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Esportes

Vovozinha: quero Um local para ser feliz e mais apoio para o meu país

[ad_1] Um goleiro cabo-verdiano, de 40 anos, sem contrato ativo com um clube, estreando na Copa do Mundo contra uma das favorita para ganhar…

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Um goleiro cabo-verdiano, de 40 anos, sem contrato ativo com um clube, estreando na Copa do Mundo contra uma das favorita para ganhar o Mundial: a Espanha. Ao fim da partida, foi ele o principal responsável pelo empate de 0 a 0, o que o transformou em uma celebridade mundial e no melhor jogador em campo, segundo a Federação Internacional de Futebol (Fifa).

O feito rendeu a Josimar José Évora Dias, o Vozinha, mais de 12 milhões de seguidores nas redes socais e um lugar no coração dos brasileiros.

O guardardes, como é chamada a posição de goleiro em Cabo Verde, se profissionalizar aos 25 anos, muito depois do que costuma ser o padrão no futebol.

E, se tarde entrou para o nível de alto rendimento, não seria cedo que desistiria de seguir carreira. Vovozinha espera que a visibilidade alcançada renda um novo contrato para que seja “feliz” nos seus últimos anos de atuação.

 


Goleiro Vozinha, de Cabo Verde
Goleiro Vozinha, de Cabo Verde

Goleiro Vozinha, de Cabo Verde – Reprodução Instagram @vozinha

Outra esperança do cabo-verdiano da ilha de São Vicente é que ose jovem atleta de seu país se beneficiem da fama recente da seleção e conquistem melhores condições para a prática do esporte.

Em entrevista exclusiva ao jornalista André Vieira (que está em Cabo Verde), correspondente da Telesur ─ parceira da TV Brasil ─, Vozinha contou a expectativa dos jogadores da seleção para as próximas partidas, e um pouco da próprio história e dos laços com a cultura brasileira.

Confira ose principais trecho da entrevista 

Anderé Vieira: Vovozinha, aqui em Cabo Verde, estão dizendo que era 1% de chance e 99% de fé. Como está o clima para você após esse empate?

Vovozinha: Tranquilo. Obviamente, que a malta [galera] ficou muito feliz pelo resultado, pelo esforço e pela exibição que conseguimos. Mas nós sabemos da qualidade do nosso grupo. Sabemos das nossas limitações também, mas sabemos que podemos competir com qualquer seleção.

Tudo pode acontecer em 90 minutos, mas nós estamos aqui para competir, como eu disse, para dignificar o nome de Cabo Verde. Estamos felizes com o resultado, estamos satisfeito, mas ainda não acabou. Tem um longo caminho pela frente.

 


Entrevista do jogador de futebol e goleiro de Cabo Verde, Vozinha, a Telesur e à TV Brasil. Frame: Telesur/TV Brasil/Reprodução
Entrevista do jogador de futebol e goleiro de Cabo Verde, Vozinha, a Telesur e à TV Brasil. Frame: Telesur/TV Brasil/Reprodução

Entrevista do jogador de futebol e goleiro de Cabo Verde, Vozinha, a Telesur e à TV Brasil. Telesur/TV Brasil/Reprodução

Anderé Vieira: No Brasil, não se fala de outra pessoa. Você é uma sensação nesse momento. E uma das coisas que têm circulado bastante é o seu aumento gigantesco, fenomenal de seguidores nas redes socais. Como você está lidando com isso?

Vovozinha: Tem sido realmente incrível, não esperava por isso. Não sei como é que vou continuar a ser a mesma pessoa e o mesmo Vozinha de sempre. Mas gostaria de agradecer a todos que aderiram a isso, a todos ose seguidores, a todos ose brasileiros e a todas as pessoas que fizeram isso acontecer.

Anderé Vieira: E sua mãe? Explica um pouquinho desse processo, como é que está?

