País de Gales e Armênia, e um 0 x 0 diante da Ucrânia. Nos dois jogos seguintes, Belarus acabou empatando com Armênia e Noruega, o que complicou a busca por uma vaga direta na Copa, mas não pela repescagem: com sete rodadas disputadas, a Polônia liderava com 17 pontos, e Belarus vinha logo atrás com 12, seguida pela Ucrânia, com 10. E, nos três jogos finais, dois foram duelos diretos contra poloneses e ucranianos.

Em 1º de setembro de 2001, Belarus recebeu a Ucrânia em Minsk, mas acabou sendo derrotada por 2 x 0, com dois gols do atacante Andriy Shevchenko. O resultado deu fim às chances de uma vaga direta no Mundial, mas a esperança da repescagem não só seguia viva, como foi reforçada de forma categórica na partida seguinte: contra a já classificada Polônia, novamente em casa, Belarus não tomou conhecimento e atropelou os líderes do grupo por sonoros 4 x 1, com quatro gols de Vasilyuk. Porém, a Ucrânia venceu a Armênia e, na última rodada, os bielorrussos dependiam de uma combinação de resultados para disputar a repescagem.

A primeira missão era vencer, fora de casa, o País de Gales, vice-lanterna e sem nenhuma vitória nos nove jogos anteriores, além de contar com um tropeço da Ucrânia diante da Polônia. O mais difícil é sempre contar com o resultado paralelo, e foi justamente ele que aconteceu, com um empate de 1 x 1 entre poloneses e ucranianos. Bastava uma simples vitória contra os galeses, mas a Bielorrússia perdeu por 1 x 0 e desperdiçou sua maior chance de aparecer em uma Copa do Mundo. Nas eliminatórias seguintes, Belarus virou presa fácil e nunca mais passou perto da classificação.

Copa de 2002: Libéria (África)

Foto: Getty Images

O atacante George Weah se tornou uma lenda do futebol mundial nos anos 90, sendo o primeiro jogador africano a conquistar a Bola de Ouro e o prêmio de melhor jogador do mundo pela Fifa, ambos em 1995, quando defendia o Milan. Marcando seu nome também em passagens por Monaco e PSG, Weah nasceu na Libéria, país da África Ocidental e, com sobras, se tornou a maior figura nascida no país; sua idolatria o levou à presidência da Libéria nas eleições de 2017, governando a nação entre 2018 e 2024.

Porém, faltou apenas um feito para o lendário George Weah: disputar a Copa do Mundo com a seleção liberiana, o que chegou muito perto de acontecer já no fim de sua carreira, em 2002. Historicamente, a Libéria sempre foi uma das piores seleções da África, ocupando atualmente a 140ª posição no ranking da Fifa, além de não disputar uma Copa Africana desde 2002.

Em junho do ano 2000, quando se iniciaram as eliminatórias, a Libéria estava um pouco acima, na 111ª posição, e, no sorteio, caiu em uma chave até equilibrada, contando apenas com a força destoante da Nigéria, além de Gana, Sudão e Serra Leoa. A campanha dos liberianos foi histórica, e a vaga na Copa se mostrou totalmente possível.

Porém, tropeços decisivos custaram caro, começando pela derrota contra o Sudão logo na estreia, por 2 x 0. Na sequência, vieram quatro vitórias seguidas, incluindo um triunfo de 2 x 1 sobre a Nigéria e 3 x 1 contra Gana. Após seis rodadas, a briga pela vaga única contava com a Libéria na frente, anotando 12 pontos, seguida por Sudão com 9 e Nigéria com 7, todas com 5 jogos realizados.

Na 7ª rodada, veio o baque de perder para a Nigéria por 2 x 0, fora de casa, o que ainda não foi suficiente para custar a liderança. Porém, uma nova derrota no jogo seguinte para Gana, mesmo diante de sua torcida, foi praticamente o golpe de misericórdia no sonho da Libéria; a Nigéria goleou o Sudão e tomou para si a liderança, com 13 pontos.

