- Punição reúne seis jogos e afastamento adicional
- Decisão foi tomada por maioria dos auditores
- Tribunal entendeu que jogador assumiu risco
- Victor Gabriel participou do julgamento
- Entrada provocou fratura na tíbia
- Procuradoria defendeu equilíbrio entre os clubes
- Auditor destaca prejuízo financeiro do Cruzeiro
- Gabriel Pec se lesionou na estreia pelo Cruzeiro
- Entenda o artigo 254 do CBJD
- Internacional poderá recorrer ao Pleno
- Punição acompanha período de recuperação
Zagueiro do Internacional também recebeu punição de seis partidas pela entrada que provocou fratura no atacante do Cruzeiro; decisão ainda admite recurso
O zagueiro Victor Gabriel, do Internacional, foi suspenso por seis partidas e deverá permanecer afastado até que Gabriel Pec, do Cruzeiro, esteja novamente apto a treinar, respeitado o limite máximo de 180 dias.
A punição foi determinada nesta terça-feira (28) pela Sexta Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A decisão foi tomada por maioria dos votos e ainda pode ser contestada pelo clube no Pleno do tribunal.
Victor Gabriel foi denunciado por jogada violenta em razão da entrada que provocou uma fratura na tíbia esquerda de Gabriel Pec durante a partida entre Internacional e Cruzeiro, realizada no dia 22 de julho, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro.
O atacante do Cruzeiro precisou passar por cirurgia e permanecerá afastado das competições durante o processo de recuperação.
Punição reúne seis jogos e afastamento adicional
A pena aplicada a Victor Gabriel possui duas partes. Inicialmente, o zagueiro recebeu a suspensão de seis partidas, punição máxima prevista no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva para jogada violenta.
Além dos jogos, o STJD aplicou o agravante previsto no parágrafo terceiro do mesmo artigo.
A regra permite que o jogador responsável por uma jogada violenta grave permaneça suspenso enquanto o adversário atingido estiver impossibilitado de praticar a modalidade.
Dessa forma, Victor Gabriel deverá ficar afastado até que Gabriel Pec seja liberado para retornar aos treinamentos, com prazo máximo de 180 dias.
A decisão não exige que o atacante volte a disputar uma partida oficial. A suspensão adicional termina quando o Cruzeiro comunicar ao tribunal que Pec está novamente apto para treinar.
Decisão foi tomada por maioria dos auditores
O agravamento da punição não foi aprovado de forma unânime.
O auditor relator inicialmente rejeitou a aplicação do afastamento adicional porque entendeu que Victor Gabriel não teve a intenção de lesionar o adversário.
Os demais integrantes da comissão, entretanto, consideraram que a ausência de intenção não eliminava a responsabilidade pela gravidade da jogada e pelas consequências provocadas.
O voto divergente foi acompanhado pela auditora Aline Jatahy e pelo presidente da comissão, Jorge Octavio Lavocat Galvão.
Ao final da sessão, foi anunciada a suspensão de seis partidas, acompanhada da extensão da pena até o retorno de Gabriel Pec aos treinamentos, limitada a 180 dias. O resultado foi confirmado pelo STJD.
Tribunal entendeu que jogador assumiu risco
Victor Gabriel foi enquadrado no artigo 254 do CBJD, que trata da prática de jogada violenta.
O entendimento apresentado durante o julgamento foi de que o defensor não entrou na disputa com a intenção de provocar uma fratura, mas realizou uma ação considerada temerária e assumiu o risco de causar uma lesão.
Segundo a súmula da partida, o zagueiro recebeu o cartão vermelho direto por atingir Gabriel Pec com força excessiva durante a disputa pela bola.
A Procuradoria anexou vídeos do lance e sustentou que as imagens demonstravam uma ação desproporcional, com a sola da chuteira atingindo a região da tíbia do adversário.
A gravidade da lesão foi considerada determinante para que a maioria dos auditores aceitasse a aplicação da punição adicional.
Victor Gabriel participou do julgamento
O zagueiro compareceu presencialmente à sede do tribunal e apresentou sua versão sobre o lance.
Victor Gabriel afirmou que não teve a intenção de machucar Gabriel Pec e relatou a conversa mantida com o atacante após a partida.
O defensor já havia lamentado publicamente a lesão e pedido desculpas pelo ocorrido.
A argumentação sobre a falta de intenção foi considerada pelos auditores, mas não impediu a aplicação da pena máxima de seis jogos e do afastamento adicional.
O entendimento majoritário foi de que o julgamento deveria levar em consideração não apenas a intenção do jogador, mas a maneira como a disputa ocorreu e o dano causado ao adversário.
Entrada provocou fratura na tíbia
O lance aconteceu durante o segundo tempo da partida disputada no Beira-Rio.
Victor Gabriel chegou atrasado na disputa e atingiu a perna esquerda de Gabriel Pec. O zagueiro recebeu o cartão vermelho direto e foi expulso.