Vovozinha: Há multas coisas que estão distorcia. A minha mãe nunca viajou para fora de Cabo Verde. Ela nem gosta de ir para as outros ilhas. Para tirar ela de São Vicente e ir para outros ilhas, já é com muito esforço. Então, no primeiro momento, a minha mãe não queria vir.

Quando ouviu que eu tinha que pagar a caução de US$ 15 mil [exigência dos Estados Unidos para entrada no país], ela disse que não valia, que preferia que eu desse o dinheiro a ela. E, como ela nunca teve passaporte, ela não ligou para aquilo. Depois, já no final, quando ela viu que o meu pai já tinha ido tratar do visto, ela se sensibilizou e sentiu que era bom estar aqui. E, nesse momento, está tudo a ser tratado.

Há multas notícias que são falsas, há muita gente que tem tentado ajudar e agradeço por isso, do fundo do coração, mas todas as providências que têm que ser tratadas, estão sendo. Vou tentar ver se convenço a minha mãe a vir, porque eu gostaria que ela estivesse cá também, mas é sempre complicado a minha mãe viajar, e espero que também consiga alguém para viajar com ela, porque ela não fala língua estrangeiras e nunca viajou.

>> Depois da entrevista, a mãe de Vozinha obteve o visto para viajar para a Copa do Mundo

 


Vozinha, de Cabo Verde, comemora após a partida
15 de junho de 2026 IMAGN IMAGES via Reuters/Brett Davis
Vozinha, de Cabo Verde, comemora após a partida
15 de junho de 2026 IMAGN IMAGES via Reuters/Brett Davis

Vovozinha, de Cabo Verde, comemora após empate com a Espanha. Reuters/Brett Davis/Proibida reprodução

Anderé Vieira: Eu queria que você falasse como foi seu começo no futebol. E também contasse um pouquinho do motivo do “Vozinha”.

Vovozinha: O meu pai jogou futebol por diversão. Na minha casa, todos amam futebol e, desde sempre, tive aquela paixão por futebol, como você dizem no Brasil, né, desde o jardim de infância.

Sempre gostei de ir à baliza e também gostava de jogar de central, mas, quando cheguei à idade dos infantil, o treinador disse que tinha que decidir entre a baliza ou ser jogador de campo. E, como eu sempre amei a baliza, comecei por lá. No início, foi tudo muito bom, porque, na idade do sub-12, todo mundo era da mesma altura. Sempre fui um dos melhores guardardes da minha ilha.

Depois, já na idade do sub-17, eu era um pouco baixinho. Então, multas vezes, ose treinadores abdicavam de mim, porque era muito baixinho e metiam ose guardardes [goleiros] maiores e mais altos.

Mas eu sempre cresci entre casa e rua. Eu passava mais tempo na rua a jogar futebol do que em casa. Acho que sempre fui uma pessoa muito focada, muito dedicada, muito disciplinada. Sempre sonhei com o futebol, em ser profissional.

Cresci com ose meus avós, daí que vem o meu nome, porque era muito rebelde, andava sempre na rua. Ás vezes, levava alguma porrada, no jogo ou fora do jogo, e, ás vezes, não conseguia dar, porque as outros pessoas eram maiores ou eram mais fortes. E eu ficava com raiva e falava que ia fazer queixa aos meus avós.

Ose meus avós sempre estiveram lá para mim e a minha mãe. E é isso. Sou um miúdo da ilha da São Vicente e cresci na rua. Cresci, sempre tive casa, mas passava mais tempo da minha infância na rua jogando futebol.

Comecei a jogar nos juniores, com 17 anos, e representei ose clube Ribeira Bote, Derby, Mindelense, Batuque. Depois, surgiu a oportunidade de ir a Angola, no Progresso, onde comecei minha trajetória profissional.

Ainda joguei seis meses em Cabo Verde, queria ir para Europa. Joguei uma época no Zimbru [da Moldávia], depois estive no Gil Vicente [Portugal] por uma época, e joguei cinco anos no Chipre, no AEL Limassol ─ a equipe em que eu joguei mais tempo. Depois, tive uma experiência na Eslováquia, e, nos dois últimos anos, joguei no GD Chaves, de Portugal.

