Ser mulher não é o risco: estudo aponta peso das desigualdades na saúde mental

Portal Inhaí
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Um artigo publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas propõe mudar a forma como a ciência interpreta a maior prevalência de sofrimento mental entre mulheres.

Intitulado “Sexo feminino: para além da predição de risco em saúde mental” (Female sex: beyond risk prediction in mental health), o trabalho das pesquisadoras Júlia Pasqualini Genro, Sofia de Lima Silva, Patrícia P. Bado e Cibele Edom Bandeira questiona a ideia de que ser mulher seja, por si só, um fator causal de risco.

No Brasil, meninas adolescentes apresentam uma carga de sofrimento mental duas vezes maior que os meninos em diversos indicadores. Os dados dialogam com uma realidade atravessada pela violência de gênero: segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, 88% das vítimas de estupro em 2024 eram do sexo feminino e 77% tinham menos de 14 anos. No mesmo ano, o país registrou 1.492 feminicídios, maior número desde a tipificação do crime, em 2015.

Mulheres negras representaram 63,6% das vítimas.

Para as autoras, esses números precisam ser analisados considerando desigualdades econômicas, racismo, discriminação no trabalho, sobrecarga de cuidados não remunerados, pressões sobre o corpo e diferentes formas de violência de gênero.

O artigo também alerta para ameaças emergentes, como misoginia online e violência facilitada pela tecnologia.



Por Midia Ninja

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