O atacante precisou ser atendido ainda no gramado e não conseguiu continuar na partida. Exames realizados posteriormente confirmaram uma fratura na tíbia esquerda.
Gabriel Pec foi submetido a uma cirurgia e iniciou o processo de recuperação. O Cruzeiro ainda precisará comunicar oficialmente ao STJD quando o jogador estiver liberado para retomar os treinamentos.
A expulsão de Victor Gabriel também deixou o Internacional com um jogador a menos e contribuiu para a mudança do cenário da partida, vencida pelo Cruzeiro.
Procuradoria defendeu equilíbrio entre os clubes
Durante o julgamento, o subprocurador-geral Ronald Siqueira Barbosa Filho defendeu a necessidade de uma punição proporcional às consequências causadas pela jogada.
Segundo ele, quando uma equipe perde um atleta por meses em razão de uma entrada violenta, a Justiça Desportiva deve considerar o desequilíbrio esportivo provocado entre os clubes.
A Procuradoria argumentou que uma suspensão limitada somente a algumas partidas poderia ser insuficiente diante do longo período de recuperação de Gabriel Pec.
O posicionamento foi acolhido pela maioria da comissão, que decidiu manter Victor Gabriel suspenso enquanto o atacante estiver impossibilitado de treinar.
Auditor destaca prejuízo financeiro do Cruzeiro
O impacto financeiro causado ao Cruzeiro também foi mencionado durante a sessão.
Gabriel Pec foi contratado como um dos principais reforços do clube para a temporada. O Cruzeiro pagou aproximadamente US$ 12 milhões, cerca de R$ 61,1 milhões, para contratar o jogador que atuava na Major League Soccer, dos Estados Unidos.
O atacante foi adquirido para substituir Christian, negociado com o Krasnodar, da Rússia.
A lesão aconteceu justamente na primeira partida oficial de Pec com a camisa celeste. Com a fratura e a necessidade de cirurgia, o Cruzeiro não poderá utilizar o jogador durante uma parte significativa do Campeonato Brasileiro.
Durante o julgamento, o auditor Rodrigo Steinmann Bayer afirmou que o prejuízo financeiro do clube estava demonstrado, considerando o valor da transferência e os objetivos esportivos da contratação.
Gabriel Pec se lesionou na estreia pelo Cruzeiro
A partida contra o Internacional marcou a estreia oficial de Gabriel Pec pelo clube mineiro.
Antes da contusão, o atacante havia participado de 19 ações com a bola, realizado três finalizações e sofrido duas faltas.
A expectativa era de que o jogador ocupasse uma função importante no setor ofensivo durante a sequência do Campeonato Brasileiro.
A lesão interrompeu o início da passagem do atacante pelo Cruzeiro e obrigará a comissão técnica a buscar outras opções para a posição.
O período exato de recuperação dependerá da evolução clínica e da resposta ao tratamento depois da cirurgia.
Entenda o artigo 254 do CBJD
O artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva prevê suspensão de uma a seis partidas para o atleta que praticar jogada violenta.
O enquadramento pode ser aplicado mesmo quando não existe a intenção deliberada de lesionar o adversário.
O parágrafo terceiro estabelece uma consequência adicional nos casos mais graves. Quando o jogador atingido permanece impossibilitado de praticar a modalidade em razão da jogada, o infrator pode continuar suspenso até a liberação do adversário para os treinamentos.
O afastamento adicional não pode ultrapassar 180 dias.
Já o parágrafo quarto determina que o clube do atleta lesionado deve comunicar ao órgão julgador quando ele estiver novamente apto a treinar.
Internacional poderá recorrer ao Pleno
A decisão da Sexta Comissão Disciplinar representa a primeira instância da Justiça Desportiva.
O Internacional ainda poderá apresentar recurso ao Pleno do STJD, instância máxima do tribunal.
O clube poderá pedir a redução da suspensão de seis partidas, o afastamento do agravante ou uma nova interpretação sobre a responsabilidade do jogador.
Até que um eventual recurso seja analisado, a punição anunciada pela comissão permanece como referência para o cumprimento da suspensão.
A decisão poderá criar um precedente importante para outros casos nos quais uma jogada violenta provoca o afastamento prolongado de um atleta.
Punição acompanha período de recuperação
Na prática, Victor Gabriel poderá permanecer fora dos jogos durante o mesmo período em que Gabriel Pec estiver impedido de treinar.
Caso o atacante seja liberado antes de 180 dias, o afastamento adicional do zagueiro poderá terminar a partir da comunicação oficial do Cruzeiro ao tribunal, desde que a suspensão de seis partidas também tenha sido cumprida.
Se a recuperação ultrapassar esse período, Victor Gabriel poderá voltar depois do limite máximo de 180 dias estabelecido pelo Código Brasileiro de Justiça Desportiva.
A duração definitiva da punição dependerá, portanto, do julgamento de um possível recurso e da evolução médica de Gabriel Pec.