Na penúltima rodada, que marcou sua despedida das eliminatórias, a Libéria venceu Serra Leoa por 1 x 0, assumindo a ponta do grupo com 15 pontos e colocando todas as esperanças em um tropeço da Nigéria na última rodada, contra Gana. No entanto, os nigerianos venceram com autoridade por 3 x 0 e garantiram sua passagem ao Mundial, superando a Libéria por apenas um ponto. Assim, a Copa do Mundo escapou de forma traumática dos liberianos e virou uma utopia, que dificilmente será realidade um dia. E, para a carreira de George Weah, foi a grande lacuna.

Copa de 1998: Congo (África)

té hoje, há quem se atrapalhe com os dois Congos localizados na África: existem a República do Congo, antiga colônia francesa, e a República Democrática do Congo, ex-colônia belga que disputou a Copa de 1974 sob a alcunha de Zaire, e voltou aos Mundiais exatamente em 2026. Aqui, estamos falando da primeira, e exatamente da eliminatória onde a confusão se iniciou, em 1998.

O Congo nunca foi uma potência do continente africano e, neste século, disputou apenas uma edição da Copa Africana, em 2015, sediada na Guiné Equatorial. Desde 2023, a seleção vem derretendo no ranking da Fifa e ocupa apenas a 134ª posição na última atualização. A realidade era quase a mesma na curta eliminatória para a Copa da França, com apenas duas fases e agora cinco vagas diretas no Mundial.

A estreia dos congoleses foi contra a Costa do Marfim, em uma grande vitória por 2 x 0 no jogo de ida. Na volta, a classificação para a fase decisiva foi garantida com um empate por 1 x 1. Na 2ª fase, o sorteio reservou o grupo 3, com África do Sul e Zâmbia se reconstruindo, além do Zaire. A campanha congolesa se iniciou com vitória de 1 x 0 sobre os zambianos e um empate de 1 x 1 contra o Zaire. Na 3ª rodada, um 2 x 0 sobre a África do Sul levou o Congo à liderança, mantida no jogo seguinte, apesar de uma sonora derrota por 3 x 0 na revanche contra a Zâmbia.

Então, veio a mudança geopolítica: o Zaire foi renomeado para República Democrática do Congo, dias antes da penúltima rodada, onde ocorreria o primeiro “clássico dos Congos”. Melhor para a ex-colônia francesa, que venceu por 1 x 0 e manteve a chama acesa. Porém, um 3 x 0 anotado pela África do Sul sobre a Zâmbia rendeu a liderança para os Bafana Bafana nos critérios de desempate. Na rodada final, Congo e África do Sul fariam um duelo direto, com o sonho em comum de estrear em Copas do Mundo e a vantagem do empate para os sul-africanos.

Na partida disputada em Joanesburgo, uma simples vitória por 1 x 0 seria suficiente para a África do Sul, classificada ao Mundial da França com 13 pontos. Para o Congo, restou a frustração dos 10 pontos e a insuficiente vice-liderança do grupo.

Copas de 2006 e 2010: Bahrein (Ásia)

Por fim, uma seleção do Oriente Médio que bateu na trave duas vezes seguidas, e com o mesmo roteiro. Conhecido mundialmente no esporte pela realização do Grande Prêmio de Fórmula 1, o Bahrein viveu o ápice do futebol nos anos 2000. O grande momento começou em 2004, na Copa da Ásia, quando os barenitas surpreenderam em sua segunda participação e chegaram até a semifinal, caindo apenas na prorrogação contra o Japão.

Antes disso, o Bahrein já havia estreado na 2ª fase das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006, caindo em um grupo acessível com Quirguistão, Síria e Tadjiquistão. Antes da incrível campanha continental, eram duas vitórias e um empate, o que se repetiu no 2º turno. Com 14 pontos, selou sua classificação na última rodada, em goleada de 4 x 0 sobre o Tadjiquistão.

