SÃO PAULO: O PREÇO DA AUSÊNCIA DE GESTÃO E DA PRIVATIZAÇÃO

Éric Tomas
3 Min Read

A ventania que atingiu São Paulo na última quarta-feira expôs, mais uma vez, a fragilidade estrutural de uma metrópole que convive com obras faraônicas, mas tropeça no básico.
A queda de árvores, postes e telhados não foi apenas um “evento climático”: foi o resultado direto de anos de negligência na manutenção urbana e do sucateamento dos serviços essenciais.

Mesmo com alertas constantes de especialistas sobre arborização desbalanceada e estruturas envelhecidas, pouco foi feito. Quando a tempestade chegou, a cidade ruiu. E quem pagou o preço? O povo.

Mais de 1,5 milhão de residências ficaram sem energia. Famílias inteiras no escuro.
Pessoas que pagam caro pela conta de luz, mas não têm o retorno mínimo de estabilidade no fornecimento.
Comércios fecharam as portas, perderam estoque, deixaram de lucrar. Geladeiras desligadas, alimentos estragados, vidas com recursos interrompidos.

Enquanto isso, a propaganda oficial de “modernização” e “eficiência do setor privado” se esfarela diante da realidade:
a privatização não salvou e, em muitos casos, agravou o problema.

Aplicativos bancários, celulares sem bateria , internet, tudo parou.
O que deveria ser um serviço estável virou um jogo: ora funciona, ora colapsa.
A São Paulo iluminada do Natal, que deveria brilhar nas avenidas, mergulhou em escuridão e abandono.
Faltou luz na tomada e sobrou luz no discurso.

A população sem acesso a necessidades básicas enquanto aguarda solução por mais de 24 horas , por uma resposta das concessionárias.
A tempestade de desespero acompanhada de desserviço não passou, mas deixou exposta uma verdade que muitos tentam ignorar:

Quando se trata de serviços essenciais, quem sempre paga a conta e o pato é o povo.
Porque sem planejamento, sem fiscalização e sem responsabilidade pública, qualquer vendaval se transforma em tragédia anunciada. E, no fim, quem segue pagando a conta com impostos altíssimos e serviços cada vez piores é o trabalhador.
O mesmo trabalhador que volta para casa no escuro, atravessando ruas inseguras, e que nem ao menos tem o direito básico de tomar um banho quente depois de um dia inteiro de luta.
Hoje a população sofre com a falta de luz amanhã sofrerá com as consequências da privatização da Sabesp.
Os próximos capítulos, já estão decretados : água mais cara, tarifas abusivas e bairros inteiros ainda sem saneamento básico.

Hoje a escuridão.
Amanhã, a água.
E nesse enredo, só há um desfecho possível se não houver responsabilidade pública: o lucro sobe, o preço sobe e a qualidade desce.


“Este conteúdo reflete exclusivamente a opinião do colunista, não representando necessariamente o posicionamento do Portal Inhaí.
Pessoas citadas ou envolvidas que desejarem exercer o direito de resposta podem fazê-lo pelo e-mail: fale@inhai.com.br”

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