Relembre quem foram os craques brasileiros nas Copas

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Por João Victor Almeida e Rodrigo Marques – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

Desde 1930, o Brasil atravessa as Copas do Mundo carregando mais do que uma camisa: leva consigo a própria ideia de futebol como linguagem popular, arte de rua, invenção coletiva e, ao mesmo tempo, campo de disputa simbólica sobre o país. Em cada edição, houve um nome capaz de traduzir a esperança brasileira, seja pela genialidade, pela resistência ou pela capacidade de carregar um time inteiro nas costas.

Da estreia no Uruguai aos títulos que marcaram época, passando por frustrações, viradas, silêncios e redenções, a Seleção Brasileira foi escrita por craques que ajudaram a construir a maior tradição do torneio. A seguir, relembramos o principal nome de cada campanha brasileira em Copas, da primeira participação, em 1930, até o Catar, em 2022.

Uruguai – 1930

Craque da Seleção: Preguinho

Na primeira Copa do Mundo da história, o Brasil ainda era um projeto em formação. E foi Preguinho quem entrou para a memória como o autor do primeiro gol brasileiro em Mundiais, de cabeça, contra a Iugoslávia. Polivalente dentro e fora de campo, ele simbolizava uma seleção ainda amadora, mas já marcada por talento e improviso. Capitão da equipe, também marcou duas vezes sobre a Bolívia na vitória por 4 a 0. O Brasil caiu cedo, mas começava ali uma relação que mudaria a história do futebol.

Foto: Wikipedia

Itália – 1934

Craque da Seleção: Leônidas da Silva

A Copa de 1934 foi breve para o Brasil, mas Leônidas da Silva já aparecia como um nome capaz de romper a lógica europeia do jogo. Diante da Espanha, em uma eliminatória eliminada de forma direta, ele fez o gol brasileiro na derrota por 3 a 1 e foi a principal ameaça ofensiva do time. Ainda não era o mito global, mas o “Diamante Negro” já mostrava que o futebol brasileiro podia falar com outra estética: mais criativa, mais solta, mais inventiva.

Foto: Wikimedia

França – 1938

Craque da Seleção: Leônidas da Silva

Quatro anos depois, Leônidas saiu da condição de promessa para virar lenda. Na Copa da França, ele se transformou no grande nome do torneio e um dos primeiros ícones mundiais do futebol brasileiro. Marcou gols decisivos, encantou com sua mobilidade e entrou para a história com lances que atravessaram o tempo, como o gol marcado descalço contra a Polônia e a bicicleta antológica diante da Tchecoslováquia. Artilheiro da competição, Leônidas ajudou a fixar o Brasil como uma seleção capaz de produzir beleza em escala planetária.

Brasil – 1950

Craque da Seleção: Zizinho

No torneio que virou trauma nacional, Zizinho foi o símbolo de uma seleção que jogava bem antes de ser engolida pela pressão histórica. Ídolo de técnica refinada, o “Mestre Ziza” comandou o ataque brasileiro com inteligência e precisão. Lesionado, perdeu parte da fase inicial, mas voltou para liderar o time no momento mais decisivo. Foi uma das referências da campanha que terminou no Maracanazo, quando o Brasil caiu diante do Uruguai e viu nascer um dos maiores mitos — e feridas — da história do futebol.

Foto: Wikipedia

Suíça – 1954

Craque da Seleção: Didi

Didi foi o cérebro de um Brasil ainda em reconstrução após 1950. Maestro do meio-campo, ele popularizou a “folha seca”, um chute que caía de forma traiçoeira e passaria a ser um dos símbolos da técnica brasileira. Na Copa da Suíça, marcou golaços, ditou o ritmo da equipe e mostrou que a seleção já tinha um articulador à altura do seu talento ofensivo. A eliminação para a Hungria, em Berna, ficou marcada pela violência e pela desorganização, mas Didi saiu dali consolidado como referência de elegância e comando.

Foto: Wikipedia

Suécia – 1958

Craque da Seleção: Pelé e Didi

A Copa de 1958 inaugurou um novo tempo. Didi foi o líder sereno, o homem que organizava a equipe. Pelé, então com 17 anos, apareceu como o fenômeno que mudaria o futebol para sempre. A Suécia viu nascer o Brasil campeão do mundo pela primeira vez. Pelé marcou gols decisivos, humilhou defensores com uma naturalidade quase insolente e encerrou o torneio com uma atuação histórica na final. Didi, por sua vez, sustentou o equilíbrio de um time que, enfim, descobria como transformar talento em domínio.