Na 3ª fase, eram dois grupos de quatro equipes, com os dois primeiros de cada se garantindo diretamente na Copa. O Bahrein foi sorteado para uma chave pesada, com Japão, Irã e Coreia do Norte, e fez campanha fraca, de apenas 1 vitória, 1 empate e 4 derrotas. Os barenitas passaram longe da vaga direta no Mundial, mas foram ajudados pela campanha ainda pior da Coreia do Norte, derrotada nos cinco primeiros jogos; na última rodada, mesmo levando 3 x 2 dos norte-coreanos e fechando com somente 4 pontos, o Bahrein se garantiu no play-off continental.

No play-off, dois jogos contra o Uzbequistão. Inicialmente, o Bahrein perdeu a ida por 1 x 0 fora de casa. Porém, a FIFA anulou o confronto e ordenou uma nova partida, que acabou empatada em 1 x 1. No jogo de volta, disputado em Manama, o empate de 0 x 0 classificou o Bahrein para a repescagem mundial, graças ao gol fora de casa. Pela frente, mais dois jogos contra Trinidad e Tobago, valendo a classificação inédita para ambos. No jogo de ida, em Port of Spain, empate por 1 x 1, e o Bahrein teria a vantagem de decidir em casa, diante de sua torcida. Porém, com gol de Dennis Lawrence aos 4 do 2º tempo, Trinidad e Tobago venceu o jogo de volta por 1 x 0 e foi ao Mundial.

Foto: Reprodução/GE

O Bahrein não sentiu o baque e voltou a brilhar nas eliminatórias para a Copa da África, em 2010. A estreia ocorreu na 1ª fase, em dois jogos contra a Malásia, e a classificação foi selada após uma vitória de 4 x 1 na ida e um 0 x 0 na volta. Pelo ranking da FIFA, o Bahrein pulou a 2ª fase e foi direto para a terceira. Pela frente, um grupo com Japão, Omã e Tailândia, e a classificação veio com brilho: na 2ª rodada, os barenitas venceram os japoneses em casa por 1 x 0, e com uma rodada de antecedência selaram a passagem para a 4ª fase, empatando com Omã; a única derrota foi na rodada final, e apenas por 1 x 0 na revanche contra o Japão.

Na quarta fase, o formato era praticamente o mesmo de 2006, contando agora com cinco seleções nos dois grupos, brigando pelas duas vagas diretas. O Bahrein encontrou de novo o Japão, além da estreante Austrália, Qatar e Uzbequistão. Sem conseguir vencer os dois favoritos, ficou difícil buscar a classificação, mas, ao saírem invictos dos duelos nivelados e diretos contra Qatar e Uzbequistão, os barenitas voltaram ao play-off continental, na 3ª posição e com 10 pontos.

O desafio da vez era pesado, em um clássico do Oriente Médio contra a Arábia Saudita, vinda de quatro Copas consecutivas. O confronto ficou mais difícil após o empate de 0 x 0 jogando em casa, que levou a decisão para o solo saudita, onde o drama foi extremo: com a vantagem do gol fora, o Bahrein saiu atrás em gol de Al-Shamrani aos 13 do 1º tempo, mas buscou o empate com Okwunwanne antes do intervalo. O favorável 1 x 1 persistiu até os 46 da etapa final, quando Al-Montashari marcou o segundo gol da Arábia Saudita. Parecia uma derrota certa, mas o Bahrein não desabou e buscou um heroico empate aos 48, com Abdul Latif, que garantiu a classificação para a repescagem mundial.

Restava a Nova Zelândia pelo caminho, e depois desse roteiro espetacular, não havia como não acreditar em um final diferente, com a vaga na Copa. No jogo de ida, em Manama, ninguém balançou a rede, e a hora da verdade ficou para a volta. O jogo decisivo em Wellington foi disputado, mas um gol solitário de Fallon garantiu a vitória e a classificação da Nova Zelândia. O Bahrein perdia a segunda grande chance de jogar uma Copa, e que, até o momento, foi a última.



Por Midia Ninja

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