Geminiano, carioca e dono de uma intensidade que ele mesmo classifica como “um excesso positivo”, Bruno Black não é apenas um nome nas capas de livros. Ele é o rosto de um movimento que une poesia, sobrevivência e um aguçado tino para o empreendedorismo cultural. Com mais de 30 obras no currículo e uma legião de seguidores — os fiéis “Brunitos” — o autor prova que a literatura independente no Brasil pode, sim, ser um caminho de prosperidade.
O Salto de Fé
A trajetória de Bruno mudou drasticamente em 2015, quando ele decidiu abandonar a segurança do mercado formal de trabalho para se dedicar integralmente à escrita. Ele descreve esse período como um processo “libertador e doloroso”.
“Libertador porque pude finalmente viver exclusivamente do que amo. Doloroso porque perder o fixo do mês é assustador. Mas eu fiz o que devia. Bruno Black merece o meu melhor”.
Identidade e Sangue no Papel
Cria da Comunidade do Fumacê, em Realengo, Bruno carrega suas raízes em cada verso. Como uma voz potente da periferia e da comunidade LGBTQIAPN+, ele se define como um artista visceral que “sangra, sorri e vive com as palavras”. Para ele, a favela não é apenas um cenário, mas a escola que o ensinou a ser humano e criativo.
Saúde Mental e o Prefácio de uma Lenda

Um dos pilares de sua obra é a saúde mental. Seu projeto #TarjaPreta nasceu de uma necessidade de sobrevivência pessoal aos próprios caos internos. O impacto foi tão profundo que ele já prepara o lançamento de #TarjaPreta 2 para 2026, com uma chancela de peso: o prefácio será assinado por sua madrinha artística, a cantora Zélia Duncan.
“Ela foi me ajudando na escuta a me libertar, a entender minhas fragilidades. Viramos amigos. Ela diz que se inspira em mim também, e eu a amo demais”, revela o poeta sobre a relação com a artista.
Empreendedorismo e Missão
Bruno não espera pelo mercado; ele o cria. Crítico sobre a desvalorização da arte — “as pessoas compram batom e cigarro, mas esquecem de comprar livro” — ele se tornou um “mente biônica” para manter o capital circulando próximo aos artistas independentes.
Além de sua produção solo, ele atua como mentor através de suas antologias, como o Clube das Palavras e o projeto “Se tens um dom, seja”. Para Bruno, abrir espaço para novos autores é uma missão de “redenção e prosperidade literária”.
O Futuro é uma “Caixinha de Surpresas”

Apesar da produção de um gigante, Bruno afirma que ainda se sente um “aprendiz”. Seus planos para o futuro incluem explorar contos, crônicas e até a atuação. Entre o desejo de cantar e o sonho de cuidar de animais abandonados, ele segue guiado pelo seu mantra inegociável: “Se tens um dom, seja!”.
Rapidinhas com Bruno Black:
- Um medo: A crueldade de alguns setores do meio artístico.
- Uma vitória: Ser um “milagre” vindo de onde veio.
- Um projeto: Ver novos discípulos levando a poesia mundo afora.
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