Foto: Reprodução/O Globo 

Chile – 1962

Craque da Seleção: Garrincha

Se Pelé havia sido o rosto de 1958, Garrincha foi o de 1962. Com o Rei lesionado logo no começo da competição, coube ao Mané assumir o protagonismo de uma Seleção que parecia condenada a desabar. O que se viu foi o contrário: Garrincha viveu uma campanha lendária, principalmente nas quartas e na semifinal. Contra a Inglaterra e diante do Chile, sua irreverência, sua aceleração curta e sua capacidade de decidir sozinho fizeram dele o maior nome da Copa. Foi o torneio em que o futebol brasileiro encontrou, em Garrincha, a sua forma mais livre.

Foto: Arquivo nacional 

Inglaterra – 1966

Craque da Seleção: Pelé

A Copa de 1966 ficou marcada pela violência contra o Brasil e pela desordem de uma preparação caótica. Mesmo assim, Pelé foi o grande nome da equipe. Atacado em campo, sem o cuidado mínimo que seu talento exigia, o camisa 10 terminou o Mundial castigado fisicamente e sem conseguir impedir a eliminação precoce. Ainda assim, foi ele quem representou a resistência de uma seleção desorganizada, mas que seguia tendo no Rei seu maior símbolo.

México – 1970

Craque da Seleção: Pelé

A Copa de 1970 foi a consagração máxima do futebol-arte brasileiro. Pelé liderou uma equipe histórica, provavelmente a mais reverenciada já vestida de amarelo, que reuniu Tostão, Jairzinho, Gérson, Rivellino e Carlos Alberto Torres num time de talento quase inesgotável. No México, Pelé misturou genialidade, visão de jogo e liderança técnica. Fez gols, distribuiu assistências e protagonizou alguns dos momentos mais emblemáticos da história das Copas, como a assistência para o gol de Carlos Alberto na final. Foi o Mundial em que o Brasil virou mito.

Alemanha – 1974

Craque da Seleção: Rivellino

Com Pelé já fora da Seleção, Rivellino assumiu a liderança técnica do Brasil em 1974. Dono de uma canhota brutal e de uma leitura de jogo refinada, ele manteve a tradição criativa da equipe em um torneio mais pragmático e menos livre. Em meio a um time que já não tinha o mesmo brilho de 1970, Rivellino foi o jogador que tentava manter acesa a chama do improviso. Terminou a campanha como principal nome ofensivo brasileiro e referência de uma geração em transição.

Foto: Dutch National Archive 

Argentina – 1978

Craque da Seleção: Dirceu

A Seleção de 1978 ficou marcada pela eficiência física, pela disciplina tática e pelo discurso do “campeão moral”. Nesse contexto, Dirceu foi o jogador mais importante. Forte na transição, inteligente na chegada à área e dono de um chute preciso, ele representou bem a equipe de Cláudio Coutinho. Marcou gols decisivos, conduziu o time até o terceiro lugar e foi uma das figuras centrais de uma campanha invicta que, mesmo sem título, entrou para a história.

Foto: Reprodução/Netvasco 

Espanha – 1982

Craque da Seleção: Zico

A seleção de Telê Santana talvez tenha sido a que mais encarnou a ideia de futebol como espetáculo. E Zico foi o centro desse projeto. O Galinho organizava, acelerava, finalizava e pensava a equipe quase como um diretor de cena. Fez gols decisivos, participou de jogadas memoráveis e foi o grande símbolo de uma Seleção que encantou o mundo antes de cair diante da Itália. Mesmo sem o título, Zico saiu da Espanha como um dos maiores jogadores do planeta.

Foto: CBF/Divulgação 

México – 1986

Craque da Seleção: Careca

Com Zico ainda influente, mas já castigado fisicamente, Careca assumiu o papel de principal homem de frente da Seleção. No México, foi ele quem deu profundidade, presença de área e força ofensiva ao Brasil. Marcou gols importantes, liderou o ataque e se destacou como a principal referência da equipe até a eliminação nos pênaltis para a França. Sua campanha consolidou a imagem de centroavante decisivo, técnico e inteligente.

Foto: Reprodução/imortais do futebol 

Itália – 1990

Craque da Seleção: Taffarel

A Seleção de 1990 foi uma equipe limitada no ataque, mas competitiva, e Taffarel foi o nome que manteve o Brasil vivo. Seguro, ágil e decisivo, o goleiro foi peça fundamental em uma campanha marcada por poucas chances criadas e muita tensão. Nas oitavas, contra a Argentina, o Brasil até teve volume de jogo, mas sucumbiu a um lance isolado de Maradona e Caniggia. Taffarel saiu do Mundial como uma das poucas certezas de uma seleção pouco inspirada.