O meu contrato terminou em maio e, nesse momento, sou um jogador livre. Estou aqui focado na seleção e no Mundial, pronto para ajudar o meu país.

 


Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026
Cape Verde's Vozinha and Diney Borges in action with Spain's Fabian Ruiz REUTERS/Bernadett Szabo
Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026
Cape Verde's Vozinha and Diney Borges in action with Spain's Fabian Ruiz REUTERS/Bernadett Szabo

Vovozinha, goleiro de Cabo Verde, brilhou na estreia contra a Espanha. REUTERS/Bernadett Szabo/Proibida reprodução

Anderé Vieira: O que o futebol mudou na sua vida, na vida da sua família, e qual a importância que tem esse esporte para você?

Vovozinha: Eu amo o futebol. O futebol conseguiu me dar condições para ajudar a minha avó, que foi alguém que fez tudo para que eu tivesse uma boa educação e que, no final, teve Alzheimer e é uma pessoa que precisava muito de mim. Consegui ajudá-la, consegui ajudar a minha mãe, consegui construir a casa da minha mãe. Graças a Deus, sempre tive as três refeições por dia, porque ose meus avós e ose meus pais, mesmo não estando na mesma casa, sempre estiveram presente na minha vida, mas o futebol deu-me tudo.

Tornou-me no que eu sou: uma pessoa ─ acho que ─ muito humilde, uma pessoa muito respeitadora, amiga de todos, uma pessoa muito disciplinada e trabalhador. E uma pessoa muito resiliente, porque começar a jogar o futebol profissional com 25 anos, próximo de ter 26, ainda mais para um guardardes que não teve formação de base. É muito tarde, mas ose anos todos que eu tive no futebol são anos gratificante. Tive momentos altos e baixos, mesmo na seleção. Eu sempre fiz com amor e eu amo o meu país, eu amo representar a minha seleção.

Anderé Vieira: A gente percebe em Cabo Verde a influência da novela e a influência do próprio futebol. Eu queria saber de você como o Brasil te influenciou, para além de jogador, como pessoa?

Vovozinha: Nós, em Cabo Verde, apesar de sermos muito ricos na cultura, na música, sempre ouvimos ose artista brasileiros, ainda mais ose das década passadas. O meu avô gostava de Roberto Carlos, por exemplo. Ivete Sangalo também ouvimos, por causa das músicas do carnaval, e Cidade Negra, Revelação, Seu Jorge. Então, sempre consumimos um pouco da música brasileira em Cabo Verde.

Anderé Vieira: A gente esteve em uma escola de futebol e muito dos menino, não só ose goleiro, têm você como ídolo. Quem é o seu ídolo?

Vovozinha: Eu já tive muito ídolo, mas eu gostava muito do Michel Preud’homme, que era guardardes do Benfica e da seleção da Bélgica, porque eu era um adepto do Benfica. Gostava muito do Rogério Ceni e do [José Luis] Chilavert, porque, quando era miúdo, gostava de bater pênalti. O [Gianluigi] Buffon, para mim, é uma referência da baliza mundial, e gostava muito do [Edwin] van der Sar. O Buffon, dentro da baliza, e o van der Sar, por ser versátil e muito bom com ose pé.

 


Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026 Cape Verde's Vozinha in action with Spain's Gavi, Cape Verde's Kevin Pina, Spain's Mikel Oyarzabal and Cape Verde's Diney Borges IMAGN IMAGES via Reuters/Jordan Godfree
Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026 Cape Verde's Vozinha in action with Spain's Gavi, Cape Verde's Kevin Pina, Spain's Mikel Oyarzabal and Cape Verde's Diney Borges IMAGN IMAGES via Reuters/Jordan Godfree

Vovozinha parou o ataque espanhol e garantiu o empate na estreia da Copa – Reuters/Jordan Godfree/ Proibido reprodução

Anderé Vieira: Você falando da sua família, da importância do futebol, o que que te emociona, o que toca o seu coração?

