Tragédia no CDC expõe emenda sem responsável e obra fora do projeto

Ghe Santos
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A morte de Levi Edson, 17 anos, atingido pela estrutura da tabela de basquete no CDC Jardim Nélia, no Itaim Paulista, expôs falhas graves na gestão dos espaços esportivos da periferia e abriu uma série de perguntas sem resposta sobre quem autorizou e executou a estrutura improvisada que desabou.
Mesmo após a tragédia, o CDC segue aberto ao público, sem manifestação oficial do poder público.

O acidente ocorreu no sábado, quando a viga de concreto que sustentava a tabela cedeu durante uma atividade esportiva. Levi morreu no local. O caso é investigado pelo 50º DP.

O CDC Jardim Nélia, administrado pelo Instituto Didi-Santana, foi inaugurado oficialmente em 1º de julho de 2024, com presença do prefeito Ricardo Nunes, do vereador André Santos e autoridades da região. A obra tinha investimento previsto de R$ 1.025.664,05 e incluía revitalização e modernização dos vestiários, área de lazer no entorno do campo e implantação de gramado sintético com drenagem.
O projeto não incluía a implantação de estrutura de basquete.

Foto de: Marcelo Pereira / SECOM Pref. SP
Foto de: Marcelo Pereira / SECOM Pref. SP

Apesar disso, uma emenda parlamentar de cerca de R$ 50 mil, apresentada pelo vereador André Santos para oficinas de basquete, passou a ser citada por moradores e agentes locais como motivação para a instalação da estrutura que desabou.
A assessoria do vereador informou que ele “lamenta profundamente” a morte do jovem e que a emenda tinha “um único escopo: realização de oficinas”, sem qualquer relação com obras, instalações ou reformas.
No entanto, o vereador não respondeu a outros canais de comunicação sobre para quem a emenda foi direcionada, quem executou as atividades ou se houve acompanhamento operacional.

O Instituto Didi-Santana, responsável pela gestão do CDC, também não apresentou documentos que expliquem quem autorizou a instalação improvisada, se houve contratação de empresa ou laudo técnico, nem se notificou a Subprefeitura do Itaim Paulista.

O silêncio se estende ao poder público: nem a Prefeitura de São Paulo, nem a Subprefeitura do Itaim Paulista emitiram nota ou responderam aos questionamentos sobre a morte de Levi ou sobre como uma obra não prevista no projeto original foi instalada dentro de um equipamento recém-inaugurado.

Para a comunidade do Itaim, a tragédia escancara problemas antigos: falta de manutenção, improvisação estrutural, emendas executadas sem transparência e ausência de fiscalização efetiva nos CDCs da periferia.
A morte de Levi, evitável, levanta uma pergunta central: como uma emenda pública pode ser executada sem responsável, sem registro e sem garantir a mínima segurança para os jovens que dependem desses espaços?

A família e os moradores cobram respostas, responsabilização e transparência — para que essa tragédia não seja engolida pelo silêncio que a cercou desde o primeiro dia.

“Este conteúdo reflete exclusivamente a opinião do colunista, não representando necessariamente o posicionamento do Portal Inhaí.
Pessoas citadas ou envolvidas que desejarem exercer o direito de resposta podem fazê-lo pelo e-mail: fale@inhai.com.br”

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