Foto: Reprodução/Correio Braziliense

Estados Unidos – 1994

Craque da Seleção: Romário

A Copa de 1994 foi a Copa de Romário. O Baixinho chegou aos Estados Unidos como a grande aposta de uma Seleção que queria encerrar o jejum de 24 anos. E cumpriu a promessa. Marcou gols decisivos, chamou a responsabilidade em jogos duros e foi o rosto do tetracampeonato. Mais do que artilheiro, Romário foi a personificação da confiança e da frieza. O Brasil voltou ao topo do mundo com um atacante que fazia o jogo parecer simples.

Foto: Imago 

França – 1998

Craque da Seleção: Ronaldo

Com apenas 21 anos, Ronaldo chegou à França como um fenômeno já em velocidade máxima. Forte, explosivo e criativo, ele conduziu o Brasil até a final com atuações dominantes. Marcou gols, desmontou defesas e confirmou que era o jogador mais assustador de sua geração. A final contra a França, no entanto, trouxe um cenário trágico: horas antes da decisão, Ronaldo sofreu uma convulsão, entrou em campo longe das melhores condições e viu a Seleção ser derrotada por 3 a 0. Ainda assim, sua campanha em 1998 já apontava para o tamanho da lenda que ele se tornaria.

Foto: Reuters 

Japão e Coreia do Sul – 2002

Craque da Seleção: Rivaldo

Em um time que tinha Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e outros nomes fortes, Rivaldo foi o fio condutor da Seleção pentacampeã. Atuou com regularidade rara, fez gols importantes e foi o jogador que mais deu equilíbrio ao conjunto de Felipão. Sua presença entre linhas, sua capacidade de decidir em momentos tensos e sua inteligência tática foram fundamentais na caminhada até o título. Rivaldo foi, na prática, o cérebro silencioso de 2002.

Foto: Gulf Times 

Alemanha – 2006

Craque da Seleção: Zé Roberto

O Brasil chegou à Alemanha cercado de expectativa, mas o time não correspondeu ao que se imaginava. Em meio à frustração de um ataque estrelado que pouco produziu, Zé Roberto foi uma das exceções. Incansável, disciplinado e taticamente preciso, ele sustentou o meio-campo e mostrou entrega em um time descompassado. Mais do que um coadjuvante, foi um dos jogadores mais regulares da campanha.

Foto: Fernando Maia

África do Sul – 2010

Craque da Seleção: Luís Fabiano

A Seleção de Dunga foi marcada pela força física, pela disciplina e por uma postura conservadora. Nesse contexto, Luís Fabiano foi o homem-gol. Depois de passar em branco na estreia, desencantou contra a Costa do Marfim e marcou gols decisivos. Com potência, presença de área e oportunismo, foi o principal nome ofensivo de um time que caiu para a Holanda nas quartas de final.

Foto: FIFA 

Brasil – 2014

Craque da Seleção: Neymar

Jogar em casa pesou. E Neymar assumiu essa responsabilidade aos 22 anos, carregando o peso de uma Copa disputada no país da própria Seleção. Marcou gols, decidiu partidas e foi o centro de gravidade da equipe de Felipão até sofrer a lesão nas costas contra a Colômbia. Sem ele, o Brasil desmoronou emocionalmente e tecnicamente. O 7 a 1 da semifinal contra a Alemanha virou o símbolo de uma tragédia coletiva, mas Neymar havia sido a principal esperança daquela campanha.

Foto: AFP

Rússia – 2018

Craque da Seleção: Philippe Coutinho

Na Copa da Rússia, o Brasil teve oscilações, mas Coutinho foi o jogador mais decisivo na fase inicial. Marcou gols importantes, salvou a equipe em momentos de tensão e mostrou capacidade de assumir protagonismo quando o time mais precisava. Entre passes, infiltrações e finalizações de fora da área, foi ele quem mais apareceu como solução individual em uma Seleção que acabou eliminada pela Bélgica nas quartas.

Foto: Wikipédia 

Catar – 2022

Craque da Seleção: Richarlison

No Catar, Richarlison foi o nome mais simbólico da Seleção. O “Pombo” terminou a Copa como artilheiro brasileiro e protagonizou um dos gols mais bonitos da história recente dos Mundiais, contra a Sérvia, em uma finalização acrobática que uniu técnica, improviso e instinto. Em um time que alternou bons momentos e frustrações, ele foi a principal referência ofensiva do Brasil e o jogador que melhor traduziu a esperança de uma geração ainda em busca de um novo capítulo glorioso. 

Foto: NELSON ALMEIDA/AFP



Por Midia Ninja

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