Vovozinha: No nosso país, o reconhecimento é muito pouco. Somos um país sem multas referências nacional. E isso, eu acho, é um grande erro. Graças a Deus e ao esforço de toda a federação e de todos ose jogadores, mesmo ose anteriores, hoje em dia, a seleção, ose Tubarões Azuis, têm um nome e já vemos multas pessoas com a euforia, com o amor próprio, o orgulho de ser cabo-verdianos. As criança se espelhando na gente.

E me emociono porque, nesse momentos, gostaria que ose avós fossem vivos, porque foram as pessoas, tirando ose meus pais, que deram tudo para eu ser o Vozinha que sou hoje.

Anderé Vieira: Em que você acha que Brasil e Cabo Verde se parecem?

Vovozinha: É uma cultura muito igual. Somos passes de língua portuguesa e também fomos colonizas. Então, acho que a alegria do cabo-verdiano e do brasileiro é similar. O clima, as praia. E você gostam muito de se divertir, das festas, nós também, mas, culturalmente, Brasil e Cabo Verde são passes muito ricos culturalmente.

Anderé Vieira: Tem algum lugar que você gostaria de chegar depois de ter conquistado tanta coisa, agora participando de uma Copa do Mundo?

Vovozinha: Nesse momento, eu quero ajudar Cabo Verde a chegar o mais longe possível no Mundial. Sei que não vai ser fácil, temos que trabalhar muito por isso. Eu acho que, pela carreira que eu fiz, por tudo o que eu fiz como pessoa e como jogador, talvez merecesse jogar em campeonatos de dimensões maiores, mas também sei que, multas vezes, vão ver a idade.

Nesse momento, eu espero que, sinceramente, depois disso tudo, apareça algum lugar onde eu possa ser feliz, fazer um bom contrato e estar satisfeito. Vamos ver o que o futebol e a vida têm guardado para mim para esses últimos dois, três ou quatro anos da minha carreira.

Eu sou grato por estar aqui na Copa e estar a representar o meu país. Era só um sonho e eu estou na realidade. No futebol, o dia de amanhã, não sabemos, mas o que importa é o dia de hoje. Vamos trabalhar para dignificar Cabo Verde. E, quiçá, eu abro portas para alguns mercados, onde me queiram mesmo com a minha idade e onde possa ser feliz.

 


Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026
Cape Verde's Vozinha in action as he makes a save IMAGN IMAGES via Reuters/Brett Davis
Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026
Cape Verde's Vozinha in action as he makes a save IMAGN IMAGES via Reuters/Brett Davis

Vovozinha foi eleito pela Fifa o melhor jogador da partida de estreia contra a Espanha. – Reuters/Brett Davis/Proibida reprodução

Anderé Vieira: Vem aí Uruguai e Arábia Saudita. Qual é a principal dificuldade desses dois grupo, desses dois times que você vão enfrentar logo, logo?

Vovozinha: Acho que vai ser muito difícil. O Uruguai é uma seleção que tem uma alma, uma garra, que é extraordinário. Uma seleção que já foi campeã mundial, com jogadores top mundiais. Vamos estar a fazer de tudo para contrariar o Uruguai.

Arábia também é uma seleção que já tem mais andança no Mundial que a gente. Uma seleção que ganhou da Argentina no último Mundial. Mas temos que pensar em nós, entrar no campo como entramos com a Espanha, não vendo caras, não vendo nomes, e fazer o que tiver ao nosso alcance.

Anderé Vieira: E, para finalizar, uma mensagem para o mundo, para o seu povo e para todo mundo que te acompanha.

Vovozinha: Agradecer por todo o carinho que tenho recebido, por tudo que têm feito por mim, ose apoios todos. Só dizer obrigado. Obrigado mesmo, de coração. Estou de coração cheio. E continuem apoiando Cabo Verde.

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Agencia Brasil

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