A 4ª edição do BONITO CINESUR – Festival de Cinema Sul-Americano chegou ao fim na noite deste sábado (1º), em Bonito (MS), com a cerimônia de premiação que consagrou os melhores curtas e longas-metragens das mostras Sul-Americana, Ambiental e Sul-Mato-Grossense, além dos escolhidos pelo júri popular. Realizado entre os dias 24 de julho e 1º de agosto, o festival reuniu 46 filmes de dez países da América do Sul e reafirmou sua proposta de fortalecer a integração do audiovisual do continente.
Conduzida pelos atores Valentina Herszage e Paulo Betti, a cerimônia aconteceu no Auditório Kadiwéu, no Centro de Convenções de Bonito. Durante a abertura da premiação, os artistas destacaram o papel do cinema como instrumento de conexão entre diferentes povos e culturas.
“O cinema é a janela para o mundo. Nos dá asas para voarmos no horizonte e além”, afirmou Valentina Herszage. Paulo Betti complementou: “O cinema nos reuniu aqui, no coração do Pantanal, e nos presenteou com histórias que atravessaram fronteiras, línguas e culturas, trazendo à tona a potência e a diversidade da nossa América do Sul.”
Entre os principais vencedores da noite, o longa paraguaio ”¿Quién Mató a Narciso?”, dirigido por Marcelo Martinessi, conquistou o prêmio de Melhor Longa-Metragem Sul-Americano pelo júri oficial. Já o peruano “Naira”, de Gabriela Quiroz, foi eleito o Melhor Longa Sul-Americano pelo voto popular e ainda recebeu Menção Honrosa pela atuação de sua jovem protagonista e de seu parceiro de cena.
Na Mostra Ambiental, “Páramos II El Origen”, de Alejandro Calderón, conquistou o prêmio de Melhor Longa tanto pelo júri oficial quanto pelo público, consolidando-se como um dos destaques da edição. O diretor colombiano também venceu a categoria de Melhor Curta Ambiental com “Hipopótamos, El Arca de Escobar”.
Na competição Sul-Mato-Grossense, “Natasha”, dirigido por Ana Ostapenko, Willerson Amorim, Thiago Rotta e Rafael Rotta, recebeu o prêmio máximo do júri oficial. Já o público escolheu “Higa Ke – Olho por Olho”, de Conrado Roel e Debora Bah, como o melhor filme da mostra.
Um dos momentos mais marcantes da cerimônia foi a entrega do Troféu Pantanal ao cineasta e indigenista franco-brasileiro Vincent Carelli, homenageado pelo conjunto de sua trajetória.
Antropólogo de formação, Carelli fundou, em 1986, o projeto “Vídeo nas Aldeias”, iniciativa pioneira que colocou câmeras nas mãos de povos indígenas e transformou a produção audiovisual em uma ferramenta de autonomia, preservação cultural e luta por direitos. Seu trabalho é considerado fundamental para o desenvolvimento do cinema indígena nas Américas.
Ao receber a homenagem, o cineasta destacou a importância política do cinema e lembrou a exibição de “Martírio”, documentário sobre a violência contra o povo Guarani-Kaiowá.
“Estou muito feliz. Esse festival é feito com muito amor, capricho e uma missão rara, a de conhecer mais de perto e conectar o cinema sul-americano. Escolhemos para exibir ontem um filme chamado ‘Martírio’, sobre o genocídio do povo Guarani-Kaiowá. Estou aqui portando esse xale palestino em solidariedade ao povo palestino. Costumo dizer que a região dos Guarani-Kaiowá é a nossa Faixa de Gaza. Lamentavelmente, é um genocídio que não para há 40 anos e parece que a humanidade ruma à barbárie. Agradeço a todos e vamos em frente.”
A homenagem a Carelli soma-se à concedida à atriz chilena Paulina García, que recebeu o Troféu Pantanal na cerimônia de abertura do festival, realizada em 24 de julho.
Durante nove dias, Bonito transformou-se em um polo de encontro do audiovisual sul-americano. Cerca de 150 convidados, entre diretores, atores, roteiristas, produtores e profissionais do setor, participaram das exibições, debates e atividades do festival.
Ao todo, 32 obras disputaram os prêmios das cinco mostras competitivas. A organização distribuiu R$ 57,5 mil em premiações concedidas pelo júri oficial internacional e pelo voto popular.
O júri da Mostra Sul-Americana foi formado por Celso Franco, Dandara Ferreira e Gabriela Sandoval. A Mostra Ambiental contou com Minom Pinho, Olinda Tupinambá e Vincent Carelli. Já a Mostra Sul-Mato-Grossense teve como jurados Daniela Siqueira, Luiz Carlos Lacerda (Bigode) e Solange Bouffay.
No encerramento, o diretor-geral do festival, Nilson Rodrigues, destacou que o BONITO CINESUR pretende ampliar sua atuação como espaço de integração entre os países da América do Sul.
“O festival é um espaço onde a gente pode ver os filmes, celebrar, trocar ideias e criar conexões, mas ele não resolve tudo. Nós queremos mais coproduções, queremos codireções. Para isso, é preciso que as instituições se envolvam. No ano que vem, queremos trazer os ministérios da Cultura desses países para criar programas bilaterais e multilaterais que fortaleçam o cinema sul-americano.”
Vencedores da 4ª edição do BONITO CINESUR
Júri Popular
Melhor Longa-Metragem Sul-Americano
- “Naira” – Gabriela Quiroz (Peru)
Melhor Curta-Metragem Sul-Americano
- “A Vida de Jerônimo Dentro e Fora da Casca” – Andrews Nascimento (Brasil)
Melhor Longa-Metragem Ambiental
- “Páramos II El Origen” – Alejandro Calderón (Colômbia)
Melhor Curta-Metragem Ambiental
- “Buen Vivir – Ñutse Canseye” – Zoé Nathalie Kugler (Equador)
Melhor Filme Sul-Mato-Grossense
- “Higa Ke – Olho por Olho” – Conrado Roel e Debora Bah
Júri Oficial
Melhor Longa-Metragem Sul-Americano
- ”¿Quién Mató a Narciso?” – Marcelo Martinessi (Paraguai)
Melhor Curta-Metragem Sul-Americano
- “Sukua” – Omar E. Ospina (Colômbia)
Melhor Longa-Metragem Ambiental
- “Páramos II El Origen” – Alejandro Calderón (Colômbia)
Melhor Curta-Metragem Ambiental
- “Hipopótamos, El Arca de Escobar” – Alejandro Calderón (Colômbia)
Melhor Filme Sul-Mato-Grossense
- “Natasha” – Ana Ostapenko, Willerson Amorim, Thiago Rotta e Rafael Rotta
Menções Honrosas
- “Quatro Luas Pantaneiras”, de Ana Carla Loureiro
- “Naira”, de Gabriela Quiroz (Peru), pela atuação da jovem protagonista e de seu parceiro.
