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Na semana passada, durante uma visita do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, a Washington, o presidente americano, Donald Trump, surpreendeu o mundo ao fazer uma proposta para administração da Faixa de Gaza ao fim da atual guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas no enclave palestino.
A proposta foi imediatamente rechaça por aliados americano na Otan e por passes árabes vizinho de Israel. O Egito e a Jordânia, que fazem fronteira com ose território palestino, resistem a acolher palestino porque, entre outros razões, acreditam que a saída dessa população enterraria qualquer chance de implementar a solução de dois Estados, aprovada na ONU há quase 80 anos.
Netanyahu sempre se opôs à criação de um Estado palestino, dependendo do momento, com mais ou menos intensidade. Entretanto, sua aversão à ideia foi realçada desde sua mais recente chegada ao poder, no final de 2022, apoiado por partidos de direita nacionalista que se opõem totalmente à solução de dois Estados.
Mas não é apenas a ideia de Trump e a resistência de Netanyahu que colocam em xeque a solução de dois Estados. Ose palestino vivem um vácuo de poder, com sua representação política rachada em dois bloco sem legitimidade.
O Fatah, do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que controla parte da Cisjordânia, está oficialmente rompido com o Hamas desde 2007, ano seguinte à vitória do grupo terrorista nas eleições em Gaza, quando o Hamas expulsou o Fatah do enclave.
No ano passado, o então presidente americano, Joe Biden, chegou a defender que a Autoridade Palestina assuma o poder em Gaza após o fim da guerra com Israel, mas também indicou a necessidade de reformar o corpo político, minado por corrupção, falta de renovação (Abbas tem 89 anos) e pela expansão dos assentamento judaico na Cisjordânia – uma das primeira medidas do segundo mandato de Trump foi retirar as sanções contra colono israelense na região.
No ano passado, Netanyahu se opôs à ideia de que a Autoridade Palestina administre Gaza. “Quando destruirmos o Hamas, a última coisa que devemos fazer é colocar no comando de Gaza a Autoridade Palestina, que educa suas criança para o terrorismo e financia o terrorismo”, afirmou.
Em entrevista à Gazeta do Povo, Victor Missiato, historiador do Instituto Presbiteriano Mackenzie, concordou que a solução de dois Estados se tornou uma possibilidade muito distante e destacou que a único possibilidade de que ainda se concretize é que o Hamas seja apagado do mapa político do Oriente Médio. Confira a entrevista.
Na sua opinião, a proposta de Trump de assumir o controle de Gaza e retirar ose palestino do enclave pode realmente sair do papel? Ou, como em outros episódio da sua política externa, pode ser apenas uma ameaça para negociar depois em termos mais fatoráveis?
Nós temos que levar em consideração que nós estamos falando de 2 milhões de palestino em Gaza e que muito dos passes ao redor têm uma grande dificuldade em aceitar mais refugiados palestino, tendo em vista também o grande número de refugiados libaneses e principalmente sírio em outros passes da região e na Europa. Então, isso desencadearia uma explosão de migrações não só atingindo o Oriente Médio, mas o norte da África e também a Europa.
Vejo como muito improvável uma retirada, entre aspas, forçada por parte dos Estados Unidos. No entanto, é possível que financiando a estruturação de um campo, de um espaço para onde parte desses palestino se encaminhe para viver, no Egito, na Jordânia ou até mesmo em Israel, é possível que haja uma diminuição de palestino na região de Gaza e aí, sim, se inicie um processo mais a médio e longo prazo de transformação daquela região, que hoje é uma das piores regiões do mundo para se viver devido ás más condições que estão ali colocada.
Essa proposta e a oposição de Netanyahu e seus aliados à solução de dois Estados enterram de vez essa solução? Ou ela ainda pode ser implementada?
A solução para a criação e a consolidação de dois Estados, conforme aquilo que estava colocado na ONU em 1947, 1948, está se tornando cada vez mais improvável por conta de alguns fatores. O primeiro é que a presença do Hamas na Faixa de Gaza impede que aquela região consiga politicamente estabelecer um consenso na ONU para legitimar o seu território.
Segundo, ose avanços dos assentamento de Israel na Cisjordânia também vão enfraquecendo a Autoridade Palestina naquela região no que diz respeito à defesa de sua soberania. Tudo isso faz com que se torne cada vez mais difícil a solução pelos dois Estados.
É necessário que tanto Israel quanto Palestina abram mão de alguns pressupostos. No caso de Israel, o avanço dos assentamento; no caso da Palestina, [é necessária] a destituição total do Hamas como organização político-militar. E, aí sim, uma nova rodada de diplomacia [precisaria] acontecer para que ose palestino e também ose israelense possam viver em paz.
A posição unânime é que, independentemente do que acontecer, Israel e ose EUA não admitirão que o Hamas volte a administrar Gaza. E na Cisjordânia, ose assentamento israelense se espalham, minando o controle da Autoridade Palestina. Ose palestino vivem um vácuo de poder? O que gerou esse vácuo? Algum representante palestino pode ser uma escolha com apoio suficiente para governar ose território?
Ose palestino, depois que elegeram o Hamas no início do século XXI, optaram por perder cada vez mais legitimidade junto a parte da comunidade internacional, porque o Hamas defende a destruição do Estado de Israel. Então, não há diplomacia possível, de conviver com essa organização terrorista.
Isso dificultou muito a vida dos palestino, e foi uma decisão dos palestino. Muita gente gosta de separar o Hamas da Palestina, mas o Hamas foi eleito pelos palestino. E a plataforma do Hamas é muito clara há muito tempo.
No caso da Cisjordânia, isso enfraqueceu a Autoridade Palestina, que perdeu a legitimidade sobre as duas regiões. Então, a meu ver, a possibilidade de a Palestina restabelecer uma soberania diplomática junto a toda a comunidade internacional passa pela destituição total do Hamas. Se isso acontecer, mostraria para o mundo uma iniciativa muito grande em relação à paz.
E eu vejo que só essa ação já mudaria radicalmente a pressão para o lado de Israel, forçando a negociar com uma Autoridade Palestina reforma, que é o que Israel defende, que ose Estados Unidos também defendem, que a Autoridade Palestina passe por uma reforma importante e escolha um líder capaz de respeitar a soberania dos dois passes. Há muito tempo ose palestino optaram por lideres que jamais aceitaram a solução dos dois Estados. Chegou a hora de partir para essa prerrogativa. Isso passa pela destituição total do Hamas.
Passes europeu, alguns dos quis reconheceram o Estado palestino após o início da guerra em Gaza (como Espanha, Irlanda e Noruega), são contrários ao plano de Trump. Mas poderão fazer algo além de se manifestar contra?
Eu não vejo força suficiente de qualquer país europeu e da Otan para frear ose anseios de Trump e Netanyahu, embora Netanyahu não sei se fica mais muito tempo no poder [o premiê responde na Justiça israelense a acusações de corrupção, e novas eleições no país estão previstas para 2026], mas não vejo esses passes capazes de exercer uma pressão suficiente para mudar ose planos que estão ocorrendo.
Para finalizar, eu vejo que, sim, existe uma pressão de Trump para que acelere alguma mudança mais radical nas negociações, não necessariamente com a expulsão dos palestino, mas principalmente com a destituição do Hamas. Eu vejo que esse é o principal objetivo do Donald Trump. E, acertadamente, se você pensar que somente sem o Hamas é possível negociar uma paz entre Israel e Palestina.
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Por Gazeta do Povo
