A mesa do Ella Nordeste, “Vozes de Quem Faz Cultura”, reuniu mulheres de diferentes territórios, gerações e linguagens artísticas para refletir sobre os desafios de quem produz cultura no Brasil. O debate colocou em evidência temas como trabalho, cuidado, ancestralidade e as desigualdades enfrentadas pelas mulheres que atuam no setor cultural.
A abertura foi realizada por Camila Rodrigues, superintendente do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, que destacou a importância de criar espaços de encontro para fortalecer redes e construir respostas coletivas para os desafios vividos pelas mulheres. “Como gestora, mãe solo e produtora cultural, estou muito feliz por compartilhar este momento com vocês, para que possamos nos pensar coletivamente”, afirmou.


Fotos: Flávia Almeida
Cultura, trabalho e permanência das mulheres
Durante a conversa, Zaneir Teixeira, docente, doutora em Direito Público e gestora cultural, refletiu sobre as renúncias que muitas mulheres fazem para permanecer no campo da cultura. Segundo ela, a dedicação ao trabalho cultural frequentemente acontece às custas da vida pessoal e do cuidado consigo mesmas. “As mulheres entregam muito para sustentar a cultura. Muitas vezes, o que dedicamos ao trabalho faz falta em outros espaços da nossa vida”, destacou.

Foto: Flávia Almeida
Na sequência, a musicista e técnica de som Naiara Lopes abordou a precarização do trabalho artístico e a urgência de discutir saúde mental entre profissionais da cultura. Para ela, a paixão pela profissão não pode justificar jornadas marcadas pelo desgaste e pela ausência de condições dignas. “A gente entrega muito, se esforça muito, mas muitas vezes o trabalho não dá uma segunda chance. Isso é o que eu amo fazer, e seria bom que também pudesse ser prazeroso”, afirmou.
Encerrando a mesa, a artista indígena e educadora popular Jéssika Kariri trouxe uma reflexão sobre a relação entre arte, ancestralidade e o feminino, reforçando a cultura como espaço de memória, pertencimento e transformação coletiva. “A cultura e a arte são femininas. Olhem a quantidade de energia feminina que está em movimento”, concluiu.
